Empresas de petróleo buscam profissionais qualificados nos EUA
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Empresas de petróleo buscam profissionais qualificados nos EUA

Salário digno, oportunidades e segurança no emprego ainda são as melhores formas de atrair jovens a dedicar anos de sua vida ao aprendizado das habilidades necessárias para exercer profissão

Economia & Negócios

06 Fevereiro 2015 | 18h09

Trabalhor em campo de petróleo do Texas: falta de mão de obra é desafio para empresas (AFP)

Campo de petróleo do Texas: falta de mão de obra é desafio para empresas (AFP)

Chris Tomlinson
HOUSTON CHRONICLE

Uma nova faceta da escassez de trabalhadores treinados foi revelada.

Depois de um ano ouvindo os empregadores se queixando do quanto é difícil encontrar mão de obra qualificada atualmente, um colapso nas negociações contratuais entre empresas de petróleo dos Estados Unidos e o sindicado dos metalúrgicos traz outra perspectiva para a razão que afasta os jovens dos bem remunerados empregos de manufatura nos setores de refinarias e petroquímica.

Como seria ter um chefe que exige horas extras todas as semanas para que a empresa possa evitar novas contratações? Ou ter diretores tentando cortar medidas de segurança e saúde criadas após a morte do seu colega em situação de trabalho? Ou, mais hipócrita, uma empresa que não quer pagar pelo período de treinamento dos aprendizes?

Chegamos então à redução definitiva, as empresas que insistem em terceirizar a maioria dos funcionários para não arcar com o custo das proteções mais básicas ao trabalhador.

Independentemente da validade das queixas do sindicato, será mesmo surpreendente que, observando de fora, os jovens não tenham interesse em carreiras trabalhando para tais empresas? Ou que os trabalhadores com a sensação de não terem suas queixas atendidas entrem em greve para lutar por melhores condições?

Quando uma startup de software exige jornadas de trabalho de 18 horas diárias, os fundadores oferecem em troca participação na empresa e conforto no ambiente de trabalho, e o pior risco do trabalho é desenvolver tendinite.

“Nossos maiores problemas são questões de segurança e condições de trabalho”, disse Marcos Velez, de 28 anos, operário de refinaria que participava do piquete em frente à sede da LyondellBasell, no centro. “Quantas pessoas se dispõem a entrar diariamente numa bomba? Ao passar por aquele portão, sabemos que existe o risco de não sair vivo.”

Não aos aprendizes. Velez disse que o sindicato pede às empresas que gastem com sistemas de segurança avançados, e o maior obstáculo às novas contratações seria a recusa de alguns empregadores de pagar pelos aprendizes.

“Tudo que estamos pedido vai custar às empresas alguma soma, mas acreditamos que se trate de um investimento lucrativo”, disse ele. “Achamos que a empresa hesita em trabalhar conosco num programa voltado para os aprendizes porque desejam operar com o menor número possível de funcionários.”

A administração deve ter preocupações válidas a respeito de um novo contrato sindicalizado, poderíamos supor, levando em consideração o recende declínio no preço do petróleo.

Bem, não estamos falando de empresas produtoras de petróleo. Essas companhias se situam mais abaixo na cadeia de produção, comprando petróleo e lucrando quando os preços caem.

A LyondellBasell teve um ano recorde em 2014, com renda de aproximadamente US$ 1,3 bilhão, ou US$ 2,48 por ação, excluindo uma desvalorização pontual do inventário. Empresas integradas do petróleo, como Exxon Mobil Corp., Royal Dutch Shell e Chevron Corp. tiveram lucros maiores com as operações petroquímicas e de refinaria, que amorteceram o impacto da queda do preço do petróleo em seu rendimento.

Não sabemos se a administração tem preocupações válidas em relação a um novo contrato além de maximizar o lucro dos acionistas, porque os negociadores não estão informando a imprensa. A Shell Oil está assumindo a liderança em contratos que cobrem mais de 230 refinarias, terminais de petróleo, oleodutos e instalações petroquímicas americanas. Dessas, 65 são refinarias que produzem cerca de 64% do petróleo do país.

Além das negociações nacionais, contratos para cobrir questões locais estão em negociação em locais individuais
O sindicado dos metalúrgicos está negociando em nome de 30 mil operários, sendo 5 mil na região de Houston. A greve está em andamento em nove locais, sendo cindo na região de Houston.

Necessidade de treinamento. A greve ocorre nove meses depois de a Greater Houston Partnership ter lançado uma campanha chamada UpSkill Houston para enfrentar a escassez de mão de obra qualificada, como soldadores, montadores de tubulação e operadores de maquinário.

“Temos que desenvolver uma base de empregados qualificados e devidamente treinados para as necessidades do ambiente de trabalho de amanhã ou enfrentar uma economia sem trabalhadores com a qualificação necessária, algo que sufocará o crescimento e a vitalidade de nossa região”, disse Bob Harvey, presidente e diretor executivo da organização, ao anunciar a iniciativa em 23 de junho.

A entidade solicitou a elaboração de um estudo indicando que a escassez decorre do fato de muitos pais e filhos terem dificuldade em enxergar as carreiras promissoras ligadas ao trabalho nas refinarias, terminais de petróleo, oleodutos e instalações petroquímicas. Se mais pessoas compreendessem as oportunidades oferecidas nas diferentes etapas do Houston Ship Channel, defendeu ele, mais jovens procurariam essas indústrias.

Muitas das empresas envolvidas nas negociações estão entre as principais doadoras à organização.
“Para as pessoas na casa dos 20 ou 30 anos, o problema não é desejar esses empregos, e sim a dificuldade de chegar a eles, e acreditamos que programas voltados para aprendizes sejam uma boa avenida de acesso”, disse Velez. “Se conseguirmos treinar jovens por meio de programas para aprendizes, teremos funcionários para a vida toda, algo que beneficia a empresa.”

Podem me chamar de antiquado, mas eis aqui algumas recomendações para encerrar a greve e solucionar a escassez de mão de obra:

1. contratar funcionários em número suficiente para que as horas extras não sejam obrigatórias;

2. criar um ambiente de trabalho seguro;

3. pagar um salário digno e oferecer oportunidades e segurança no emprego a ponto de levar um jovem a dedicar anos de sua vida ao aprendizado das habilidades necessárias.

Se as empresas não adotarem essas medidas, elas não devem se surpreender se os jovens não quiserem trabalhar para elas./Tradução de Augusto Calil

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