Empresas alertam que descontos vão ficar mais difíceis
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Empresas alertam que descontos vão ficar mais difíceis

Setor projeta alteração do quadro econômico e afirma que redução de preços chegou ao máximo, mas oferece facilidades na entrada

Claudio Marques

20 de agosto de 2016 | 20h29

A instabilidade político-econômica teve reflexos diretos no mercado. Com medo do que poderia ocorrer, clientes adiaram a compra. Isso fez com que o volume de estoque aumentasse, e muito, obrigando construtoras a oferecer descontos atrativos para vender. As empresas botaram o pé no freio dos lançamentos para estabilizar o número de unidades disponíveis na praça. Esse movimento já atinge a política de descontos.

“Ainda existe desconto, mas diminuiu muito”, diz o presidente da Brasil Brokers São Paulo, José Roberto Federighi. “As construtoras estão segurando os aumentos de preço e praticando um preço atrativo, suficiente para dar liquidez.” Segundo ele, embora em velocidade inferior a 2011 e 2012, as vendas estão voltando. “Os imóveis voltaram a estar em voga. As pessoas viram que está atrativo”, diz. Federighi acredita que este segundo semestre será melhor.

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(Foto: Daniel Teixeira/Estadão)

Se está ficando mais difícil negociar descontos, os compradores ainda conseguem barganhar outras facilidades. Uma delas é o parcelamento da entrada durante a obra. Essa condição é oferecida pela Trisul e a You Inc.

“O principal atrativo é a condição de pagamento. Em um lançamento, o cliente tem três anos para pagar o valor que precisaria ter praticamente à vista para comprar o imóvel pronto”, afirma o diretor comercial da You Inc, Felipe Coelho. “Desta forma, quem busca o primeiro imóvel ou um imóvel maior consegue planejar melhor.” Na Trisul, o cliente tem a opção de personalizar a planta e a decoração do imóvel.

Investir em diferenciais e rever o preço para baixo foram estratégias adotadas pela REM. “No caso do Vista Pompeia, reduzimos um pouco o valor da região, que está em R$ 11 mil, em média, e melhoramos o acabamento”, diz o diretor de incorporação da empresa, Rodrigo Mauro. “Entregamos com tubulação de ar-condicionado, a parte fria é toda da Deca, mármore imperial na varanda, o piso da sala é nivelado com o da varanda e a fachada é de cerâmica.”

Alphaville. O cenário não é diferente na Região Metropolitana. De 2014 para cá, o comprador passou a dar as cartas nas negociações. Encurraladas pela queda da confiança – que afastou o consumidor de financiamentos longos –, construtoras e incorporadoras praticaram ofertas consideradas “absurdas” há bem pouco tempo.

“Desde que o mundo é mundo, consumidores esperam levar alguma vantagem financeira na compra”, afirma o diretor regional de Alphaville/Tamboré da Fernandez Mera, Marcelo Cardoso. “Quem estava preparado para realizar sua compra, usou a lei da oferta e procura para negociar, pleiteando descontos maiores.” Segundo ele, dependendo da necessidade dos vendedores, esses compradores conseguiram fazer negócios com valores e condições que “outrora seriam absurdos”.

Precursor dos feirões na região de Alphaville, a MPD Engenharia realiza desde 2012 o Invest Bem, evento que reúne em um único local oportunidades para interessados em adquirir apartamentos ou salas comerciais em condições especiais. “Os clientes têm solicitado descontos cada vez maiores, mas, como entregamos imóveis com diferenciais de acabamento e no prazo, não costumamos atuar com descontos expressivos”, diz o presidente da MPD Engenharia, Mauro Dottori.

Sócio-diretor da Unidades de Negócios do Litoral e Interior de São Paulo da Lopes, Paulo Sergio Santos Pinheiro afirma que este pode ser o melhor momento para o comprador. Ele acredita que o período de feirões e descontos – naturais quando há queda de interesse – estão com os dias contados.

Para Pinheiro, a prática de descontos expressivos para fechar venda chegou ao piso, porque as empresas já praticaram o máximo de desconto que poderiam oferecer sem comprometer o negócio. “Tão logo a economia dê sinais efetivos de melhora e a confiança se firme em patamar mais elevado, os preços imediatamente devem subir”, diz. “Este talvez seja o melhor momento para o comprador, pois daqui para a frente a tendência é de subir o preço.”

(Por Larissa Féria e Patrícia Büll, especial para O Estado de S. Paulo)

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