Em Higienópolis, apartamento mostra estilo com a marca Artacho Jurado

Claudio Marques

09 de novembro de 2013 | 00h22

 

GUSTAVO COLTRI

Entrar no apartamento que o arquiteto Pedro Lira, de 34 anos, colocou recentemente à venda em Higienópolis é uma viagem a meados do século passado. O imóvel reflete perfeitamente o conceito do Edifício Cinderela, inaugurado pelo construtor João Artacho Jurado em 1956.

O prédio tem o visual e o charme daquela época, priorizando largamente o uso de cores – as pilastras na fachada são revestidas por pastilhas rosa e gradis nas sacadas e nas escadas de emergência, pintados de azul anil. As curvas também são abundantes, tanto nos elementos de sustentação do edifício quanto nas paredes vazadas, nos gradis e nos cobogós da fachada – tijolos perfurados cheios de rebuscamentos.

O elevador do prédio também encanta pelo visual antigo, todo revestido em madeira com detalhes dourados. Os metais trabalhados e reluzentes também chamam a atenção nos corrimãos e maçanetas do prédio, inclusive na porta de entrada da unidade do arquiteto.

O ambiente interno mantém o visitante no clima das áreas comuns, cheio de cores. Lira reformou a unidade quando a adquiriu, há três anos, mas procurou aproveitar o conceito do projeto: restaurou os tacos nas áreas sociais da casa, tão pequenos quanto caixas de fósforo, e manteve as pastilhas originais no chão da cozinha e da varanda, com desenhos variados em detalhes verdes e vinho.

“Deixamos quase tudo original no imóvel. Fizemos uma reforma mais estrutural e, além dessa parte, só alteramos uma parede porque o apartamento tinha um hall muito largo. Ganhei com isso um espaço para uma rouparia”, conta.

O banheiro do imóvel, que tem dois dormitórios e 140 metros quadrados, é uma atração à parte. Em conjunto com sua mulher, que também é arquiteta, Lira criou um espaço todo amarelo, levando às paredes a cor da pia e do vaso sanitários antigos. Já o bidê original foi transformado em uma espécie de vaso na varanda. “Temos uma das maiores sacadas de Higienópolis. Jogo bola com meu filho de dois anos e oito meses”, conta. O espaço externo tem em torno de 15 metros de comprimento.

A decoração escolhida pelos moradores também cria um clima especial e colorido. Eles aproveitaram parte do mobiliário da antiga moradora e deram novos usos aos objetos. O antigo espelho do banheiro foi transformado em uma espécie de prateleira no hall, um lustre de bronze e um abajur ganharam tons avermelhados e um cinzeiro, pintado de amarelo, foi transformado em uma jardineira. Além disso, os brinquedos do filho mais velho de Lira mantêm o design do passado.

Com tanto investimento para montar o imóvel, parece difícil imaginar que os moradores queiram deixá-lo. A razão para a venda, segundo o arquiteto, é a necessidade de mais espaço. Há dois meses, uma menina tornou a família maior.

O arquiteto busca opções de moradia em Higienópolis ou na Vila Madalena e imagina que pessoas com senso e interesse estético possam se interessar pelo imóvel. “Aqui tem muitos designers, editores de revistas”, diz. A unidade está sendo vendida por R$ 1,68 milhão e, a uma semana no mercado, já recebeu duas propostas. A cota de condomínio por lá é de R$ 1.280 (informações: www.grazielladosimoveis.com.br).

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