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‘WSJ’: Brasil é um sinal das mudanças nos mercados

Países como o Brasil não estão mais enfrentando só entrada de capital

Nayara Fraga

05 de junho de 2013 | 15h14

Danielle Chaves

Para encontrar um sinal de como os mercados mudaram, olhe para o Brasil, diz um artigo publicado pelo Wall Street Journal. Em 2010, o Brasil estava tão nervoso com a força do real que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou que o mundo estava entrando em uma “guerra cambial”. Para conter os fluxos de entrada de capital especulativo, focado no curto prazo, e frear o avanço do real, o país impôs uma taxa sobre a entrada de capital estrangeiro no mercado de bônus. Posteriormente o real caiu cerca de 20%.

Agora, em junho de 2013, as moedas de mercados emergentes em todo o mundo vêm sendo prejudicadas pelo rali do dólar. Uma pequena fraqueza no câmbio é, no geral, considerada boa para as exportações, mas muita fraqueza é um risco para a entrada de investimentos e uma potencial fonte de inflação excessiva, pois aumenta os custos das importações.

Países como o Brasil não estão mais enfrentando fluxos de apenas uma mão (a de entrada). Mantega afirmou que as condições mudaram. Por isso o Brasil reduziu o imposto sobre operações financeiras (IOF) de 6% para 0%, apesar de manter a capacidade de retomá-lo se isso for necessário mais tarde. O Banco Central também elevou a taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 ponto porcentual na semana passada.

“O Brasil está tomando medidas para sustentar sua moeda. Na semana passada o Banco Central elevou os juros sem provocar muito impacto sobre o real, o que indica como diminuiu a confiança do investidor”, comentaram analistas do Morgan Stanley em nota a clientes. O Barclays, por sua vez, afirmou que isso vai pressionar o dólar para o patamar de R$ 2,05, de R$ 2,12 atualmente. Mas existe um “porém”.

“Porém, também somos da opinião de que zerar o imposto elimina uma importante barreira que evitou que investidores estrangeiros liquidassem as posições em juros locais. A eliminação dessa barreira deverá, de fato, aumentar a volatilidade do dólar-real, especialmente em momentos de estresse nos mercados de capital globais. Embora a decisão de cortar o IOF ajude a atrair fluxos estrangeiros, também vai exigir mais intervenção do Banco Central no câmbio para reduzir a volatilidade”, acrescentaram os analistas do Barclays.

“Aqueles que esperam que a mudança prenuncie um prolongado mercado altista devem ser cautelosos”, prossegue o Barclays. “As condições de liquidez mudaram dramaticamente desde que o IOF foi introduzido e nós acreditamos que o início da discussão do Federal Reserve sobre quando abandonar o relaxamento quantitativo embaralhou as perspectivas para os emergentes.” Com certeza o potencial problema é que eliminar o imposto não apenas facilita a compra de bônus brasileiros, como facilita a venda deles também.

Segundo um operador do Citigroup, a reação imediata no câmbio é uma alta do real. “Mas o que acontecerá depois disso é bem menos claro”, disse. “Apesar de ser positivo para o real e indicar que o Ministério da Fazenda está mais feliz em dar suporte aos fluxos de entrada de capital, isso pode, na verdade, facilitar a saída dos detentores de bônus, assim como a entrada”, completou.

Os primeiros movimentos do mercado foram claros e em linha com essa visão. Os preços dos bônus brasileiros subiram e o real avançou. Mas a reação não foi tão dramática e isso reflete o persistente nervosismo com a possibilidade de nem a eliminação do imposto nem a elevação da Selic serem suficientes para proteger a moeda brasileira da fraqueza de longo prazo provocada pelas expectativas de encerramento do programa de compras de bônus do Fed, o banco central dos EUA. Fonte: Dow Jones Newswires.