‘Casa Bola’ mostra a visitantes da Bienal facetas da experiência de viver

‘Casa Bola’ mostra a visitantes da Bienal facetas da experiência de viver

Claudio Marques

28 de outubro de 2013 | 20h08

 

GUSTAVO COLTRI

Também parte da programação da Bienal destinada às habitações, a visitação à Casa Bola, emblemática edificação com traços da arquitetura modernista na região do Jardim Europa, é um curso intenso a respeito das experimentações possíveis nos modos de viver, e com direito a aulas dadas pelo morador da propriedade e autor da obra, o arquiteto Eduardo Longo.

A edificação, com 8 metros de diâmetro, teve a construção iniciada em 1974 sobre a antiga residência do arquiteto e, concluída cinco anos depois, nunca parou de se transformar. Hoje, ela mais parece, para quem olha de fora, um gigantesco ninho cinzento de joões-de-barro sobre um telhado da Rua Amauri. De dentro, toda branca e cheio de compartilhamentos com quinas arredondadas, tem o aspecto das dependências de um navio ou dos cenários do filme “Laranja Mecânica”, do cultuado diretor Stanley Kubrick.

“O sonho sempre foi fazer apartamentos de luxo compactos”, conta Longo. Ele ainda tem projetos e até uma maquete de um edifício onde a ideia da bola seria reproduzida. Apenas duas bolas saíram do papel: a dos Jardins e outra mais ampla no bairro do Morumbi, onde reside atualmente sua filha.

Ainda que tenha cerca de 100 metros quadrados divididos em três pavimentos, além de uma espécie de porão, os cômodos da residência são pequenos e prezam pela funcionalidade – propostas perseguidas pelos empreendimentos compactos atuais de padrão nobre, onde cada centímetro é muito valioso. “Sempre trabalhei de dentro para fora”, conta o arquiteto.

Os corredores da casa são estreitos e sempre encontram escadas que levam os visitantes aos diferentes andares. A mobília e os utensílios também foram projetados por Longo e, às vezes, confundem-se com as paredes. As camas “brotam” do chão nos dormitórios, e a porta da geladeira parece somente uma segunda passagem localizada dentro da cozinha.

Além do labirinto doméstico que criou, o arquiteto promove o uso misto do terreno. Hoje, um estabelecimento comercial ocupa o térreo do local – no passado, a área já foi usada como uma via de acesso público ligando à Rua Amauri à paralela Rua Peruíbe, com bares e lojas. Em um andar intermediário, Longo montou seu escritório e, logo acima, ele construiu a residência. “Quem sabe, se tudo der certo, vou fazer mais uma bola em cima dessa”, conta, ainda entusiasmado.

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