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‘The Economist’: Acre é pioneiro em desenvolvimento com bom uso da floresta

Desta vez, seringueiros têm chance de serem os protagonistas

Carla Miranda

30 de novembro de 2012 | 07h00

A revista The Economist publicou uma reportagem analisando o novo “boom” da borracha no Brasil e apontando o Acre como região pioneira na condução de um modelo de desenvolvimento que faz bom uso da floresta, cujo desmatamento foi “significativamente estancado”.

Ainda, o semanário observa que, diferentemente dos surtos anteriores da borracha, que não só agrediram o meio ambiente como fizeram uso intensivo de trabalho “quase escravo”, “desta vez os seringueiros estão tentando escrever o roteiro”.

Os governadores que administram o Acre desde 1999, observa a revista, “ajudaram extrativistas a formar cooperativas, diversificar a produção e buscar novos mercados”.

“Nós não precisamos desmatar mais a floresta. Mas não temos medo de aproveitar em favor do desenvolvimento as áreas que já foram devastadas”, disse à revista o governador do Acre, Tião Viana (PT).

A reportagem destaca o caso da fabricante de preservativos Natex, que compra sua matéria-prima de 700 famílias de seringueiros da região. A empresa paga um preço acima do mercado e ganha um subsídio do governo por proteger a floresta. Ainda, o governo federal compra toda a produção da companhia, de 100 milhões de preservativos por ano, para o programa de prevenção à Aids.

Outro caso citado é o das 32 famílias de seringueiros que usam uma técnica desenvolvida pela Universidade de Brasília para processa o látex. Com isso, elas conseguem estocar a matéria-prima e transportá-la com mais facilidade, o que lhes permite cobrar “um preço muito mais alto” pelo produto.

“Por mais de uma década a taxa de crescimento econômico do Acre tem sido maior do que a média brasileira. Suas escolas e serviços de saúde melhoraram, e a pobreza e o analfabetismo caíram, muito mais do que a média, também”, diz a revista. O desafio, agora, na opinião do semanário, está no fato de que “aumentar as políticas de desenvolvimento sustentável paternalista na região vai ser difícil, além de caro”.

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