A zona norte que cabe em todos os gostos

A zona norte que cabe em todos os gostos

Região da capital paulista atrai pelos bairros com características de município do interior, mas com infraestrutura de cidade grande

Claudio Marques

14 de julho de 2014 | 15h15

A publicitária Aline Frutuoso Amorim, de 35 anos, sempre morou na zona norte de São Paulo. Já residiu nos bairros Vila Guilherme, Vila Maria e agora está em um condomínio de casas no bairro do Tremembé.

“Quando decidi mudar, eu queria uma casa em um bairro da zona norte que fosse mais residencial do que comercial. Queria a independência de uma casa e segurança de um condomínio.” Ela conta que, ao começar a procurar um imóvel com essas características, encontrou algumas opções, mas com preços bem altos, de até R$ 2 milhões.

Começou, então, a refinar a busca e chegou a casas em condomínios fechados. “Assim, conseguiria aliar segurança e independência”, lembra. E encontrou uma casa de 130 metros quadrados, em um bairro tranquilo, o Tremembé, com muita área verde.

“O meu intuito era ter segurança em uma casa com um custo que coubesse dentro do nosso orçamento. Encontrei tudo isso em um lugar arborizado e de clima muito agradável”, diz.

Aline, com o marido, Gilberto, e as filhas Beatriz e Bárbara (Foto: Felipe Rau/Estadão)

Além da tranquilidade e da segurança, a proximidade com a serra da Cantareira, deixa o bairro é “mais geladinho”, com temperatura média até cinco graus abaixo de outros distritos. “Ainda tenho a possibilidade de ver macaquinhos nos fios e minhas filhas (que estudam no mesmo bairro) costumam ver tucano na escola.”

A publicitária aproveita não apenas o bairro onde mora, mas usufrui de toda a infraestrutura da zona norte, dos shoppings, parques, clubes e serviços locais. Ela afirma que há valorização da região e acredita que isso ocorra em razão da característica residencial com toda facilidade comercial.

De acordo com Aline, assim como imóveis, produtos e serviços naquela área estão mais caros e o trânsito, mais intenso. No entanto, reconhece que seu imóvel também está mais valorizado e afirma: “Não troco a zona norte por nenhuma outra da cidade”.

A diretora de incorporação da You,Inc, Alessandra Calefo, acredita que além da infraestrutura local, os moradores da zona norte apreciam o clima acolhedor de cidade pequena que alguns bairros oferecem. “É região já consolidada que atende diferentes públicos”, diz.

Prospecção. A incorporadora tem empreendimentos nos bairros Santana, Tucuruvi, Casa Verde e Vila Maria, e segundo Alessandra, a companhia tem interesse e está atenta as diversas oportunidades que surgem na zona note da capital.

“O maior objetivo (de quem busca imóvel na região) é morar, mas também há procura para investimento. Por isso, continuamos prospectando, buscando terrenos na região”, diz.

De acordo com a diretora da You, Inc, a Vila Maria é um exemplo de bairro com muita infraestrutura local – comércio, serviços, transporte – com muitas casas e verde. Na opinião de Alessandra, esse quadro é um diferencial da região e ajuda na comercialização.

O estudo realizado pela consultoria de imóveis Lopes, intitulada “Painel de Mercado”, de abril de 2014, mostra que nos últimos três anos a zona norte recebeu 118 empreendimentos, somando um valor geral de vendas (VGV) de R$ 5,3 bilhões. Foram 182 torres e 12.572 apartamentos, sendo que 34 (29%) estão vendidos e 84 deles (71%) em comercialização.

Para a diretora geral de atendimento da Lopes, Mirella Parpinelle, os bairros da zona norte têm uma característica parecida, público mais conservador, que gosta de morar na região. “Eles se movimentam, mudam, mas dentro da zona norte”, diz.

Preferidos. De acordo com o estudo, bairros como Santana, Casa Verde, Vila Guilherme e Vila Maria são os mais desejados pelos compradores, tendo cada um 27%, 39%, 24% e 25% de preferência, respectivamente. O valor médio do m² é de R$ 7.310.
“Bairros como a Vila Maria e a Vila Guilherme ainda têm terrenos grandes para empreendimentos no estilo condomínio-clube”, diz

Mirella, que destaca a variedade e infraestrutura dos bairros: “A região está pronta para receber todos os tipos de imóveis”, acredita.
A zona norte recebeu, segundo o Painel de Mercado da Lopes, 13 empreendimentos no segmento popular (11%), 48 econômico (41%), 37 médio padrão (31%), 14 alto padrão (12%) e seis de altíssimo padrão (5%).

Peculiaridades. “Há imóveis para todos os públicos, desde os condomínios-clube, com perfil mais familiar, até unidades de 20 metros quadrados, como o lançado na Avenida Voluntários da Pátria, em Santana”, destaca.

Cada região tem suas características e particularidades. Na opinião do vice-presidente da Abyara Brokers, Bruno Vivanco, a zona norte tem alguns indicadores se comparada com outras áreas da cidade, como a zona central ou sul, por exemplo, é uma região pouco fabril e com menor número de emprego.

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“Contudo, tem linha de metrô (Linha 1 – Azul) que corta grande parte da região e tem a nova linha do metro (Linha 6 – Laranja) que provavelmente levará mais desenvolvimento para a extensão norte da cidade.”

Segundo o vice-presidente da Abyara Brokers, a região já tem uma demanda interna e com o Novo Plano Diretor e o adensamento das regiões ao longo das novas linhas do metrô, o mercado certamente passará a olhar a zona norte com mais interesse.

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