Abandono da manutenção pode prejudicar seguro
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Abandono da manutenção pode prejudicar seguro

Imóveis devem, segundo executivo, manter o condomínio nas condições em que foi aprovado pela seguradora

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15 Maio 2018 | 07h30

Matheus Riga, especial para O Estado

Abandono da manutenção pode prejudicar seguro

Para seguradora, não adianta ‘dar um tapa’ antes da avaliação. Foto: Freepik.

Depois de conquistar o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), que tem validade de três anos, muitos síndicos deixam de fazer manutenções periódicas, se distanciando do cenário pelo qual os especialistas da corporação aprovaram. O cenário se repete depois de terem se submetido à avaliação de seguradoras.

Essa realidade, de acordo com o diretor da corretora de seguros patrimoniais Tailor Insurance, Antoine Maleh, é mais do que comum no mundo da prevenção de sinistros. “O pessoal sempre dá um ‘tapa’ no visual do edifício antes das vistorias”, afirma.

Na maioria da vezes, a situação é feita com total consciência do gestor do prédio. “Ele sabe que está omitindo a informação, que está fazendo fraude”, diz Maleh. A maior preocupação dos síndicos, segundo o executivo, é passar pelo crivo da vistoria e garantir que ninguém perca os seus bens.

Insegurança. O problema de não manter o edifício com as condições nas quais foi aprovado pela seguradora é torná-lo inseguro para os seus moradores. “Se for constatada qualquer alteração do dia da inspeção, o seguro não cobre um eventual sinistro”, afirma Maleh.

Neste caso, para evitar que fique a palavra da seguradora contra a do responsável pelo imóvel, a vistoria faz um relatório com fotografias e detalhamento das condições encontradas no local.

Outra medida que as seguradora fazem para prevenção de fraudes é aumentar o número de vistorias. Além do dia oficial, em que é feito o relatório, são realizadas outras duas visitas: uma antes, em que o condomínio não é avisado; e uma depois, dois meses após a expedição da apólice.

Procedimento. A avaliação do condomínio, conta Maleh, é “muito criteriosa”. “Somos bem chatos na vistoria e tem de ser assim”, afirma. “Não quero levar clientes ruins para as seguradoras.” O objetivo desse exame, segundo ele, é detectar possíveis riscos do prédio sob exame para, depois, definir se compensa conceder apólice.

O procedimento de análise de um condomínio é detalhado. Segundo Maleh, a praxe é avaliar desde os equipamentos contra incêndio até a parte elétrica e estrutural. No entanto, outros itens podem compor a lista. “Depende muito do tipo de imóvel também, se é comercial, industrial ou residencial.”

Quem realiza as inspeções para as seguradoras é o departamento de engenharia da própria Tailor Insurance. “Usamos essa equipe para avaliar e mitigar os riscos do imóvel”, afirma.

Cobertura. Caso o imóvel seja aprovado, a apólice cobre o próprio edifício, danos elétricos e troca de elevadores. “Cada seguradora cria seus próprios produtos”, afirma Maleh. “Alguns com algumas perfumarias, outros não.”

Ele também ressalta que há a possibilidade de oferecer produtos personalizados. “É possível incluir especificações e criar uma apólice apenas para o seu condomínio”, afirma.

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