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A busca pelo aluguel que cabe no bolso

Mesmo caindo consecutivamente, preços ainda são altos e forçam mudança de bairro

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21 de agosto de 2016 | 07h35

Aline Chagas Martins queria alugar apartamento na Mooca, mas optou pela Vila Prudente porque tem precos melhores

Aline queria alugar imóvel na Mooca, mas optou pela Vila Prudente

Márcia Rodrigues
ESPECIAL PARA O ESTADO
O preço dos alugueis residenciais na cidade de São Paulo continua caindo. Registrou queda de 1,3% no mês de julho, em relação ao mês anterior, e de 2,2% no acumulado dos últimos 12 meses, de acordo com pesquisa divulgada nesta semana pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP). Outro estudo, o índice Fipezap de imóveis anunciados, registra uma retração menor, de 0,67%, na passagem de junho para julho, e maior, no acumulado dos últimos 12 meses, chegando a – 5,23%.
Mesmo com a constante queda, os valores seguem altos e, em tempos de crise, leva inquilinos a optar por mudar de região ou a alugar um imóvel em um bairro próximo ao do seu sonho, para reduzir os gastos.
É o caso da estilista Aline Chagas Martins, de 26 anos, que queria alugar um apartamento na Mooca, mas desistiu por causa do preço. Ela diz que os valores no bairro desejado ficavam entre R$ 3,5 mil e R$ 4 mil. Na vizinha Vila Prudente, ela conseguiu um imóvel por R$ 2 mil.
“Eu queria alugar na Mooca para ficar perto da minha loja, na Rua Paes de Barros, e facilitar a logística do meu dia a dia, que é muito corrido. Por fim, com a troca de bairro, agora, nós moramos perto da escola e do estúdio de balé das minhas filhas, o que facilitou muito mais a nossa vida.”
Resistência.. Aline afirma que, no início, tinha resistência a morar nos bairros do entorno. Antes de mudar para a Vila Prudente, ela residia em uma casa na Mooca, mais afastada do trabalho, e queria alugar um apartamento mais próximo. O motivo da mudança era a segurança da família.
“Eu nunca havia cogitado sair do bairro, foi a insistência da corretora de imóveis, que achou um apartamento com o perfil que eu havia pedido na Vila Prudente, que me fez mudar de ideia. Ela me mandou fotos e me convenceu a visitá-lo. Foi paixão à primeira vista.”
A designer de estampas Melissa Luchini, 38, morava em um apartamento de um quarto na Alameda Itu, no Jardim Paulista, região central, com o marido. Quando engravidou, o casal começou a procurar um imóvel com dois dormitórios no mesmo bairro, mas desistiu por causa do preço. Na época eles pagavam R$ 1.600 e o valor da locação de dois quartos na região girava em torno de R$ 3 mil.
A opção foi mudar de bairro. O escolhido foi a Vila Guarani, na zona sul, em uma rua próxima ao metrô. “Nós sempre usamos muito o metrô. Por isso consideramos que, mesmo saindo de uma área mais central, se morássemos perto de uma estação, a mudança não seria traumática.”

Melissa Luchini, morava na alameda Itu e mudou para imóvel maior na Vila Guarani com mais infraestrutura

Melissa morava na Alameda Itu e mudou para imóvel maior na Vila Guarani

Luchini diz que o casal conseguiu um apartamento maior, com comodidades que não tinham no empreendimento anterior, como playground, por exemplo, pelo mesmo valor que pagavam no imóvel menor. “Além disso, o bairro é mais residencial, melhor para uma criança viver.”
A jornalista Juliana Rios sempre morou na região central da cidade. Quando o marido ficou desempregado, eles decidiram mudar para o Jaçanã, na zona norte, onde morava a família dele.
No centro eles pagavam R$ 2.300 de aluguel. No novo bairro o valor caiu para R$ 1.250. “Aproveitamos que eu estava grávida do nosso segundo filho para reduzirmos nosso custo fixo e mudarmos para um bairro mais residencial.”
Rios também afirma que, apesar de ainda sentir diferença em viver em uma região mais afastada, viu outras vantagens na troca. “Eu pagava R$ 1.200 de escolinha para minha filha estudar em período integral. Hoje, pago R$ 800 para os dois ficarem meio período. Realmente as coisas são muito mais baratas quando se sai do centro.”
Crise. Segundo Roseli Hernandes, diretora de Locação da Lello Imóveis, a procura por oportunidade no entorno de bairros desejados acentuou durante a crise. “As pessoas começaram a perceber que era possível desfrutar da infraestrutura da região pagando menos.”
Hernandes afirma, no entanto, que a estratégia não é uma regra. “Há aqueles que não desistem do bairro e procuram até encontrar uma oportunidade que caiba no seu bolso.”

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