Mercado de usados oscila e teme regras do crédito
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Mercado de usados oscila e teme regras do crédito

Segundo Creci, vendas desses imóveis têm crescido, mas resultado em 2015 é incógnita

EDILAINE FELIX

03 Maio 2015 | 10h20

FR20 SÃO PAULO SP - 28/07/2014 - ECONOMIA - PLACAS -  Fotos de placas de imóveis para vende e alugar, no bairro de Higienópolis. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

O mercado de venda e locação de imóveis usados parece estar mantendo, neste início de ano, o padrão registrado ao longo do ano passado. Mas as mudanças nas regras de financiamento imobiliário feitas pela Caixa Econômica Federal trazem preocupação ao setor. “Mesmo que em menor ritmo, o mercado de usados está crescente desde 2014”, afirma o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CreciSP), José Augusto Viana Neto, referindo-se ao quadro antes da alteração.

Embora em 2014 o setor tenha apresentado grandes oscilações mensais, as vendas de usados fecharam o ano em alta de 41,11% e as locações em declínio de 11,05%, segundo o Creci. Em fevereiro de 2015, as vendas de usados subiram 2,77% e as locações aumentaram 16,24% em relação a janeiro deste ano, de acordo com dados da entidade.
Em janeiro último, porém, as vendas caíram 10,24% e as locações subiram 45,31%, em relação a dezembro de 2014. Já em janeiro e fevereiro de 2014, vendas haviam avançado 9,4% e 27,66%, respectivamente, e as locações haviam crescido 28,48% e 4,73%. Ainda assim, apesar da queda em janeiro, o mercado estaria repetindo o padrão de variação.

No entanto, diante das oscilações do mercado, Viana Neto não arrisca perspectivas para 2015, principalmente depois de a Caixa ter derrubado de 80% para 50% o limite de crédito para quem quiser comprar imóvel usado por meio do Sistema Financeiro da Habitação (SFH); e de 70% para 40% para os enquadrados no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI).

“A restrição traz a preocupação, pois o tíquete médio (de financiamentos), que é de 62%, deve cair para a faixa de 50%”, diz.

O presidente da imobiliária Coelho da Fonseca, Álvaro Coelho da Fonseca, tem opinião semelhante a de Viana Neto. “O volume de vendas não está igual ao ano passado, está mais baixo, mas não está ruim”, diz.

Fonseca, no entanto, também não arrisca previsões. Para ele, embora o ano tenha começado pior que 2014 (para vendas e locações de novos e usados), os lançamentos estão voltados para os clientes de alta renda. “Não dá para mirar a classe média. É difícil assumir um compromisso em um momento de turbulência.”

Segundo ele, o segmento de alta renda é o que menos sofre. “O cliente de alta renda pode comprar um escritório médio para fazer o family office, ele compra imóveis para investimento”, diz Fonseca.

Na imobiliária Carneiro Gurgel, o ano começou aquecido, para venda de imóveis pequenos avaliados em até R$ 500 mil. “O final de 2014 não estava muito bom, mas melhorou a partir de janeiro. Os valores estão caindo e a negociação está mais fácil”, diz o gerente comercial, Lucas Fiorini Gurgel do Amaral.

As regiões com melhor localização continuam no topo da lista dos imóveis mais procurados na imobiliária. “Quanto mais próximo a linha do metrô, mais fácil de negociar”, diz Amaral. No entanto, ele acredita que as vendas caiam com as novas regras de financiamento da Caixa.

Negociação. A assistente administrativa Daniela Pires Freid, de 32 anos, comprou um apartamento na zona leste da capital em fevereiro deste ano, depois de uma procura de cerca de oito meses. “Queria um imóvel na Mooca, mesmo bairro que eu já morava. Também precisava estar dentro do nosso orçamento e ter dois dormitórios”, diz.

Daniela encontrou o imóvel, “do jeito que queria”, mas um pouco acima do orçamento. Ela foi negociando com o proprietário e fechou negócio. Pagou 30% do valor a vista e financiou 70%, um total de R$ 350 mil.

Ela cogitou vender o apartamento que morava para financiar o menor valor possível do atual, mas ao conseguir a carta de crédito de R$ 350 mil foi possível manter os dois imóveis.

“Se fosse comprar agora seria mais difícil, já que a Caixa baixou para 50% o financiamento de usados. Certamente precisaríamos de mais tempo para ter o valor da entrada ”, diz.

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