Cidades brasileiras buscam modernizar a iluminação pública com a ajuda da tecnologia

Belo Horizonte acaba de concluir projeto que segue o conceito de internet das coisas, capaz de gerar economia de R$ 25 milhões nos gastos anuais da prefeitura com energia; São Paulo e Porto Alegre também investem na área

Bianca Zanatta

11 de abril de 2021 | 05h00

Especial para o Estadão

Iniciada em dezembro de 2017, a Parceria Público-Privada (PPP) para modernização da iluminação pública de Belo Horizonte – primeira da América Latina a seguir o conceito de internet das coisas (IoT) – acaba de ser concluída. De acordo com a concessionária BHIP, formada pela BMPI Infra e pela Remo Engenharia, foram modernizados 182 mil pontos de luz em toda a capital mineira no tempo recorde de três anos.

A previsão é de uma economia de R$ 25 milhões nos gastos anuais da prefeitura com energia para manter a iluminação de ruas, avenidas, parques e viadutos.

Aliar tecnologia e logística foi fundamental para a entrega, segundo Miguel Noronha, diretor executivo da BMPI. “Montamos uma linha de produção com a aquisição de grandes lotes de lâmpadas de LED e adaptação dos nossos caminhões para carregar as luminárias já pré-montadas”, explica.

Um diferencial do modelo adotado na capital mineira é que 32 mil dos pontos de luz instalados são controlados por telegestão. “Dá para fazer todo o acompanhamento e ativação remotamente”, diz Noronha. “Por meio da rede mesh (rede de malha), podemos ter alcance de transmissão de dados em cerca de 98% do território de BH.”

O painel de controle do centro operacional mostra online o número de chamados abertos e regiões com falta de energia, por exemplo. O sistema tem ainda capacidade de autogestão, identificando falhas em tempo real nas lâmpadas de LED e se autocorrigindo. Com a tecnologia, as queixas sobre problemas na iluminação, que eram a segunda maior fonte de reclamação na prefeitura, caíram para uma média de oito por mês.

Henrique Castilho, da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), diz que a implantação começou pelos bairros da periferia e áreas mais sensíveis da cidade, que tinham altos índices de criminalidade e acidentes, e que a mudança trazida pela nova iluminação já aparece. “Os cidadãos vão fazer a primeira avaliação oficial a partir do segundo semestre, mas já sabemos que houve queda de 20% para 1% nas solicitações de serviço e os índices de criminalidade também caíram muito”, diz.

Mudança

Para o consultor de desenvolvimento urbano Fernando de Mello, o conceito de cidades inteligentes é diverso e vem se aprimorando no Brasil, mas hoje já se entende o uso de tecnologias como estratégia de aceleração do processo de transição energética para soluções mais sustentáveis e ecológicas. “Substituir todas as lâmpadas por LED é muito importante para diminuir a emissão de carbono”, explica.

Além da economia de até 45% nos gastos energéticos, o especialista diz que se elimina também o risco de contaminação ambiental das luminárias de sódio ou mercúrio, que liberam metais pesados e outros elementos químicos quando não são descartadas corretamente. Ele destaca ainda a relação da tecnologia das lâmpadas LED com a diminuição do ônus para a segurança e a saúde públicas. “É um tipo de ação que tem efeito direto sobre a qualidade de vida da população”, afirma.

Outras metrópoles brasileiras também estão implantando – ou tentando implantar – seus parques de iluminação de LED. No caso de São Paulo, a gestão do ex-prefeito Fernando Haddad idealizou o projeto da PPP da Iluminação ainda em 2015, mas a licitação se arrastou por mais de quatro anos, entre brigas na Justiça e denúncias de corrupção contra uma das empresas que venceram o consórcio.

Retomado em formato provisório pelo atual prefeito Bruno Covas em agosto de 2019, o contrato já possibilitou a modernização de mais de 186 mil pontos de luz pela cidade e a instalação de outros 8,6 mil (dados de dezembro de 2020). O projeto original prevê um total de 700 mil pontos modernizados.

Em Porto Alegre, a concessionária IPSul assumiu a iluminação pública em outubro do ano passado, com o compromisso de instalar 100 mil lâmpadas de LED na cidade em três fases: primeiro nos bairros periféricos, depois nos restantes. Por último, a capital gaúcha vai modernizar a iluminação de avenidas e praças que não tiverem sido contempladas no plano-piloto, posto em prática no segundo semestre de 2020 pela IPSul.

A capital do Pará é mais uma que aprovou uma PPP de iluminação pública que deve instalar mais de 10 mil novos pontos de luz, além de modernizar os 90 mil já existentes. A empreitada ficou a cargo do consórcio Luz de Belém II, liderado pela Conasa em parceria com Zetta e Ello.

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