Contas e relacionamentos desafiam novos síndicos

Contas e relacionamentos desafiam novos síndicos

Claudio Marques

19 de agosto de 2013 | 17h58

Presente. Castellani sempre esteve preocupado com as melhorias no prédio (Imagem: Alex Silva/Estadão)

EDILAINE FELIX

O síndico pode deixar o cargo antes do fim da gestão. Não há obrigação legal para que ele cumpra integralmente o mandato. Portanto, ele pode, a qualquer momento, renunciar ou ser destituído por praticar irregularidades, não prestar contas e mesmo por não administrar convenientemente o condomínio. Independentemente do motivo do afastamento, quem assume o posto tem um grande desafio pela frente.

Fernando Castellani Perez, de 49 anos é síndico de um conjunto de quatro prédios localizado na zona sul da cidade. Ele conta que seu antecessor não era muito presente e, desde que se mudou para lá, há dois anos, percebeu a falta de serviços e até de segurança. Como não consegue ficar parado, segundo suas palavras, começou uma mobilização por melhorias.

Diante da ausência do síndico, os moradores decidiram convocar uma assembleia na época, pedindo a sua destituição. “Na mesma assembleia, ele foi deposto, e eu fui eleito para o cargo”, diz Castellani.

Assim que assumiu, procurou a administradora para se informar sobre a situação financeira do condomínio. “Encontrei as contas em dia e fui colocar a mão na massa. Como havia percebido a necessidade de mais segurança, fechei contratos de segurança, obras e serviços necessários.”

Ele também procurou estar mais próximo dos condôminos. “Criei um e-mail e deixei um telefone exclusivo para contato com os condomínio”, diz. Satisfeito com os resultados obtidos e querendo se profissionalizar, decidiu fazer um curso técnico de formação de síndicos.

“Hoje, eu sou síndico profissional. Atualmente, respondo pelos quatro prédios do condomínio, somando 884 apartamentos. Tenho um bom relacionamento com os moradores e procuro ter uma administração transparente”, conta.

O síndico do residencial revela que vai tentar a reeleição. “Ao assumir o posto, eu descobri que a função de síndico tem inúmeras dificuldades, mas, se você consegue deixar os serviços funcionando e estiver presente, pode ter uma relação bastante agradável com ela.”

Atitude. O diretor de condomínio da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic), Omar Anauate, aconselha como primeira atitude do novo responsável examinar as contas do condomínio.

“Ao assumir, o síndico deve averiguar a situação financeira e fazer um planejamento de tudo que precisará ser feito”, orienta. Anauate lembra que, normalmente em casos de destituição, a gestão anterior não vai informar sobre as contas do condomínio, e, nesse caso, o subsíndico pode ajudar.

“Ele conhece toda a história do condomínio. Ele tem as informações financeiras e conhece as obras, os serviços e a situação dos funcionários do prédio”, esclarece Anauate.

A gerente de relacionamento da Lello Condomínios, Angélica Arbex, destaca o papel de conciliação que o novo síndico deve ter. “Ele deve ouvir muito e falar pouco para não se indispor com nenhum morador, e ser o mais transparente possível”.

Angélica ressalta que, nos casos de uma destituição e que quem assume não tem as informações, a administradora deve informar sobre as contas do condomínio e orientar sobre o papel do síndico. “A administradora deve orientar o síndico, experiente ou não, a agir de maneira legal, seguindo as regras e procedimentos previstos na convenção do condomínio”, diz.

Cabe ao síndico eleito respeitar e aplicar as normas já estabelecidas, lembra a gerente geral do Grupo Oma Patrimônios, Gisele Fernandes da Silva. “Ele deve observar e fazer cumprir a convenção de condomínio, assim como o regimento interno e as deliberações das assembleias gerais”, enfatiza.

Gisele também recomenda que síndico eleito peça para a administradora buscar nos órgãos competentes todas as certidões negativas de débitos (CND) do condomínio, pois surpresas podem ser encontradas e precisam ser tratadas.

“Chamar os funcionários para uma conversa é importante e necessário, pois, em alguns casos, a eleição de um novo síndico causa insegurança. O síndico precisa criar um ambiente harmonioso e dizer aos funcionários o que espera da equipe”, afirma Gisele.

O QUE FAZER

Avaliação das contas
Ao assumir o posto, o síndico deve averiguar a situação financeira do condomínio. Tomar conhecimento das obras e serviços realizados e também sobre os funcionários do prédio

Planejamento
Após saber como estão as contas do condomínio, o síndico novo precisa avaliar o que precisa ser feito e como vai resolver os problemas deixados pela administração passada

Canal de comunicação
É importante criar um e-mail para receber críticas e sugestões e tirar as dúvidas dos condôminos. Segundo o diretor da Aabic, Omar Anauate, essa é uma das ferramentas mais eficientes

Conversas
O novo síndico precisa criar um ambiente harmonioso. Ele deve chamar os funcionários para uma conversa e dizer o que espera da equipe

Reuniões
Reunir-se mensalmente com o conselho pode trazer mais tranquilidade para a gestão

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