As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Repressão a imigrantes vira mercado lucrativo e controverso

Empresas fecham contratos milionários com governo e são acusadas de maus tratos

Carla Miranda

29 de setembro de 2011 | 12h26

Uma reportagem do “New York Times” publicada nesta quinta-feira, 29, chama atenção para o mercado de repressão a imigrantes ilegais em países ricos. O setor é movido por empresas globais – algumas atuantes em mais de cem países – que obtêm contratos milionários com governos e não raro são alvo de protestos de grupos de defesa dos direitos humanos.

A americana GEO Group, por exemplo, perdeu um contrato com o governo da Austrália em 2003 depois que um inquérito apontou que “crianças detidas estavam sendo submetidas a tratamentos cruéis”, lembra o “Times”.

O jornal diz que os Estados Unidos e o Reino Unido têm buscado cada vez mais o setor privado para aumentar a detenção de ilegais “e mostrar aos eleitores que eles [o Estado] está aplicando as leis de imigração mais rígidas”.

No entanto, nenhum país tem um nível de terceirização do sistema de aplicação de leis contra imigração ilegal, e com tantas turbulências, como a Austrália, na opinião do “Times”.

Além do GEO Group, outra empresa que teve problemas por lá foi a anglo-dinamarquesa G4S, que emprega 600 mil pessoas em 125 países. A companhia foi acusada de negligencia letal e uso abusivo da solitária. Alem disso, gerou protestos quando o governo descobriu que cidadãos australianos e imigrantes legais foram presos e deportados por engano.

O “Times” cita ainda a contratação de outra gigante do setor de segurança, a Serco, pelo governo da Austrália, num contrato que inicialmente era US$ 370 milhões por cinco anos e depois foi aumentado para US$ 756 milhões. Após esse reajuste, a empresa pôde exibir ao governo alguns progressos alcançados, como o aumento de 570% no número de imigrantes detidos, que passou de 1 mil para 6,7 mil desde 2009.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.