Saiba como embargo russo ao frango dos EUA pode ser vantajoso ao Brasil
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Saiba como embargo russo ao frango dos EUA pode ser vantajoso ao Brasil

Brasil exporta anualmente o equivalente a US$ 8 bilhões de frangos, mas a Rússia hoje representa apenas 3% desse total

nayarasampaio

11 de agosto de 2014 | 15h35

Com a deterioração das relações entre Rússia, Estados Unidos e União Europeia em razão da crise da Ucrânia, o Brasil pode se tornar o inesperado beneficiário da situação.

Na quarta-feira o presidente Vladimir Putin assinou decreto listando produtos cuja entrada está proibida na Rússia, provenientes dos Estados Unidos, União Europeia, Canadá, Austrália e Noruega, numa resposta às sanções decididas pelo Ocidente. Tão logo o decreto foi assinado e os produtores brasileiros já faziam fila para ocupar o espaço deixado.
“O Brasil aumentará substancialmente suas exportações de carne e laticínios”, disse o ministro da Agricultura do Brasil, Neri Geller.

Brasil exporta anualmente o equivalente a US$ 8 bilhões de frangos, mas a Rússia hoje representa apenas 3% desse total

“Abre-se um leque de oportunidades”, disse Ricardo Santin, vice-presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, que representa a área de produtos de porco e frango.

O Brasil exporta anualmente o equivalente a US$ 8 bilhões de frangos, mas a Rússia hoje representa apenas 3% desse total. Em 2013 as vendas de frango do Brasil para o mercado russo totalizaram 47.000 toneladas métricas, avaliadas em US$ 130 milhões a US$ 150 milhões.

O Brasil exportou 134 .000 toneladas métricas de porco para a Rússia em 2013, o que representou 26% das exportações brasileiras.

O setor de carne do Brasil também está em busca de um incentivo. O país vendeu 303.000 toneladas métricas de carne para a Rússia no ano passado, o que representou US$ 1,2 bilhão.

Com a expedição do decreto após a cúpula de julho realizada no Brasil dos líderes dos países que formam os BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – e a criação de um banco de desenvolvimento por estes países, este grande potencial no campo das exportações que se apresenta para o Brasil é visto como uma vitória econômica do país.

“É o tipo de evento que levará o pessoal do ministério do Exterior a dizer ‘vejam como os BRICS são importante e como é importante desenvolver relações com os países do Sul'”, disse Marcos Troyjo, diretor do BRIClab, na Universidade de Colúmbia e ex-membro da missão brasileira nas Nações Unidas. “É realmente muito importante para o Brasil”.

Para os Estados Unidos, a perda do mercado russo é menos importante. No ano passado o país exportou 267.000 toneladas métricas de frango para a Rússia, no valor de US$ 303 milhões, de acordo com o National Chicken Council e o Poultry&Egg Export Council dos Estados Unidos. Segundo Gwen Sparks, porta-voz do Departamento de Agricultura americano, em 2013 os Estados Unidos exportaram produtos agrícolas para a Rússia num valor equivalente a US$ 1,3 bilhão, menos de 1% do total das exportações agrícolas americanas.

A economia brasileira, que depende muito da venda de commodities para o exterior e tem registrado um mal desempenho, deverá lutar muito para crescer 1% este ano. O Brasil é o maior exportador de carne do mundo, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, com um volume de exportações de 2,03 toneladas métricas, em comparação com as vendas americanas, de 1,14 toneladas. A maior produtora de carne do mundo, a JBS SA, é uma empresa brasileira.

Marcos Troyjo não acredita que a medida prejudicará as relações entre Brasil e Estados Unidos, que estão apenas agora se recuperando depois das revelações de Edward Snowden, ex-técnico da agência de segurança nacional dos Estados Unidos, NSA, de que a agência havia espionado a presidente Dilma Rousseff e a companhia Petrobrás. Dilma cancelou uma visita de Estado aos Estados Unidos, no ano passado, numa resposta ao fato.

“As relações entre Estados Unidos e Brasil não estão no seu melhor nível. Já vimos dias melhores”, disse Troyjo. “Mas não serão diretamente afetadas pelo fato de o Brasil negociar com a Rússia”.  (Tradução: Jéssica Otoboni)

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