A alternativa dos loteamentos fechados

A alternativa dos loteamentos fechados

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28 de novembro de 2015 | 16h22

FOTO: DIVULGAÇÃO / ALPHAVILLE

Loteamento Alphaville/Curitiba. Foto: Divulgação / Alphaville

Por Mauro Pincherle*

No início da década de 1970, quando a TV em cores era uma novidade e o telefone era aquele aparelho fixo debaixo da escada, um empresário imaginou retomar um modo de vida que tinha sido perdido em São Paulo. Ele imaginou um loteamento, que seria fechado para enfrentar o crescente problema de segurança pública, e onde as residências não teriam muros nem portões em sua parte frontal, com os jardins das casas integrados com o espaço público das calçadas, locais onde as crianças poderiam brincar livremente, andar de bicicleta, praticar esportes em áreas de lazer especificamente projetadas para esse fim. Não foram poucos que à época o criticaram. Diziam que não daria certo o empreendimento, pois o paulistano não abriria mão de ter seu muro e seu portão!

Esse empresário a quem estou me referindo é o grande engenheiro Yojiro Takaoka, um dos fundadores da Construtora Albuquerque Takaoka, que se especializou na implantação desse tipo de loteamento residencial na Região Metropolitana de São Paulo: os Alphavilles!

Outra inovação foi o salto transurbano, definido por outro grande pensador do mercado imobiliário em São Paulo, o professor Benedicto Ferri de Barros, como a escolha de a pessoa morar em locais um pouco afastados da cidade, com melhor qualidade de vida, mas mantendo o trabalho na metrópole.

Isso vingou de tal forma que vimos milhares de empreendimento se espalhando, inicialmente pela Região Metropolitana de São Paulo, depois em outras capitais, chegando às grandes, médias e até as pequenas cidades de todo o interior deste Brasilzão! No entanto, o modelo foi apresentando seus problemas, principalmente pela falta de infraestrutura de transporte sobre trilhos que grassa em todas as grandes cidades de nosso País. Não existem rodovias sem grandes congestionamentos na chegada e na saída das grandes cidades, principalmente aqui, em São Paulo.

Em alguns municípios, o modelo de loteamento com controle de acesso foi duramente contestado. Muitas vezes, o Ministério Público agiu, querendo acabar com o conceito que não foi previsto na legislação federal, sempre defasada e com grandes dificuldades para se ajustar às necessidades da sociedade. Isso causou grandes problemas para muitos empresários que, apesar de realizar todas as aprovações, foram duramente atingidos por ações civis públicas, as quais, em sua maioria, definitivamente arquivadas por sentenças judiciais de segunda e terceira instâncias.

Hoje, em São Paulo, estamos falando de fachadas ativas, na ausência de muros, na exclusão dos automóveis das ruas, na limitação das vagas de garagem nos prédios etc. Sem querer ir contra essas tendências mundiais, verdadeiramente reconhecidas pelos empresários brasileiros, quero apenas apresentar algumas observações para reflexão.

  • A deficiência de meios de transporte de massa de qualidade não foi suprida e, 43 anos após a inauguração de sua primeira linha, São Paulo continua com 78 km de rede metroviária!
  • A (in) segurança pública, apesar de o Estado de São Paulo ser considerado modelo de boa atuação da inteligência policial dentro do Brasil, continua a atemorizar os cidadãos.
  • O gasto em segurança privada é colossal em qualquer área de atividades no nosso tão combalido Brasil – residencial, comercial ou industrial!
  • No momento em que começamos a enfrentar, novamente, a insuficiência de recursos financeiros para o crédito imobiliário, historicamente os loteamentos sempre foram alternativa de negócio para compradores e investidores.

Assim, para concluir, a sociedade continua buscando locais onde as crianças possam brincar em segurança, onde o lazer seja privilegiado e a tranquilidade seja garantida, aspectos que representam melhor qualidade de vida!

Nesse sentido, até onde a vista pode enxergar, ainda que com os problemas relatados, o modelo de loteamento com controle de acesso continuará sendo uma boa alternativa para empreendedores e compradores, nos mais diversos tamanhos de cidade, seja para lazer ou moradia, e atingindo as mais diferentes classes sociais!

* Diretor do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP)

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