Áreas molhadas e livres de infiltrações

Áreas molhadas e livres de infiltrações

Claudio Marques

15 de março de 2014 | 10h23

Mesmo negligenciada por muitos, obras realizadas em cozinhas, banheiros, áreas de serviço e varandas merecem receber atenção redobrada no momento da instalação de pisos e azulejos, na hora da pintura e no momento da escolha do mobiliário.

Todo esse cuidado tem por objetivo evitar a formação de poças de água nessas áreas. E a principal dica para manter esses espaços livres de umidade, manchas, bolores, oxidação das peças e estrago do mobiliário é investir na impermeabilização.

“É preciso impermeabilizar o piso de forma contínua até o rodapé antes de colocar o revestimento. Este procedimento evitará problemas como o estufamento e quebra do piso em caso de vazamento”, diz a arquiteta Christiane Roy.

Foto: Divulgação Porte Construtora

Mesmo em imóveis novos, a arquiteta orienta a refazer a impermeabilização quando for feita troca de material. Segundo Christiane, é possível que na retirada de um revestimento em uma reforma, a proteção seja atingida, prejudicando todo o novo revestimento.

Outra recomendação da arquiteta diz respeito ao nivelamento do piso, que, segundo ela, deve estar sempre 2 centímetros abaixo da área seca, para evitar a passagem da água em caso de lavagem.

“É importante e seguro haver esse desnível e também instalar ralos adequados para o escoamento da água – toda área molhada deve ter um e há muitas opções no mercado”, acrescenta. De acordo com Christiane, os revestimentos cerâmicos e em mármores são os mais apropriados para essas áreas.

Planejamento. A arquiteta lembra de alguns procedimentos que devem ser observados durante uma obra em áreas molhadas. Um exemplo é querer instalar uma geladeira que possui despenser de água potável na porta sem que haja encanamento de água próximo para alimentação do equipamento.

Segundo Christiane, a situação pode gerar problemas, pois haverá a necessidade de quebrar parede para levar o encanamento até a geladeira e comprometer a impermeabilização já feita na cozinha.

Pensando nos riscos e nas necessidades de cada imóvel, Christiane ressalta a importância de planejar a obra. “Para ter mais conforto e segurança, contrate um profissional e tenha um orçamento bem definido”, conclui.

Arquiteta da Porte Construtora, Monique Pujiz destaca: “Buscamos materiais com maior durabilidade e tudo começa pela impermeabilização, fase mais importante para as áreas molhadas”. O material utilizado são os mármores e granitos, do tipo levigado, que, segundo a arquiteta, são mais rústicos e menos escorregadios.

Mármore. Monique esclarece que o mármore é mais poroso, mas ainda assim é adequado para ser aplicado em áreas de cozinhas, banheiros e da lavanderia. No entanto, ela ressalta que deve haver cuidado para evitar o surgimento de manchas, como aquelas causadas por gordura na cozinha.

A arquiteta da Porte Construtora diz, ainda, que é possível usar a pintura epóxi nas áreas molhadas em vez de cerâmicas, azulejos ou mármore. De acordo com Monique, esse tipo de pintura tem baixa porosidade e resistência maior do que as tintas comuns.

Atenção na hora da reforma

Além de usar o material adequado, a construtora também orienta a conservação das áreas. Segundo Monique, a recomendação é nunca lavar essas áreas e fazer a higienização com pano e molhado e um desinfetante com PH neutro.
“Água em abundância sobre revestimentos cerâmicos ou em mármores e granito pode tirar o rejunte e danificar o piso”, esclarece.

A arquiteta Graziela Arruda diz que a impermeabilização deve ser exagerada, principalmente no banheiro, em razão da maior concentração de água. Além disso, ela diz que é muito importante o uso de materiais resistentes.
“Se houver banheira, o cuidado deve ser especial com o material e a instalação.” Segundo Graziela, também é preciso muita atenção com a vazão da água, principalmente no box, onde o uso e a pressão é maior e os ralos devem estar bem situados para a água não empoçar.

Resistentes. Para evitar as temidas infiltrações, Graziela aposta no uso de alguns revestimentos. Um deles é do tipo granilite – que é composto de pedaços de mármores e granitos, cimento, água e areia, que são altamente resistentes. Outros são os chamados cimentícios – produtos que levam diferentes agregados do concreto, como areia, rochas e celulose e são duráveis e podem ser limpos com água. Por fim, a arquiteta também defende o uso de pastilhas de vidro, que segundo ela, são bastante práticas na aplicação e limpeza.

“Para as bancadas dos banheiros, cozinhas e áreas de serviço é possível usar material sintético. O silestone (mistura de cerca de 90% de quartzo e 10% de resinas sintéticas) é uma boa opção que alia durabilidade, resistência e fácil manutenção.”

A pintura epóxi é outro material também destacado por Graziela como adequado para as áreas molhadas de um imóvel.
“Para não usar tanto revestimento cerâmico, é possível apostar na pintura em algumas paredes desses cômodos. A epóxi é resistente e versátil e deixa o ambiente mais aconchegante”, afirma.

“Escolha bem e terá um revestimento durável”

O diretor comercial da empresa de revestimentos Colormix, Arthir Grangeia, aconselha a sempre se adquirir um piso de baixa ou sem nenhuma absorção para as cozinhas, banheiros, áreas de serviços e varandas.
“ Nessas áreas também é bom usar pisos que não sejam escorregadios.” Na hora da compra, a recomendação de Grangeia é se informar sobre as características técnicas do produto, como absorção do material, o espaço de utilização e a circulação.

“Em imóveis em que residam idosos, por exemplo, o ideal é que o piso para as áreas molhadas também seja antiderrapante”, aconselha.

Baixa ou de nenhuma absorção

O diretor da Colormix destaca o uso das pastilhas de vidro nesses espaços. São, segundo ele, produto de fácil limpeza e absorção, que não mancha e pode ser aproveitado nas paredes e no chão. “Escolha corretamente e terá um revestimento mais durável”, completa Grangeia.

Elo. O arquiteto e paisagista da loja de móveis Girante, Arildo Azevedo, utiliza madeira no mobiliário, inclusive para as áreas molhadas. “Deve ser usada uma madeira mais oleosa e que tenha maior durabilidade as intempéries”, sugere.
Azevedo recomenda aplicar um elemento – em aço ou resina plástica – na base dos móveis, evitando o contato e aumentando a durabilidade.

Segundo o arquiteto, os móveis mais prejudicados são as bancadas das pias e tanques. Para essas áreas ele propõe o uso de compensando naval, que é mais resistente a umidade.

Arquiteto é responsável pela escolha do material

O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU-SP), Afonso Celso Bueno Monteiro, afirma que no momento de fazer uma obra, as pessoas têm recorrido cada vez mais ao trabalho do arquiteto.

“Está além do modismo. O design é importante, mas o arquiteto está preocupado em fazer bem feito, conhecer a técnica e os produtos adequados.” E reforça a importância de contratar um profissional para fazer a reforma ou intervenção no imóvel. “O arquiteto é o responsável pela escolha dos materiais, ele conhece as características específicas de cada produto para cada área.”

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