Como os prédios ‘enfrentam’ a decoração de Natal
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Como os prédios ‘enfrentam’ a decoração de Natal

Participação de moradores, busca por patrocínio e cotação de preços são algumas das medidas utilizadas para reduzir custos

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04 de dezembro de 2016 | 07h22

DNT 01-12-2016 SAO PAULO - SP / CLASSIFICADOS OE / IMOVEIS / DECORACAO DE NATAL - Iluminacao natalina em condominio na Av. Interlagos, 800, zona sul de Sao Paulo - FOTO DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Márcia Rodrigues

ESPECIAL PARA O ESTADO
No Natal da crise econômica, os condomínios paulistanos tentam reduzir – ou até evitam – gastos com decoração natalina. Dos que optam por realizar os enfeites, a maioria já tem as despesas para aprovadas em assembleia ou pelo conselho, de forma permanente.

Paulo Fontes é síndico do Condomínio Domínio Marajoara, no Jardim Marajoara, na zona sul da capital paulista, que finalizou a decoração do empreendimento na última quinta-feira. A previsão inicial de custo era de R$ 12 mil, mas com uma pesquisa apurada a respeito do material e o apoio dos moradores que se apresentaram para ajudar a montar os arranjos, os gastos caíram para R$ 8 mil. No local, a taxa de condomínio vai de R$ 1 mil a R$ 1,6 mil.

Fontes diz que os moradores dos 594 apartamentos das sete torres do condomínio não escolhem um tema específico para trabalhar. Os adornos foram colocados nos halls do empreendimento, que tem sete torres, e na alameda central, localizada próxima à piscina. Os coqueiros ganham luzes brancas, os muros cascatas e a entrada uma guirlanda.

“Para executar o trabalho, contratamos dois profissionais para levar eletricidade aos pontos necessários. As demais ações foram feitas pelos próprios moradores.”

Voluntários. Outro síndico, Joubert Valente Teixeira, do Condomínio Residencial Vereda Vila Carrão, na zona leste da capital, comenta que o empreendimento procura sempre reaproveitar parte dos enfeites do ano anterior.

“Nós reunimos a diretoria, trocamos ideias, fazemos cotação com algumas empresas e resolvemos decorar parte do condomínio para não gastar muito. Com isso, conseguimos uma redução de 30% nos custos, na comparação com anos anteriores”, afirma.

Paulo Fontes, síndico

Paulo Fontes, síndico

Teixeira não revela, no entanto, o valor gasto com a decoração do residencial de 104 apartamentos de médio padrão e cuja taxa condominial é de R$ 650 por mês.

Neste ano, foram colocados cordões em todo o muro do conjunto, que tem 5.600 metros quadrados, e na guarita. “Também pusemos estrelas no coqueiro, laços, bolas vermelhas e alguns papais-noéis espalhados pelo jardim.”

Teixeira comenta que, independentemente da decoração, a ideia é trazer o espírito de Natal para o condomínio. “A vida é tão complicada, tão difícil. Trazer o espírito de Natal para perto da gente é uma forma de tentar trazer mais alegria para as pessoas. Afinal, o condomínio é a nossa casa.”

O síndico Alexandre Luiz de Oliveira, do condomínio Green Park, na Vila Nova Conceição, na zona sul da capital paulista, afirma que todo ano o local é decorado para o Natal, sempre contratando uma empresa terceirizada para executar o serviço. “A ideia é ter uma decoração bonita, com um toque mais profissional, sem ter de dispor do valor da compra dos enfeites”, diz. De acordo com ele, esse procedimento evita dor de cabeça e resulta em economia. “Já que comprar os enfeites provoca problemas como onde guardá-los para serem reaproveitados no ano seguinte. Além disso, normalmente, eles sempre acabam sendo danificados.”

Terceirizada. Oliveira comenta que é o terceiro ano consecutivo que contrata a mesma empresa, que não elevou os valores até hoje. O serviço custou R$ 900. O condomínio tem apenas uma torre de 26 apartamentos com taxa de condomínio de R$ 2.100.

“No ano passado eles trouxeram menos enfeites, nós reclamamos, eles acataram e colocaram mais itens para completar os ambientes. Nós escolhemos o tipo de decoração, eles montam e desmontam no fim do prazo combinado.”

Para este ano, será montada uma árvore de dois metros de altura com bastante enfeite e presentes. “Também colocamos uma guirlanda na entrada do prédio, bem robusta, grande e com iluminação.”
No Condomínio Torre de Távora, na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo, normalmente, a verba para esta finalidade é aprovada por ano, segundo o síndico Nilton Savietto.

Na ambientação deste ano foram usadas árvore de Natal, presépio e guirlanda na entrada, além de um trenó de Papai-Noel no hall social. “A árvore e o presépio nós já tínhamos. Os demais itens nós precisamos comprar.” O custo da decoração foi de R$ 2.050.

Interno. “Contratamos uma profissional para montar e desmontar tudo. Não fizemos nenhuma decoração externa no ano passado nem neste para reduzir custos. Se fizéssemos tudo, o custo seria o dobro”, diz o síndico do empreendimento de médio padrão, que tem uma torre com 40 apartamentos. O valor da taxa de condomínio é de R$ 1.300.

O síndico Sandro Gonçalves, do condomínio Michigan, localizado em Santo Amaro, na zona sul, buscou uma alternativa para não aumentar os gastos de fim de ano no conjunto formado por duas torres com 216 apartamentos e que tem taxa de condomínio de R$ 1.200. Ele negociou um patrocínio com os fornecedores do empreendimento, que mantém os serviços de segurança, limpeza, manutenção e assessoria esportiva terceirizados.

“Pedimos uma cota de participação na decoração, conforme o valor do contrato de cada um. Com isso, arrecadamos R$ 2 mil e pudemos enfeitar a fachada e as áreas comuns.”

Gonçalves conta que foram colocadas lâmpadas na entrada e na praça central e guirlandas nas áreas comuns do prédio. Ele afirma que todos os condôminos aprovam a decoração. Muitos, segundo diz, chegam a cobrar o síndico se o empreendimento será ou não enfeitado.

Segurança com instalações elétricas deve ser observada

O advogado Alexandre Berthe, especialista em condomínios, considera que o principal cuidado que os condôminos devem ter com a decoração é com a instalação de produtos elétricos ou eletrônicos.
“É preciso muito cuidado para comprar esses produtos, ver se são reconhecidos, validados e de boa qualidade para não correr o risco de alguém tomar choque, por exemplo.”

O advogado também ressalta que todo cuidado é pouco com artigos que ficam pendurados no alto. “Se alguém se machucar, o condomínio será responsabilizado.”

Berthe ainda conta que a decoração nas sacadas são livres e os condôminos podem escolher os enfeites de sua preferência, contanto que não fiquem para o lado de fora. “Tudo o que ficar pendurado deve ser retirado porque podem cair e gerar acidente.”

ARQUIVO 01/12/2016 Imóveis / Decoração de Natal Decoração no pátio do Condomínio Residencial Veredas,na Vila Carrão FOTO Divulgação

Ele ainda comenta que, normalmente, não há necessidade de colocar a decoração para votação em assembleia ou conselho. Só em casos excepcionais, de uma decoração muito luxuosa e que vai exigir um grande investimento. “A maioria dos condomínios tem este gasto previsto no orçamento anual e, mesmo se não tiver, todo síndico tem um limite de gastos mensal que pode ser utilizado para esta finalidade.”

Segundo Angélica Arbex, gerente da administradora de condomínios Lello, dos dois mil empreendimentos que a empresa cuida, metade faz a decoração de Natal todos os anos. Ela diz que sempre que a administradora é consultada, ela orienta o síndico a tomar cuidado com a escolha da empresa de decoração. “É preciso alinhar muito bem o acordo para que o serviço prestado seja de qualidade. O contrato deve prever a montagem e a desmontagem da decoração, por exemplo.”

Se forem os próprios funcionários do condomínio que irão montar, é importante que eles usem equipamento de segurança e preservem as instalações elétricas, segundo ela.
Angélica diz que, normalmente, os condomínios começam a falar sobre a decoração em setembro. “Alguns, por já ser uma tradição, nem consultam os moradores ou decidem em assembleia. Geralmente a decoração fica pronta no dia 20 de novembro e é retirada na primeira semana de janeiro.”

Marcelo Guerra, supervisor de condomínios do Grupo Hubert, acredita que dos 400 condomínios residenciais que a companhia administra, 80% faz a decoração.
“Normalmente são os síndicos que decidem se farão ou não, nós não nos manifestamos. Nossa única participação é indicar empresas que já trabalhamos para eles terem o serviço garantido.” / M. R.

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