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Jornais estrangeiros veem intervenção do governo na Vale

Depois de se tornar queridinha de Wall Street, empresa terá que agradar governo

Carla Miranda

23 de maio de 2011 | 10h21

Atualizado às 11h51

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Murilo Ferreira, novo presidente da Vale (foto: Fabio Motta/AE)

Dois dos mais influentes jornais financeiros do mundo, o americano “The Wall Street Journal” e o britânico “Financial Times” publicaram nesta segunda-feira, 23, reportagens apontando o aumento da ligação entre a Vale e o governo.

O novo presidente da companhia, Murilo Ferreira, terá a “difícil tarefa de agradar ao mesmo tempo os investidores e os políticos brasileiros”, afirma o “Journal”. Sua entrada no comando da Vale “marca uma nova era para a mineradora”, avalia o diário americano.

O jornal britânico chama atenção para o fato de que “os American Depositary Receipts [papéis que representam ações da empresa brasileira, mas são negociados nos EUA] da Vale estão sendo negociados com 30% de desconto em comparação com os seus pares, em parte por causa das preocupações de que o governo não vai permitir que uma empresa com tal importância estratégica siga seus próprios caminhos”.

O “Financial Times” nota que a receita da Vale em 2010 foi maior do que o PIB [produto interno bruto] de alguns países, como a Bulgária. Sem a mineradora, o superávit de US$ 20,3 bilhões teria se transformado em um déficit.

‘Queridinha de Wall St.’

Agnelli saiu do cargo por não desempenhar, da forma como o governo esperava, o papel da empresa no desenvolvimento do País, uma das funções definidas quando a companhia foi criada, em 1942, lembra o “Journal”. Em vez disso, a Vale, sob Agnelli, se tornou, uma gigante global e uma “queridinha em Wall Street”, diz o diário americano.

O governo quer que a empresa se expanda para além da produção de matérias-primas e passe a atuar com bens de maior valor agregado, criando empregos dentro do País. “Agnelli moveu-se nessa direção, mas não tão rápido quanto o governo gostaria”, afirma o “WSJ”.

O bloco controlador da Vale inclui o governo e mais duas empresas privadas: o banco Bradesco e a japonesa Mitsui. As principais decisões da mineradora precisam ter o apoio de pelo menos dois desses acionistas.

A Vale é a segunda maior mineradora do mundo, com um valor de mercado na faixa dos US$ 160 bilhões, atrás apenas da BHP Billiton, com US$ 215 bilhões.

Leia os textos originais (em inglês):

‘Financial Times’: Vale deve manter o governo ao seu lado

‘Journal’: Uma nova era para a mineradora

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