Casa mais cara dos EUA vai ganhar concorrente 3 vezes maior

Casa mais cara dos EUA vai ganhar concorrente 3 vezes maior

Ambas estão localizadas em Los Angeles e foram projetadas por ícones do design para bilionários

Claudio Marques

08 de fevereiro de 2017 | 07h47

A piscina com borda infinita e cinema na casa mais cara dos EUA. Foto de Nathanael Turner / The New York Times

A piscina com borda infinita e cinema na casa mais cara dos EUA. Foto de Nathanael Turner / The New York Times

A casa mais cara dos Estados Unidos, colocada à venda em janeiro por US$ 250 milhões (cerca de R$ 780 milhões), vai ganhar uma concorrente de peso, que será três vezes maior. Ela está sendo construída não muito longe da atual campeã de preço.  Nela, diante de sua piscina revestida de pastilhas de vidro de cerca de 26 metros de comprimento com borda infinita, de onde se descortina toda Los Angeles, Bruce Makowsky revela o elemento central da casa mais cara recém-construída à venda nos EUA.

“Está pronto para apreciar a melhor vista?” pergunta. Um funcionário toca num iPad, e um televisor de 6 metros e 4K de resolução montado num elevador hidráulico em espiral sobe da beirada da piscina. Apesar da luz solar brilhante da Califórnia, a imagem de Beyoncé in concert aparece na tela acima da piscina, e sua música explode dos 16 alto-falantes subterrâneos. Veja galeria de fotos da casa em http://fotos.estadao.com.br/galerias/classificados,veja-todo-o-luxo-de-uma-casa-a-venda-por-r-788-milhoes,30002

“Nenhuma outra casa tem uma coisa como esta”, disse Makowsky, que fez fortuna como designer de bolsas e depois mudou de ramo incorporando e projetando mansões.

Nenhuma outra casa nos EUA tem um preço oficial de US$ 250 milhões.

O palácio high-tech de Makowsky, de 3.500 metros quadrados significa um novo padrão de super-casa – por enquanto. A menos de 16 quilômetros está sendo construída uma casa ainda maior que custará US$ 500 milhões. Juntas, as duas propriedades que concorrem pela primazia no pequeno e silencioso bairro de Bel Air, em Los Angeles, tornaram-se uma espécie de Godzilla versus KingKong dos imóveis mais ricos, são símbolos concretos da nova classe de riqueza superdimensionada, numa indicação das necessidades particulares dos bilionários de hoje.

O boliche da casa. Foto: Nathanael Turner/The New York Times

O boliche da casa. Foto: Nathanael Turner/The New York Times

Makowsky, 60 anos, um anúncio ambulante do luxo em todos os seus aspectos, que usa relógios de US$ 500 mil e dirige carros de US$ 2 milhões, aposta na demanda por aquilo que chama de “estilo de vida seleto”. Em lugar de construir uma enorme caixa fechada que os próprios compradores podem projetar , ele construiu um refúgio completo, totalmente pronto para bilionários – em que tudo, desde a coleção de carros de US$ 30 milhões ao home-theater em estilo James Bond com 7 mil títulos de filmes, aos jogos de mesa de US$ 3.500 de Roberto Cavalli, vem junto com a casa. Até uma equipe de 7 funcionários (incluindo chef, chofer, e massagista) com um contrato de dois anos.

“Cada centímetro da casa é aprontado com os mais novos brinquedos, os entretenimentos, as pedras, o vinho, as obras de arte, tudo”, “explicou Makowsky. “Tudo tem a ver com a sensação experimentada pelas pessoas têm quando estão em casa”.

Não muito longe dali, sua concorrente, The One, tem mais ou menos o triplo do tamanho, com quase 9.800 metros quadrados de espaço. Somente o dormitório master tem 511 metros quadrados – equivalente, por exemplo, à área de um edifício em pedra marrom de cinco andares em Manhattan, ou a um duplex de cobertura em Soho.

Na garagem de The One há lugar para 30 carros. O imóvel, ainda em construção, terá pelo menos quatro piscinas e outras atrações aquáticas. O incorporador, Nile Niami, afirma que a casa ficará pronta em maio ou junho de 2018.

As duas construtoras mantiveram uma distância respeitável entre si. Ambas ganharam fortunas vendendo casas ainda maiores e mais caras construídas para fins de especulação.

“Estou animadíssimo com a perspectiva da construção de mais casas para bilionários que criem empregos”, disse Makowsky.

Niami disse que embora ambas as casas sejam caras, elas visam diferentes compradores.

“A casa de Bruce é menor, e ocupa cerca de meio hectare de superfície – eu tenho mais de 1,6 ha”, disse Niami. “O tipo de comprador da casa de Bruce não é o mesmo do comprador da minha. Mas espero que ele consiga um bom preço, porque isto será bom para mim também”. Embora alguns comparem a casa a um shopping gigantesco ou a um resort imenso, fora de escala se comparada a uma casa normal, Niami diz que não está preocupado com o preço pedido. “Todas as minhas casas sempre vendem”, afirmou.

Entretanto, os corretores imobiliários dos ricos dizem que Makowsly e Niami estão apostando no mesmo grupinho de compradores enquanto o topo do mercado imobiliário está crescendo com uma oferta maior de mega mansões.

Por outro lado, é possível que as duas casas sejam vendidas por muito menos, porque os preços de nove dígitos frequentemente são mais usados como recursos de marketing do que como valores reais. A casa mais cara vendida nos Estados Unidos foi uma propriedade em East Hampton: US$ 147 milhões, em 2014. Na Califórnia, a maior venda seria a de uma propriedade de 3,6 hectares em Woodside, que alcançou o preço de US$ 117,5 milhões em 2013.

“Será que alguém comprará realmente estas casas por estes preços?” perguntou Josh Altman, um corretor de imóveis de Los Angeles, referindo-se às casas construídas por Makowsky e Niami. “É difícil imaginar a esta altura. Quando você vai acima de US$ 100 milhões, as opções são muitas. E estes compradores são pessoas espertas”.

Makowsky disse que embora tenha havido uma explosão do número (mais de 2.000) e da riqueza dos bilionários em todo o mundo, a qualidade das casas que eles compraram não correspondeu às expectativas. Segundo ele, os super ricos de hoje têm mais dinheiro ou experiência em matéria de arte, e eles preferem que suas casas sejam curadas como museus antes de se instalarem nelas.

Sua mais recente criação precisou de 300 operários e quatro anos para ser construída.

A casa está tão repleta de elementos monumentais que as necessidades dos seus habitantes – 12 quartos, 21 banheiros, três cozinhas – parecem quase secundárias. Makowsky já mostrou a casa a oito bilionários, mas a propriedade só foi anunciada no mercado no dia 8 de janeiro.

Indagado sobre os preços, Makowsky disse que uma comparação adequada seria com um mega iate e não com outra casa. As vendas de iates com mais de 300 pés cresceram nos últimos anos, ele destacou, com preços acima de US$ 400 milhões.

“Esta casa se assemelha mais a um iate terrestre”, afirmou. “Não tinha sentido para mim que alguém gastasse US$ 300 milhões num barco, para usar oito vezes ao ano e morasse numa casa de apenas US$ 20 milhões ou US$ 30 milhões”.

Tradução de Anna Capovilla

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