Crédito facilitado para reformas não dispensa cuidados

Crédito facilitado para reformas não dispensa cuidados

Claudio Marques

30 de julho de 2012 | 14h59

MARIANA TOKARNIA – Especial para o Estado

Taxas reduzidas e prazos estendidos, o cenário parece ideal para financiar a reforma ou a construção de um imóvel. No entanto, economistas alertam que é preciso ter cuidado e conhecer bem o serviço que se está contratando. Na última segunda-feira, a Caixa Econômica Federal anunciou alterações no Construcard – linha de financiamento para compra de materiais de construção. A taxa mínima passou de 1,96% ao mês para 1,40% e a taxa máxima, de 2,35% para 1,85%. O prazo de pagamento foi estendido de 60 para 96 meses.

“É preciso avaliar taxa e prazo, eles não podem ser analisados separadamente”, diz o professor da Fundação Getúlio Vargas Samy Dana. Ele alerta que, apesar da redução da taxa, o total pago pelo cliente também pode aumentar no novo prazo.

Caso fosse feito um financiamento de R$ 50 mil nas antigas condições, o cliente pagaria, à menor taxa, um total de R$ 84,1 mil no prazo máximo. Com as regras atuais, o cliente pagaria R$ 90,2 mil. Por outro lado, a prestação ficou menor. Caiu de R$ 1.450 para R$ 959 ao mês.

“Do ponto de vista econômico, a melhor alternativa é guardar e pagar à vista para evitar os juros. Mas, quanto tempo levaria até que se conseguisse juntar todo o dinheiro?”, diz o vice-presidente da Associação Nacional de Executivos e Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira.

Na caderneta de poupança, por exemplo, com taxa de 0,46% ao mês, os mesmos R$ 959 pagos de prestação renderiam R$ 50 mil em 47 meses, praticamente a metade do tempo. Ou seja, depois de três anos e 11 meses seria possível fazer a mesma compra à vista e economizar cerca de R$ 40 mil. “É preciso avaliar em quanto tempo se quer concluir a reforma.”

Obras. O casal Ricardo de Jesus e Flávia Veronezi contratou o Construcard ainda antes da mudança. Eles optaram pelo financiamento da reforma após utilizar os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para adquirir um imóvel. “Faltou dinheiro para a reforma, mas com o financiamento pudemos compramos os materiais que precisávamos. E negociamos preços, porque os lojistas recebem o pagamento à vista”, diz Jesus. Na época, o casal optou pelo prazo máximo de 60 meses: “Conseguimos ter dinheiro para contratar serviços sem nos preocuparmos com os materiais”, conta.

Construcard. Ricardo de Jesus contratou serviço para fazer o acabamento da nova casa (Foto: Werther Santana).

De acordo com o professor e educador financeiro Mauro Calil, do Instituto Nacional de Investidores (INI), o mais importante é não parar a obra. “Se a reforma é iniciada e abandonada, ela deteriora. O dinheiro que poderia estar rendendo em poupança é perdido em tijolo.”

Segundo ele, os financiamentos de materiais de construção são mais vantajosos que o cartão de crédito, cuja taxa media corresponde a 12,77% ao mês ou 323,14% ao ano, de acordo com levantamento da associação de consumidores Proteste.

Além da Caixa, neste mês o Banco do Brasil também fez alterações na linha Crediário Material de Construção, cuja taxa mínima, antes de 1,60% ao mês, foi alterada para 1,53%. O prazo máximo para pagar passou de 24 para 54 meses.

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