Aluguel em São Paulo dá sinais de retomada após estagnação
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Aluguel em São Paulo dá sinais de retomada após estagnação

Ainda que timidamente, setor é impulsionado por movimentos da economia e indica novas tendências de morar

Júlia Zillig

21 de abril de 2019 | 06h00

ESPECIAL PARA O ESTADO 

Após um longo período de estagnação, o mercado de aluguel volta a registrar leves sinais de crescimento em 2019, seguindo a esteira dos movimentos de retomada econômica do País. De acordo com dados do Index SP, levantamento mensal do Imovelweb, o preço médio do aluguel na capital paulista está em alta.

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Em março, o valor mensal médio da locação de um apartamento de 65 m² foi de R$ 1.781, uma alta de 0,8% no mês. No acumulado deste ano, segundo o estudo, o aumento foi de 2,1%, semelhante ao IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) mensal, que atingiu 1,26% em março, e acima da inflação, recuperando parte do que foi perdido nos últimos 12 meses.

“Quando a economia mostra indício de volta aos trilhos, isso reflete em um fluxo positivo para o mercado de aluguel. Porém, o caminho ainda é longo para um crescimento virtuoso”, ressalta Leonardo Paz, CEO do Imovelweb, plataforma de anúncios de compra e venda com 3,8 milhões de imóveis.

Ilustração: Farrell

No segmento residencial, a variação acumulada do IGP-M, indicador que corrige grande parte dos contratos de locação, foi de 8,27%, porém, muita gente tem buscado alternativas de correção. “Locador e locatário estão conversando mais quando chega a hora de renovar o contrato ou acertar novo acordo de locação para que o valor fique adequado para ambas as partes. Muitas vezes, o valor aplicado acaba sendo o praticado pelo mercado, e não baseado no índice”, diz Jaques Bushatsky, diretor de legislação do inquilinato do Secovi-SP.

O locatário Marcello José Ferreira de Amorim mora há nove anos no mesmo imóvel no bairro da Mooca e já renovou o contrato de locação pela terceira vez. Segundo ele, durante quase uma década o valor foi de R$ 1.500 para R$ 2.300. “Os reajustes sempre foram dentro do valor praticado pelos índices do mercado. E, qualquer divergência, tenho canal aberto com a administradora do imóvel para buscar o melhor caminho”.

Para Roseli Hernandes, diretora de locação da Lello, as incertezas econômicas têm feito muita gente migrar para a locação de imóveis mais baratos e menores. “Os consumidores estão buscando economizar mais com moradia e, por isso, as negociações são constantes na hora de fechar o contrato.”

Rodrigo Bicalho, sócio do escritório Bicalho e Mollica Advogados, ressalta que, junto ao próprio valor do aluguel há também o reajuste elevado das taxas de condomínio e IPTU, cujos pagamentos fazem parte das obrigações do locatário. “O repasse de valor do aluguel tem que ser cauteloso, pois a economia ainda não decolou. A retomada vai ser a passos lentos ao longo do ano.”

As fintechs serão a bola da vez para trazer inovação e soluções para facilitar ainda mais o aluguel, segundo CEO do Imovelweb

De acordo com o levantamento do Imovelweb, 80% dos bairros registram preço médio de locação entre R$ 1.360 e R$ 3.360 por mês. O CEO da empresa aponta que bairros que integram a Grande Pinheiros (Jardim Europa, Vila Madalena, Sumarezinho, entre outros) obtiveram alta de 17,5% no aluguel residencial no ano de 2018.

Já na região que compreende a Vila Mariana, Chácara Klabin e Vila Clementino, esse índice atingiu mais de 20%. “Foi mais do que o dobro do valor do IGP-M. São zonas seguras e de mobilidade”, ressalta Pena.

Nessas regiões mais centralizadas, há grande oferta de empreendimentos residenciais com metragens reduzidas, beneficiadas pela mobilidade. Bicalho afirma que isso será motivo para elevar a oferta de imóveis para locação e venda, ajudando a regular o comportamento do mercado de aluguel.

“Muita gente está abrindo mão de comprar um imóvel e investindo no aluguel porque quer morar perto do trabalho, não quer ficar horas preso no trânsito e quer ter qualidade de vida, mesmo que isso implique em morar em um local menor”, afirma o CEO da Imovelweb.

Próximos passos

Para José Roberto Graiche, presidente da administradora Graiche, ainda não há motivos para comemorar. “Não podemos dizer que o mercado de aluguel está tendo uma grande reação.”

Já Roseli Hernandes, da Lello, acredita que a forte retomada deve vir dependendo dos rumos da política econômica. “Isso vai ajudar as pessoas a se arriscarem mais na busca por seus sonhos.”

As fintechs, startups focadas em serviços financeiros, serão a bola da vez para trazer inovação e soluções para facilitar ainda mais o aluguel, na visão de Leonardo Paz, do Imovelweb. “Já existem muitas iniciativas ganhando mercado. É uma questão de tempo para que elas se tornem uma regra”, conclui.

Mercado carioca segue em recessão

No Rio, o mercado segue em recessão desde a Copa de 2014. De acordo com Gustavo Vianna, gerente comercial da CIPA, administradora imobiliária carioca, em março de 2012 o m² valia R$ 38,10. Em agosto de 2014, por conta da Copa, atingiu R$ 45,90. Em abril deste ano, caiu para R$ 29,92.

O ALUGUEL EM SÃO PAULO

Bairros mais valorizados (valor do m²):
Vila Olímpia: R$ 4.794
Itaim Bibi: R$ 4.666
Vila Nova Conceição: R$ 4.570

Bairros menos valorizados (valor do m²):
Vila Maria Alta: R$ 1.203
Vila Anglo Brasileira: R$ 1.163
Parque São Jorge: R$ 1.160