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Retomada econômica do Brasil preocupa, diz Wall Street Journal

Diário norte-americano leva ao mundo o debate nacional sobre a taxa de juros

Carla Miranda

27 de abril de 2010 | 09h48

Atualizado às 10h10

“A elação sobre a rápida recuperação econômica do Brasil desde a recessão econômica mundial deu lugar a algo mais ominoso: a preocupação de que o gigante econômico da América do Sul esteja começando a ficar superaquecido.”

Essas são as palavras introdutórias de uma reportagem do Wall Street Journal publicada nesta terça-feira. O texto leva ao mundo uma discussão que está em todos os grandes jornais brasileiros nesta terça-feira: em quantos pontos percentuais o Banco Central deve elevar a taxa básica de juros, a chamada Selic, para controlar a inflação?  Segundo o Estadão, há quem aposte em uma alta de até 1 ponto percentual, de 8,75% ao ano para 9,75%.

O  presidente da instituição teria dito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que será preciso uma “paulada” na Selic para segurar os preços. a inflação, segundo relato da Folha de S.Paulo.

Nas palavras do Wall Street Journal, a inflação é o “calcanhar de Aquiles” de economias ricas em matérias-primas como a do Brasil”. O diário lembra que a alta anual dos preços estava na casa dos quatro dígitos nos anos 1990, “um período caótico que permanece fresco na memória de muitos brasileiros”.

O Wall Street Journal observa que a economia brasileira cresceu pelo menos 10% no primeiro trimestre deste ano, com as vendas de carros, em particular, dando um salto de 18%. Ainda, o investimento estrangeiro direto alcançou US$ 26,3 bilhões nos 12 meses encerrados em março.

“A economia está sendo superaquecida”, afirmou ao WSJ o economista Alberto Ramos, do banco norte-americano Goldman Sachs. O jornal inclui também a versão do governo: “A economia está quente, mas não superquente”, dissera o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

A reportagem do Journal afirma que a situação do Brasil exemplifica a divergência econômica entre os países emergentes e os ricos. Para a publicação, Brasil e Índia estão em uma situação “incomum”: começam a restringir a oferta de dinheiro que eles puderam aumentar durante a crise, enquanto nos Estados Unidos e na Europa os empréstimos continuam barato.

Leia a reportagem no site do Wall Street Journal (em inglês)

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