Coworking esquenta mercado de locação comercial em São Paulo
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Coworking esquenta mercado de locação comercial em São Paulo

Mercado paulistano de aluguel de imóveis ganha novo fôlego com aumento do escritório compartilhado na região

Felipe Laurence e Maiara Barboza

02 de junho de 2019 | 06h09

ESPECIAL PARA O ESTADO

O mercado paulistano de aluguel de imóveis comerciais tem sido alavancado por espaços que dão abrigo a coworkings, mostram dados de empresas e consultorias que atuam no mercado imobiliário, como CBRE, Cushman & Wakefield e Grupo Zap. Se a crise econômica fez com que o setor ficasse estagnado por meses, a mesma recessão tem levado proprietários a comercializar grandes espaços parados com vários locatários (os coworkers), no lugar de um só.

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Fato é que essa nova modalidade de escritório – em que várias empresas (de micro a gigantes da economia) sentam próximas uma das outras e dividem a infraestrutura e muitas vezes a rede de contatos – tem ficado cada vez mais popular e movimentado o estoque de imóveis em centros urbanos como São Paulo.

Buscador inédito criado pelo Estadão PME, e publicado na última quarta-feira, 29, traz 230 endereços na capital paulista onde o empreendedor pode instalar sua empresa, concentrado principalmente nas regiões sul e oeste.

De acordo com dados da CBRE, grupo especializado na gestão de imóveis corporativos, que está no Brasil há 40 anos, a taxa de vacância dos aluguéis da capital caiu de 18,6%, no fim de 2018, para 17,7%, no primeiro trimestre de 2019. 

Espaço do coworking Delta BC Paulista II; rede possui ao todo outras quatro unidades em São Paulo. Foto: Werther Santana/Estadão

O número vem acompanhado da entrada de um novo estoque no mercado de escritórios, com a construção de novos imóveis comerciais. Segundo o Grupo Zap, que realiza periodicamente pesquisas com dados do mercado, foram erguidos 31 novos prédios na cidade, frente a apenas 12 em 2017. Para Déborah Seabra, economista do Grupo Zap, esses empreendimentos estão concentrados no eixo Paulista – Faria Lima, “pois são grandes centros de emprego, com alta oferta de serviços e de fácil acessibilidade”.

Segundo a Cushman & Wakefield, um dos líderes globais em serviços imobiliários corporativos, com representação em 70 países, dados do mercado, incluindo de seus concorrentes, mostram que a absorção desses espaços por meio de coworkings representou 5,1% do total de imóveis corporativos de alto padrão comercializados em 2017, 6,94% em 2018 e, até o fim de abril deste ano, já representava 18,08% do total.

Os dados do departamento de inteligência da consultoria, que faz análises mês a mês, apontam que a Vila Olímpia foi a região que mais recebeu coworkings (25.217 m²), seguida de Pinheiros (23.405 m²) e Avenida Paulista (22.322 m²).

Para Adriano Sartori, vice-presidente da CBRE, como os coworkings vivem um “boom” de crescimento em São Paulo, o segmento deverá continuar crescendo em 2019 impulsionado pela chamada nova economia, composta por startups e empresas de serviços tecnológicos.

Burocracia

Dentre os motivos para essa valorização, está o fato de o coworking colocar no mercado um modelo de locação menos burocrático que o tradicional. “Para alugar um imóvel, é preciso fazer um investimento, com três mensalidades ou um seguro-fiança, mas as pessoas preferem utilizar esse dinheiro como capital dentro da empresa”, explica Amanda Ferreira, diretora de marketing da Delta Business Center, grupo que atua desde 2004 no segmento de coworkings e salas privativas.

Outra explicação, conta Sartori, envolve as empresas tradicionais que também estão atrás dos coworkings, visando criar um espaço mais descontraído e que estimule a troca de conhecimentos. “Muitas dessas empresas estão revendo seus espaços internos, deixando eles mais liberais, com áreas mais abertas e espaços compartilhados que favoreçam os encontros entre os escritórios”, analisa. Por outro lado, Sartori vê a valorização desses espaços como barreiras aos novos entrantes, já que a tendência é que os custos fiquem mais altos.

Amanda Ferreira corrobora a tese, já que “o ano de 2018 foi complicado, então tentamos renegociar todos os aluguéis para baixo”. Segundo ela, as regiões da Paulista e da Faria Lima, há um ano, tinham oferta maior de imóveis e negociação mais flexível. “Mas de quatro a cinco meses para cá, as negociações ficaram mais duras, pois com a crescente procura, a oferta diminuiu.”

Entidades como a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e o Secovi-SP (sindicação da habitação) dizem não possuir dados relativos exclusivamente sobre o setor, mas seus representantes veem os coworkings como potencial puxador do mercado.

“O mercado de coworkings consegue ajudar o mercado imobiliário aqui de São Paulo até porque eles sempre vão atrás de prédios com grandes lajes e boa infraestrutura de tecnologia, imóveis que foram os mais afetados pela recessão”, diz Luiz Antonio França, presidente da Abrainc.

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