Alta do dólar no ano não reduz procura de imóveis nos EUA

Alta do dólar no ano não reduz procura de imóveis nos EUA

Claudio Marques

22 de julho de 2013 | 19h30


Miami. Cidade da Flórida concentra a maior parte dos imóveis estrangeiros ofertados para venda no Brasil (Imagem: Divulgação)

 FELIPE CORDEIRO E IDIANA TOMAZELLI
 ESPECIAL PARA O ESTADO

A valorização do dólar, cotado a R$ 2,23 na segunda-feira (22/7) e com avanço superior a 10% no ano, não desanimou os consumidores dispostos a investir no mercado imobiliário no exterior, pelo contrário. Em Miami – maior polo além-fronteiras de unidades ofertadas ao nosso mercado, 12% dos negócios firmados com estrangeiros em 2012 envolveram brasileiros, que seguem com interesse em alta, segundo a Associação de Corretores de Miami (MAR, em inglês).

“A alta do dólar não impactou a ponto de fazer da aplicação um mau negócio”, diz o professor Alessandro Francisco, da pós-graduação em Negócios Imobiliários da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). “O mercado está em expansão, até o limite de ajustes de renda e preços nos imóveis nos EUA.” Por aqui, sites de ofertas já pensam em abrir uma página para que consumidores busquem imóveis no exterior. O Imovelweb, por exemplo, deve lançar a sua até o fim do mês.

A apreciação da moeda norte-americana também poderia ser relativizada, na medida em que o fortalecimento do dólar levou mais pessoas a buscar ativos nessa moeda. Além disso, muitos compradores já têm reservas em dólar: “Para quem tem condições de investir em outra moeda, faz sentido comprar imóveis no exterior”, diz o professor de Finanças da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) Mário Amigo.

Os preços das unidades nos EUA, segundo analistas, seguem baixos se comparados ao mercado nacional, refletindo ainda o estouro da bolha de 2008. Eles estimam que a desvalorização desde a crise chegue a 40%, além de não haver sinais de forte apreciação das propriedades no curto prazo.

Perfil. Em Miami, há regiões em que o metro quadrado custa entre US$ 300 e US$ 500 para imóveis padrão, e entre US$ 500 e US$ 1 mil para bens de luxo, segundo a MAR. Nas corretoras locais, o valor médio do metro quadrado é de US$ 2 mil.

De acordo com o presidente da entidade e coordenador regional para América do Sul da Associação Nacional de Corretores dos EUA, Francisco Angulo, o brasileiro que busca esses imóveis tem entre 40 e 50 anos e vê no negócio a chance de diversificar investimentos, aplicando em uma moeda mais segura (veja mais detalhes nos gráficos). O retorno esperado para aqueles que compram pensando em locar é de 5% a 8% anuais, segundo corretores. Além disso, há quem aposte na valorização do imóvel no longo prazo.

O número de compras financiadas na região apresenta uma trajetória ascendente uma de 15% em 2011 para 19% no ano passado. Por lá, as taxas de juros são mais baixas (entre 4,5% e 5%), e o dinheiro dos brasileiros tem sido cada vez mais visado pelos bancos, afirma o corretor Alan Araújo, da Sotheby’s International Realty, corretora especializada.

Em 2009, um apartamento de 75 metros quadrados na área residencial de Coconut Road passou a ser o endereço do empresário João Patrick em suas viagens a Miami. Motivado pela alta dos imóveis no Brasil, ele aproveitou a desvalorização nos Estados Unidos para aplicar US$ 185 mil em uma propriedade “foreclosure” – o antigo dono deixou de pagar o financiamento e perdeu o direito sobre o bem. Hoje, ele avalia o apartamento em US$ 300 mil.

Quando está no Brasil, Patrick aluga o imóvel para terceiros e recebe cerca de US$ 2,9 mil por mês. “Ele fica alugado boa parte do ano. O retorno que tenho é muito bom”, diz. Hoje, o empresário já pensa em adquirir o segundo imóvel em Miami, desta vez para uso comercial.

Os imóveis comerciais têm surgido como uma boa oportunidade de negócio em Miami, com taxas de retorno entre 6% e 10% ao ano. Há três modalidades, de acordo com o diretor comercial da corretora Elite International Realty, Alex Wolak.

Uma delas é o Triple Net, propriedades prontas destinadas à locação para grandes redes varejistas norte-americanas. A vantagem desse investimento é que o contrato de aluguel, renovável, tem duração de 20 anos e garante que o proprietário receberá o valor integral ainda que o locatário saia antes do prazo.

Além disso, responsabilidades como seguro predial, impostos e reparos na estrutura são exclusivamente do inquilino. O valor do metro quadrado desses estabelecimentos vai de US$ 3 mil a US$ 10 mil. Em Orlando, há Triple Nets a US$ 5,6 mil por metro quadrado, com taxa de retorno de 6,5% ao ano.

Para investidores menores, há a opção de empreendimentos “multifamily”, edificações com um número reduzido de apartamentos. A pessoa se torna proprietária do prédio e fatura todos os aluguéis, investindo a partir de US$ 400 mil. Em Tampa, na Flórida, é possível encontrar propriedades a US$ 2,2 mil por m², com retorno de 7,5% ao ano. Outra opção são os galpões comerciais, cujo valor de compra é a partir de US$ 120 mil. Em Miami Lakes, por exemplo, o retorno é de 8% ao ano.

Aquisição. A orientação de uma corretora local em negócios no exterior é importante, pois cada localidade tem um procedimento de venda. “Nos EUA, o comprador solicita a reserva do imóvel e, se a proposta é aceita, é feito um agendamento num cartório, onde tudo é pago”, explica o diretor de comercialização e marketing do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Antonio Conde. “No Brasil, é dado um sinal para o corretor.”

Especialistas recomendam também a avaliação da demanda de aluguéis na região pretendida e os custos do imóvel. Em Miami, por exemplo, quem paga o condomínio e os impostos é o proprietário, não o inquilino. Além disso, é preciso declarar o bem e os rendimentos à Receita Federal.

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