Distrito da Saúde é campeão de lançamentos na capital

Claudio Marques

24 de setembro de 2012 | 13h54

GUSTAVO COLTRI

Os elevados preços do metro quadrado em bairros consolidados e as melhores condições para incorporação nas áreas vizinhas ocasionaram a expansão dos limites do mercado de lançamentos em direção à zona sul de São Paulo. De janeiro de 2011 a agosto deste ano, o distrito da Saúde concentrou o maior número de novos empreendimentos na capital, de acordo com levantamento da empresa de informações imobiliárias Geoimovel.

A região recebeu no período 24 novos projetos com 1.576 unidades autônomas, a maior parte delas de dois dormitórios. “A Saúde é uma opção muito boa à Vila Mariana, que aparece nas nossas pesquisas quando perguntamos onde as pessoas querem morar. Mas a Vila Mariana ficou muito cara e mais inviável”, diz a diretora de atendimento da imobiliária Lopes, Mirella Parpinelle.

De acordo com a Geoimovel, o metro quadrado lançado no período na Saúde, avaliado em R$ 7.304,20, é 23,03% menor do que o do distrito vizinho. A diferença se mantém quando analisados os bairros mais caros de São Paulo – a Vila Mariana ocupa a sétima posição; a Saúde, apenas a 16ª colocação da lista.

O diretor corporativo da empresa, Celso de Sampaio Amaral Neto, atribui a migração de projetos à distribuição dos estoques de outorga onerosa na cidade. Esse mecanismo permite que as incorporadoras, mediante a compra do direito com a Prefeitura, ampliem o potencial construtivo dos terrenos e aumentem o retorno dos empreendimentos.

O distrito da Saúde tem ainda 199.757 metros quadrados de estoque de outorga, de acordo com dados de agosto da Prefeitura de São Paulo. Essa quantidade é praticamente a total prevista em lei para a Vila Mariana – onde, até o momento, 57,48% dos estoques estão comprometidos. “Além disso, na Saúde havia abundância maior de terrenos.”

Em áreas consolidadas, a falta de outorga inviabiliza projetos a preços acessíveis, segundo Amaral Neto, e faz com que as empresas busquem alternativas. “O poder público não deu prosseguimento à revisão do Plano Diretor. Isso está ajudando a inflacionar o preço dos imóveis em algumas áreas consolidadas porque há procura, mas não há oferta.”

O economista chefe do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Celso Petrucci, vê potencial, com o atual estoque na Saúde, para a continuidade do processo de expansão. “Vamos dizer que temos mais espaço para 20 empreendimentos de 10 mil m².” Em 2011, o distrito recebeu 18 empreendimentos.

No caminho. A localização da Saúde também tem sido um diferencial entre as várias regiões paulistanas e atraído empresas do setor. Em um ano, a incorporadora You Inc. lançou três edifícios na área e prepara mais um para o mês de novembro.

“Esse é um bairro extremamente bem estruturado. Tem tudo o que é necessário em serviço, comercio e lazer. Também tem boa localização por causa das linhas de metrô”, diz o gerente de marketing da companhia, Daniel Berrettini. O distrito é cortado pelas linhas metroviárias 1-Azul e 2-Verde.

As principais vias do bairro também são um diferencial, na opinião do diretor de incorporação da Even, Marcelo Dzik. “Ali há acesso fácil à Avenida Paulista, à Avenida 23 de Maio, à Doutor Ricardo Jafet e à Avenida dos Bandeirantes”, diz. Nos últimos três anos, a empresa lançou seis prédios no distrito, com 480 unidades e valor geral de venda (VGV) de aproximadamente R$ 300 milhões. “É uma região mais familiar”, acrescenta.

A imobiliária Abyara Brasil Brokers comercializará na Saúde seis residenciais, além do edifício da You, Inc., até o fim do ano. Os projetos incluem, principalmente, apartamentos de dois e de três dormitórios. “Essa é uma região migratória. Seu público envolve casais jovens ou jovens executivos. São pessoas adquirindo o primeiro imóvel”, diz a diretora de marketing da empresa, Paola Alambert.

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