Arte agora chega às fachadas dos lançamentos imobiliários

Claudio Marques

15 de abril de 2013 | 15h48


 (Imagem: Divulgação)

ELI SERENZA – Especial para o Estado

Obras de arte em prédios geralmente ficam disponíveis apenas para poucos privilegiados, que transitam nos espaço fechados onde são mantidas. Mas incorporadoras e construtoras vêm mudando esse panorama.

Projeto das empreendedoras Stan e Yuny, por exemplo, vai permitir que os habitantes do entorno do megacondomínio residencial Habitarte, previsto para ser lançado no Brooklin no próximo mês, também desfrutem trabalhos de artistas renomados. Como a escultura de 50 metros de altura assinada pelos irmãos Campana, artistas brasileiros de renome mundial. Ela preencherá um vão entre duas torres e será instalada em uma praça aberta que faz parte do projeto.

Na opinião do presidente da Eugenio Marketing Imobiliário, Carlos Valladão, a estratégia utilizada no novo empreendimento indica a necessidade de criar novidades para atrair o consumidor – ele diz que cada vez mais pessoas querem se sentir integradas à vizinhança.

“Esses compradores, uma espécie de vanguarda, trazem um conceito mais cosmopolita e têm motivações diferentes para escolher seu imóvel. As obras de arte e o convívio social certamente estão entre elas”, afirma. A tendência é confirmada pelo arquiteto Márcio Curi. Diariamente ele se depara com uma escultura de 40 metros instalada no saguão e que se projeta pelos 25 andares do edifício Arte Arquitetura Itaim, onde mora.

Segundo Curi, não há quem fique indiferente à obra, também de autoria dos irmãos Campana e que dá charme especial ao prédio, além de valorizar o imóvel. O apartamento foi comprado em 2009 pelo arquiteto, que pagou cerca de R$ 6,5 mil por metro quadrado. Hoje, ele garante que a unidade em seu nome vale exatamente o dobro.

A ideia de conviver com arte e abrir-se para a vizinhança vem ganhando espaço em grandes condomínios residenciais. Leyla Jacy, diretora de incorporação da Stan, acredita que a mudança atende aos anseios de um público especial formado por jovens executivos, solteiros ou recém-casados, sem pressa de constituir família, mas com bom poder aquisitivo e que compra imóveis cada vez mais cedo.

Para essa fatia do mercado, os espaços privados podem ser menores e a segurança deve ser garantida pela tecnologia cada vez mais avançada, segundo o diretor de incorporação da Yuny, Filipe Soares. A ideia é desfrutar os espaços comuns, onde as possibilidades de convívio são proporcionais ao tamanho da área e aos serviços oferecidos.


 (Imagem: Divulgação)

No caso do Habitarte, além da escultura colossal, o paisagismo será uma atração a parte – seu autor, Luiz Carlos Orsini, é o mesmo profissional responsável pelo projeto do Centro de Arte Contemporânea de Inhotim, em Brumadinho (MG), considerado o maior museu ao ar livre da América Latina.

Localizado no quarteirão formado pelas ruas Flórida, Nova York, Michigan e Califórnia em um terreno de 20 mil m², o condomínio tem projeto arquitetônico de Aflalo & Gasperini e será erguido em três fases.

A primeira torre será lançada em maio e terá 391 unidades, que variam entre 41, 61 e 81 m² de área útil, com uma ou duas suítes. O Valor Geral de Vendas (VGV) anunciado é de mais de R$ 1 bilhão, sendo R$ 250 milhões somente na primeira fase.

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