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COP-21 e construção sustentável

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14 de dezembro de 2015 | 08h15

Por Luiz Henrique Ferreira*

A Cúpula do Clima, maior evento da história sobre mudanças climáticas, reuniu os principais líderes do planeta entre 30 de novembro e 11 de dezembro a fim de encontrar uma maneira de frear o aquecimento global. Toda a discussão girou em torno de como financiar modelos de desenvolvimento econômico de baixo impacto ambiental, conhecido como modelo de “economia verde”, de modo a tornar a nossa sociedade cada vez menos dependente dos combustíveis fósseis.

Não resta dúvida de que os efeitos do aquecimento global já fazem parte do dia a dia das pessoas, principalmente devido à alteração dos regimes de chuvas e temperaturas quebrando recordes atrás de recordes todos os anos. Entretanto, a grande maioria da população encara o aquecimento global como algo muito distante, e mesmo aqueles que se preocupam com os possíveis desdobramentos da mudança da temperatura média do planeta, ainda ficam sem saber exatamente o que podem fazer para conter o avanço das emissões de gases estufa.

O setor da construção civil é responsável por aproximadamente 30% de toda a emissão de gases de efeito estufa do planeta, sendo a maior parte das emissões relacionada ao processo de fabricação dos materiais de construção e execução das obras. Uma construção sustentável certificada tem por obrigação monitorar as emissões de gases de efeito estufa durante todo o processo de projeto e obra, reunindo uma quantidade muito grande de estratégias para minimizar os impactos sobre o aquecimento global. Materiais de grande impacto ambiental, como aço e concreto, somente são incluídos numa construção sustentável se contiverem elevados níveis de material reciclado em sua composição, reduzindo drasticamente as emissões durante o processo de fabricação. Os transportes por caminhões também são limitados em construções sustentáveis, que são obrigadas a comprar seus insumos a no máximo 300km de distância do canteiro de obras, reduzindo sensivelmente a emissão de poluentes pelos caminhões.

Além da questão relacionada ao uso de materiais de baixo impacto ambiental, as construções sustentáveis também são projetadas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa durante toda a vida útil. As principais estratégias adotadas estão relacionadas à eficiência energética, estímulo à redução de transporte individual e sistemas de gestão de resíduos. No caso da eficiência energética, as construções sustentáveis consomem em média 30% menos energia do que as construções convencionais, além de muitas vezes já estarem preparadas para sistemas de co-geração de energia, como previsão para painéis termo-solares, fotovoltaicos e até mesmo energia eólica. Os bicicletários e carros compartilhados passam a se tornar cada vez mais comuns, estimulando os usuários a buscarem formas alternativas ao transporte individual, reduzindo suas emissões ao longo da ocupação do edifício. Por fim, edifícios com sistemas de triagem e coleta de resíduos previamente estabelecidos em projeto estimulam a reciclagem e compostagem, além de se anteciparem a uma política de gestão de resíduos sólidos cada vez mais voltada à redução de emissões, uma vez que os aterros sanitários sem nenhum tipo de triagem são grandes emissores de gases de efeito estufa.

O papel do usuário das construções nas alterações do clima também é muito importante, por dois aspecto. O primeiro refere-se à geração de demanda, uma vez que o principal impulsionador de tecnologias e aprimoramentos na construção é o mercado, ou seja, se os clientes demandam determinada solução ou inovação, as construtoras e fornecedores de materiais rapidamente se adaptam e passam a oferecer tais produtos de modo a não perder a clientela. O segundo aspecto refere-se à maneira com que as pessoas utilizam suas construções, mais conhecida como “comportamento sustentável”. Como as construções sustentáveis ainda são minoria nas cidades, grande parte da população ainda vive em construções sem todos os atributos para reduzir emissões. As ações amplamente difundidas para economia de energia elétrica como banhos mais curtos, apagar as luzes ao sair dos ambientes, utilizar lâmpadas econômicas ou de LED e tantas outras ações contribuem significativamente para a reduzir o aquecimento global.

Estudos em universidades comprovaram que uma construção convencional com um uso totalmente sustentável pode chegar a emitir menos gases de efeito estufa durante 1 ano do que uma construção sustentável com uma utilização sem qualquer responsabilidade ambiental. A maneira com que compramos nossas residências e as utilizamos tem uma relação direta com o aquecimento global, e cabe a cada um de nós definir com qual intensidade iremos contribuir para garantir a sobrevivência das gerações futuras.

* Diretor da Inovatech Engenharia

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