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‘Wall Street Journal’: Brasil ganha 1º round da guerra cambial

Jornal aponta que País desestimula a entrada de capital especulativo

Carla Miranda

23 de março de 2012 | 18h01

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“Placar: Brasil 1, investidores 0.” Com essas palavras se inicia uma reportagem no site do “Wall Street Journal” segundo a qual as medidas para conter a apreciação do real estão fazendo efeito no mercado.

Com o título “Brasil ganha o round 1 da guerra cambial”, o “Journal” explica que os ganhos que os investidores costumavam ter com uma das operações mais atrativas para estrangeiros no País foram solapados depois que o governo passou a adotar medidas contra a alta do real.

Investidores internacionais tomam empréstimos em moeda de países desenvolvidos, pagando juros baixos, trazem o dinheiro ao país e compram títulos públicos em reais, com um retorno atualmente de 9,75% ao ano. Nessa operação, ganha-se com a diferença dos juros e a variação do câmbio.

No último trimestre do ano passado, esse tipo de operação gerava ganhos de 5,2% aos investidores, segundo o “Journal”. Neste ano, no entanto, o ganho baixou para 2%. No México, a mesma  operação gera 7,9% atualmente.

Além das medidas cambiais (compra de dólares à vista e no mercado futuro pelo Banco Central e aumento do IOF pelo Ministério da Fazenda), a desaceleração maior que o esperado da economia brasileira também é apontada por analistas como um fator da redução da entrada de dólares no País.

Chuva de dinheiro

O fato de o governo ter levado  melhor no primeiro round não significa que tenha vencido a luta. Quando a Fazenda fecha uma porta, os investidores procuram outra entrada.

Ao baixar o juro básico, os títulos públicos atrelados à Selic ficam menos atraentes. Mas nem por isso os investidores estrangeiros deixam de comprar papéis brasileiros. A diferença é que, agora, eles aplicam em títulos atrelados à inflação. É que eles acreditam que a queda dos juros vai gerar aumento de preços no País.

Além disso, existe o capital longo prazo, devido às projeções de crescimento econômico do Brasil e aos dois grandes eventos esportivos que sediaremos, a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.

“Vai chover dinheiro no Brasil não importa o que se faça”, disse ao “Journal” um economista do Citigroup.

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