Rival do Alibaba quer ser a Amazon chinesa

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Rival do Alibaba quer ser a Amazon chinesa

JD.com é agora a maior varejista de vendas diretas na China, com 46 milhões de usuários ativos e renda estimada em US$ 20 bilhões no ano passado

Economia & Negócios

27 de janeiro de 2015 | 16h39

Richard Liu, presidente do site JD.com, beija a mão do empregado Li Quan (Foto: NYT)

Richard Liu, presidente do site JD.com, beija a mão do empregado Li Quan (Foto: NYT)

THE NEW YORK TIMES

PEQUIM – Todos os anos, perto do mês de junho, no aniversário de fundação de sua empresa, Richard Liu veste um grande capacete de motociclista com uniforme vermelho, sobe num triciclo elétrico e faz entregas domiciliares para sua empresa de comércio eletrônico JD.com.

Trata-se em parte de uma jogada de publicidade de Liu, bilionário de 41 anos que atua como presidente e diretor executivo da empresa. Mas é também uma forma de compreender melhor os desafios técnicos e logísticos enfrentados pela JD, que está envolvida numa disputa acirrada pela supremacia no comércio eletrônico numa economia cujas dimensões perdem apenas para as dos Estados Unidos.

Há muito eclipsada pela rival Alibaba, a JD emergiu como o outro gigante online chinês ao criar para si uma identidade distinta.

Enquanto o mercado do Alibaba serve como plataforma para conectar compradores e vendedores, a JD compra os artigos dos fabricantes e conserva o inventário em seus armazéns, num modelo que ecoa o da Amazon. Então a empresa cuida da entrega acelerada de praticamente tudo, desde televisores e geladeiras até meias e camisetas, usando motocicletas que serpenteiam entre os carros congestionados de algumas das maiores cidades do país.

Como a Amazon, a JD investiu bastante em infraestrutura, injetando mais de US$ 1,5 bilhão no aluguel e construção de armazéns e centros de atendimento a pedidos em toda a China. Mas a JD foi ainda além, explorando as entregas domésticas com sua própria frota de caminhões e mais de 20 mil entregadores, tudo isso na esperança de capturar o mercado chinês de comércio eletrônico que deve alcançar o volume de US$ 1 trilhão em 2020.

A JD, que tem o capital negociado nas bolsas americanas, é agora a maior varejista de vendas diretas na China, com 46 milhões de usuários ativos e renda estimada em US$ 20 bilhões no ano passado.

Trabalhadores do centro de logística da JD.com, na China

Trabalhadores do centro de logística da JD.com, na China

“O modelo de negócios não é para todos, mas eles foram inteligentes ao construí-lo”, disse Elinor Leung, analista de internet do banco de investimentos CLSA em Hong Kong. “Agora, o movimento deles está se multiplicando.”

Mas esta cara abordagem para a construção de um varejo online preocupou alguns analistas, para os quais a JD poderia sentir o peso de seus ativos físicos e crescente endividamento. Vários analistas dizem que a empresa não se tornará lucrativa antes de 2017. Concorrentes como Jack Ma, presidente da Alibaba, chegaram até a menosprezar o modelo de negócios da empresa, descrevendo-o como tragicamente mal concebido.

“Não é uma questão de sermos melhores”, disse Ma recentemente numa entrevista publicada. “É uma questão de direção. Digo ao meu pessoal: não se envolvam com a JD.com. Não venham me culpar se um dia vocês morrerem.” Posteriormente ele se desculpou pelos comentários.

Os executivos da JD, que tem sede em Pequim, insistem que estão construindo uma empresa capaz de um dia valer-se de uma vantagem decisiva no comércio eletrônico, com sólido serviço de atendimento ao consumidor, entrega rápida e garantia de autenticidade dos produtos. Para eles, um dos maiores desafios enfrentados no momento é o de acompanhar o enorme volume de pedidos online, que dobrou em cada um dos três anos mais recentes.

“Se quiséssemos, poderíamos ser rentáveis imediatamente”, disse Shen Haoyu, diretor executivo da JD Mall, maior divisão da empresa. “Mas nossa meta imediata é aumentar a base de consumidores.” A JD é fruto das ambições de seu fundador. Filho do proprietário de um navio de carga, Liu cresceu numa das partes mais pobres da província de Jiangsu, leste da China, antes de vir a Pequim para estudar sociologia na Universidade Renmin.

Durante o tempo livre na faculdade, ele programou software e ganhou dinheiro o bastante para comprar um pequeno restaurante perto do campus. Ele diz que o restaurante faliu depois que os funcionários se apropriaram de boa parte do dinheiro.

Depois da faculdade, Liu, cujo nome em chinês é Liu Qiangdong, trabalhou brevemente para uma empresa japonesa antes de abrir o próprio negócio. Alugou espaço num mercado de eletrônicos na zona de alta tecnologia da cidade, chamada Zhongguancun, para vender software e aparelhos eletrônicos, como gravadores de CD. Em questão de poucos anos, ele já tinha lojas de eletrônicos em endereços físicos de três cidades.

Em 2004, quando as lojas dele começaram a vender artigos na web, as compras online estavam começando a tomar forma na China, lideradas por startups como Dangdang, Joyo e o site Taobao,da Alibaba. A JD, cujo nome em inglês era na época 360Buy.com, prosperou com os preços baixos e a entrega rápida, parte do lema atual da empresa.

Com o dinheiro acabando em 2006, Liu solicitou US$ 2 milhões de uma firma de capital de investimento de Hong Kong. A firma, Capital Today, compareceu com US$ 10 milhões, em troca de uma participação minoritária substancial no negócio. Essa fatia da empresa vale hoje quase US$ 2,4 bilhões, mesmo depois de a firma ter vendido parte de suas ações.

A injeção de capital ajudou a JD a expandir os produtos em oferta, indo além dos eletrônicos, desenvolvendo novos sistemas e programas. Por sua vez, a expansão ajudou a atrair investidores maiores, como Tiger Global, o bilionário russo Yuri Milner, o príncipe saudita Alwaleed bin Talal, e a família Walton, dona das lojas Wal-Mart.

“Quando o conheci pessoalmente, soube que ele era inteligente e confiável, e tinha instinto assassino”, disse Kathy Xu, sócia responsável pelo investimento da Capital Today.

Os investidores foram seduzidos pela ideia de Liu, que vislumbrou um serviço completo de varejo online.

Na época, os serviços de entregas na China eram terríveis. O país tinha novas estradas e pontes, mas as entregas via caminhão eram prejudicadas pela má qualidade do serviço, pedágios e outros gargalos. Na ausência de uma equivalente chinesa da FedEx ou UPS, os pacotes com frequência chegavam atrasados e em embalagens amassadas.

“Setenta porcento das queixas que recebíamos envolviam as entregas, e tudo era muito devagar”, disse Liu durante entrevista na sede da empresa. “Percebemos que a logística está ligada à experiência do usuário.” Assim, a partir de 2007, a JD fez algo que nenhuma outra empresa chinesa de comércio eletrônico estava – nem está – disposta a fazer: começou a construir uma rede logística integrada a partir do zero, prometendo atender aos clientes do momento do clique de compra até a entrega da encomenda.

Atualmente, a empresa conta com sete centros de atendimento e 118 armazéns em 39 cidades. Há também 1.045 centros de retirada menores em cerca de 500 cidades. E, desde 2010, a empresa prometeu que a maioria dos pedidos feitos na internet até as 23h serão entregues no dia seguinte antes das 15h./Tradução de Augusto Calil

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