Atenção  redobrada contra a  dengue
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Atenção redobrada contra a dengue

Condomínios intensificam recomendações para evitar a proliferação do mosquito

EDILAINE FELIX

10 Maio 2015 | 07h42

SCA SÃO PAULO 11/11/2014 - IMÓVEIS - ITAIM FAMÍLIA E ITAIM JOVEM - Fotos de Renata De Simone,carioca que mora há 15 anos em seu apto de 250 m2 no Itaim.FOTO SERGIO CASTRO/ESTADÃO.

Com a capital paulista enfrentando uma epidemia de dengue, os condomínios da cidade intensificam as ações para prevenir a proliferação do aedes aegyti, mosquito transmissor da doença.

Segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde, no período de 4 de janeiro a 25 de abril, na cidade de São Paulo foram notificados 86.178 casos e 38.927 foram confirmados como casos autóctones (foram contraídos no município).

A preocupação dos moradores de conjuntos residenciais paulistanos se justifica, já que os condomínios são locais onde os mosquitos podem encontrar muitas áreas propícias à proliferação, como pontos onde se acumulam poças de água em jardins, vasos e locais de recreação.

Síndica de um condomínio no Jardim Europa, Eliana Lucchesi Ferreira Markus contratou dedetização particular, o fumacê, e implantou coleta seletiva de lixo para evitar propagação. “O meu prédio está perto do Rio Pinheiros, são muitos edifícios na rua e não dá para saber se o vizinho está cuidando do espaço dele”, diz Eliana.

Por enquanto, três outros condomínios aderiram ao fumacê, que funciona para todos os tipos de pernilongo, inclusive para o mosquito da dengue.

Vistorias. “Sempre realizamos vistoria nas caixas d’água, piscina e um tanque de água que fica no último andar do prédio. As providências mais específicas (fumacê e coleta seletiva de lixo) começaram em fevereiro deste ano, quando percebi aumento dos pernilongos”, diz Eliana.

Eliana também se reúne semanalmente com os funcionários para dar orientações a respeito de vistoria nas áreas comuns, vasos de plantas e locais onde a água possa empoçar. Quinzenalmente, ela envia comunicado aos moradores para tomarem cuidados dentro de seus apartamentos.

Divulgação. Para o presidente da Associação dos Síndicos de Condomínios Comerciais e Residenciais do Estado de São Paulo (Assosindicos), Renato Tichauer, a síndica Eliana está no caminho certo, pois sua receita para combater o mosquito é fazer campanhas de divulgação, conversar com funcionários, moradores e levar o assunto para as reuniões de condomínio.

“Além do trabalho de conscientização, é preciso estar sempre atento. E o morador deve colaborar. Infelizmente, muitas vezes somente depois que um vizinho contrai a dengue é que os outros moradores ficam mais preocupados e começam a cuidar mais do espaço”, diz.

A gerente da Lello Condomínios, Angélica Arbex, diz que a administradora está agindo com apoio da Secretaria Estadual da Saúde e enviando comunicados aos edifícios informando sobre cuidados necessários nas áreas comuns. “Um em cada três morador da capital paulista é de condomínio, precisamos nos concentrar nesses moradores”, ressalta Angélica.

A administradora orienta o uso de tela de nylon para proteger ralos externos e canaletas de drenagens para água da chuvas. Nos ralos de esgoto, a recomendação é colocar tela e tampa abre-e-fecha; em lajes e marquises, a dica é manter o escoamento de água desobstruído e sem depressões.

A água dos pratos dos vasos de plantas deve ser substituída por areia grossa; caixas d’água precisam estar vedadas (sem frestas); piscinas em período de uso necessitam de tratamento adequado com cloro e aquelas sem uso frequente devem ter o volume de água reduzido ao máximo possível.

Vasos sanitários sem uso diário devem estar sempre tampados, acionando a descarga semanalmente. Caso não possuam tampa, precisam ser vedados com saco plástico preso com fita adesiva. Segundo ela, não existe escolha. É importante ter essa preocupação e tomar os cuidados.”

Para o diretor executivo da Manager, Marcelo Mahtuk, há quatro pontos que podem ter acúmulo de água e, consequentemente, serem criadouros de dengue: caixa de passagens de jardins, lajes e marquises, fosso do elevador e piscinas de cobertura. “Realizar vistorias ajuda a detectar os focos e agir”, diz Mahtuk.

Controle. Embora não tenha nenhum registro de dengue no condomínio, o comerciante e síndico Eduardo Borklian, de 50 anos, procurou, em março deste ano, a subprefeitura da Lapa para pedir a realização do chamado fumacê no prédio. Qualquer condomínio pode fazer o pedido na subprefeitura do seu bairro. Informações podem ser obtidas através do 156.

Segundo ele, o controle é fundamental para evitar água parada e a proliferação do mosquito. O jardim é vistoriado diariamente pelo zelador do prédio e a piscina tem recebido uma dose extra de cloro.

“A preocupação é grande. Minha, dos funcionários e dos moradores, tanto que já solicitei um novo fumacê”, afirma Borklian. Além da dedetização, o síndico coloca avisos nos elevadores e faz vistorias diárias no jardim de 1.100 metros quadrados e nas demais nas áreas comuns do condomínio.

 

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