Apartamento-protótipo é realidade na indústria da construção

Apartamento-protótipo é realidade na indústria da construção

Medida é adotada no início da obra para corrigir eventuais erros no processo construtivo detectados durante testes feitos no local

EDILAINE FELIX

30 de agosto de 2015 | 08h05

APARTAMENTOS PROTOTIPOS_1

Chamado de protótipo ou modelo, o apartamento-teste é cada vez mais uma realidade na indústria da construção. Antes de concluir a obra, as empresas preparam uma unidade e testam todas as suas instalações – elétrica, hidráulica, sanitária –, acabamento, alturas e espaçamentos. O objetivo é detectar e corrigir eventuais erros que possam vir a interferir no dia a dia do futuro morador.

“A indústria automobilística sempre fez um carro-teste e a indústria da construção não se preocupava com isso. Existem empreendimentos com 100 unidades iguais e quando fazemos um protótipo, conseguimos enxergar e evitar erros nas outras 99 unidades”, diz o diretor técnico da MBigucci, Milton Bigucci Junior.

Ele esclarece que no protótipo são testadas todas as instalações com a utilização de eletrodomésticos. “O teste é feito para dar mais conforto e segurança. Verificamos desde a localização e quantidade de tomadas e interruptores, posicionamento de ralos e torneiras, abertura das janelas até o local de passagem das tubulações de água e esgoto.

Fazemos tudo isso imaginando o apartamento em funcionamento com móveis e equipamentos eletrônicos. O objetivo é facilitar a vida do morador”, diz Bigucci Junior.

A aprovação do apartamento-protótipo é feita pela equipe técnica da construtora, que reúne cerca de 20 profissionais – engenheiros, arquitetos, mestre de obra, projetistas, técnicos de elétrica e hidráulica e o diretor técnico da construtora.

Compatibilidade. A construtora Tarjab já incorporou a prática a seus empreendimentos. De acordo com o diretor técnico da construtora, Sérgio Domingues, o intuito é confirmar se o que está no projeto está funcionando.

“Analisamos o que estava projetado com a unidade pronta e assim podemos enxergar detalhes que não são vistos no papel”, afirma o executivo.

Domingues reforça que, no modelo, é possível constatar como se dará o uso, a operação e a manutenção da unidade. “Conseguimos criar uma padronização para os demais apartamentos e confirmar o planejamento orçamentário da obra”, afirma.

Depois das avaliações e vistorias, a Tarjab efetua os ajustes necessários e faz um evento de apresentação. “Nesse momento, o cliente poderá fazer uso do imóvel. Ele consegue pensar como efetivamente vai utilizar o apartamento.”

Produção. Diferentemente da indústria automobilística, que tem uma linha de montagem, com modelos iguais, o diretor de construção da Brookfield, Marcos Sarge, lembra que no ramo imobiliário o produto é erguido do zero e nem sempre um prédio é igual ao outro.

“O produto é único e a concepção estrutural e a artística precisam estar de acordo”, diz. Por isso, ele ressalta a importância do apartamento protótipo, que permite definir posições, espaços e fazer testes.

A construtora monta um protótipo para cada tipologia de unidade. Se um prédio tiver apartamentos de um, dois e três dormitórios, haverá uma unidade modelo para cada tipo e as demais unidades somente serão construídas depois da validação do protótipo.

O processo de vistoria é feito em etapas: estrutura e alvenaria, e instalações e construção. Depois da conclusão dessa fase são vistoriados revestimento, esquadria, louças e metais e, por fim, acabamento. “Depois da avaliação, emitimos um relatório, alteramos o projeto e fazemos nova vistoria.”

“Fazemos o protótipo para evitar problemas futuros. Os ganhos são conforto do usuário, redução de custos e padronização. Entregar produto bem feito é nossa obrigação, com o protótipo, evitamos desperdícios”, diz Sarge.

Apartamento teste é ‘cobaia’ de construtoras

O apartamento protótipo da construtora e incorporadora Rossi é construído com todos os acabamentos que serão entregues ao cliente.

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O projeto é feito em até 90 dias depois da concretagem da laje do 5º pavimento.
“Podem ser criados mais de um apartamento protótipo por empreendimento, dependendo da diversidade de tipologias ou plantas do edifício”, diz o diretor de engenharia da Rossi, Renato Diniz.

De acordo com Diniz, a escolha do protótipo é definida previamente entre as equipes de engenharia e o departamento comercial da construtora. Para validação, participam também as áreas de engenharia e os setores de qualidade, incorporação, projetos e produto. Depois da vistoria da unidade modelo por essa equipe, é preparado um relatório, que é validado pelos gerentes de cada área. O resultado é enviado para a obra com as definições finais.

Avaliação. Durante a vistoria são verificadas as disposições de instalações de ar condicionado, churrasqueiras, aquecedores de passagem, tomadas, interruptores, quadros elétricos, bancadas, louças e metais, portas, guarda copos, cerâmica e, ainda, as possíveis interferências com os eletrodomésticos e mobiliários do cliente.

Diniz conta que a construtora constrói unidades protótipos (apartamentos, casas e salas comerciais) desde 2010, em um total de 192 unidades feitas em diferentes cidades do País.

Segundo o diretor da Rossi, o apartamento protótipo contribuiu para a satisfação do cliente com o produto final e com a melhor adequação ao uso.

“A principal vantagem é detectar possíveis questões relacionadas ao projeto e à execução em tempo hábil para promover os ajustes necessários e entregarmos um produto de qualidade para os nossos clientes”, diz.

Em muitos empreendimentos da Rossi em que o apartamento modelo do estande de vendas é desmontado, o protótipo passa a ser a unidade de visitação dos clientes e corretores. “O protótipo é um diferencial, pois o cliente tem a possibilidade de visualizar os materiais de acabamento, padrão construtivo, distribuição dos ambientes.”

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