Petrobrás na Argentina foi comprada com sonegação de impostos, acusa ‘Clarín’
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Petrobrás na Argentina foi comprada com sonegação de impostos, acusa ‘Clarín’

Em dois dias, duas denúncias internacionais envolveram a empresa

Gustavo Santos Ferreira

09 de setembro de 2013 | 18h05

O empresário kischnerista Cristóbal López teria usado dinheiro de sonegação de impostos para virar sócio da Petrobrás Argentina (Pesa). A denúncia foi publicada nesta segunda-feira, 9, pelo Clarín.

Trata-se de mais uma polêmica de âmbito internacional envolvendo a estatal, na qual também parece ser vítima. Na noite de domingo, 8, a TV Globo noticiou que a Petrobrás foi alvo de espionagem do serviço secreto dos Estados Unidos.

Nuvens negras. Dois dias, duas denúncias

A negociação na Argentina faria parte do chamado plano de desinvestimento da Petrobrás. O feirão da estatal tem o objetivo de arrecadar ao menos US$ 10 bilhões por meio da venda de parte de seu patrimônio no exterior – estão no balcão de liquidações desde equipamentos a subsidiárias. O dinheiro deve ser usado para explorar o pré-sal. Oficialmente, foram alcançados 20% da meta, estipulada até 2017.

Em março, ficou acertado que o Grupo Indalo, de López, pagaria US$ 900 milhões para virar sócio da Petrobrás na Pesa, com 33% das ações.

Confirmando-se o que foi publicado em Buenos Aires, o valor é bem inferior ao US$ 1,2 bilhão sonegado ao Fisco durante um ano por uma das empresas do grupo, a Oil Combustibles.

O pagamento desses impostos devidos por López ao governo Kirchner já foi acertado. Mas a quantia a ser paga não teria sido corrigida pela inflação.

Para Lopez, defende o Clarín, foi vantajoso – e ilegal – dar calote nos impostos num primeiro momento para, com o dinheiro economizado, comprar ativos da Pesa. Ou seja, caso financiasse a compra em algum banco, o empréstimo feito teria de ser devolvido não só com correção monetária, mas também sob altos juros.

A publicação fala que o negócio seria facilmente barrado na Justiça, fosse o Grupo Indalo inimigo do governo Kirchner – caso da Shell.  Em 2010, por exemplo, o então presidente Néstor Kirchner convocou boicote popular às bombas da multinacional anglo-holandesa.

Procurada pelo Radar Econômico, a assessoria de imprensa da Petrobrás disse que a empresa não comenta o assunto.

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