Estilo familiar e infraestrutura são atrativos na Lapa

Construtores e incorporadores ainda veem oportunidades de crescimento em algumas áreas do tradicional bairro da zona oeste

EDILAINE FELIX

23 de agosto de 2015 | 07h07

Região com presença histórica atende público de médio e alto padrão
Região com presença histórica atende público de médio e alto padrão

“A região tem casas, prédios, a área fabril da Vila Leopoldina, a Vila Romana. A região é habitada por um público de médio e alto padrão”, diz o vice-presidente comercial da Abyara Brasil Brokers, Bruno Vivanco, que destaca ainda que o bairro planejado Jardim das Perdizes, parceria da Tecnisa com a PDG, na vizinha Barra Funda, influencia o mercado imobiliário da Lapa.

Segundo Vivanco, devido a magnitude do projeto – com 11 condomínios independentes, 25 torres residenciais, um hotel, uma torre comercial corporativa, uma torre com salas comerciais e um misto com lojas, além de 50 mil metros quadrados de área verde – o entorno da Barra Funda, incluindo a Lapa, são influenciados em preço e estilo de empreendimentos.

“O Jardim das Perdizes é uma referência e um balizador importante de preço para toda a região. Além de todo o planejamento urbano que muda toda a cara da região”, diz Vivanco.

O vice-presidente da Abyara destaca ainda que a região da Lapa ainda tem espaço para crescimento. “Vila Romana tem o maior potencial de crescimento local, assim como a Vila Leopoldina tem potencial de verticalização”, diz.

Por outro lado, o diretor de negócios da Gafisa, Octávio Flores ressalta que o Jardim das Perdizes levou mais valorização para a Barra Funda mesmo. “Não acho que o projeto teve tanta influência no Alto da Lapa, por exemplo, que já é mais valorizada”, diz.

Segundo ele, não houve mudança de preços nos bairros que já tem presença histórica, consolidado na cidade. “Todos que estão no bolsão do entorno da Barra Funda têm vida própria. O Jardim das Perdizes levou o foco e valorizou os terrenos.”

Flores destaca a presença histórica da Lapa, com a construção de casas e as chegada de edifícios residenciais. Segundo ele, há a Lapa tradicional com ruas como Cerro Corá, Diógenes Ribeiro de Lima, São Gualter e outros bairros como Vila Ipojuca, Barra Funda, que segundo ele, não faz parte da “tradicional Lapa”.

A região se consolidou, tem infraestrutura, escolas, supermercados, comércio, parques, shoppings, além de acesso facilitado para as marginais e transporte público. O bairro é estratégico para localização e tem estilo familiar. “Por isso, a Gafisa tem presença na Lapa há mais de 20 anos, com edifícios de alto padrão”, diz Flores.

A Gafisa adquiriu um terreno no Alto da Lapa antes do Plano Diretor e conseguirá, segundo Flores, construir um empreendimento com a cara do bairro: unidades para a família, com 122 metros quadrados, três dormitórios, dois por andar, duas vagas de garagem e infraestrutura interna e nos arredores.

“Queremos continuar na região. É uma característica do bairro atender mais família, não há muito interesse pelos singles, estúdios e compactos. Quem está na Lapa quer morar na Lapa. Filhos de moradores que estavam fora do bairro tem voltado para a região.”

Flores defina bem os limites da Lapa, e destaca que a Vila Romana, Vila Ipojuca e até Alto de Pinheiros nos arredores também tem excelente infraestrutura. Segundo ele, o preço médio do metro quadrado no local está acima de R$ 10 mil.

Para morar. A Vila Leopoldina, antes reduto de galpões e indústrias, que está ao lado da Lapa, ganhou ares residencial nos últimos anos. “A valorização dos bairros vizinhos é muito importante para a valorização da própria Lapa”, diz a gerente de marketing e vendas da Benx Incorporadora – empresa que lançou um empreendimento no bairro, Renata Brasileiro Lima.

De acordo com ela, quanto mais a Vila Leopoldina se desenvolve, cresce e se valoriza na parte residencial, mais ofertas de serviços, compras e lazer surgem na região que atendem também a vizinhança.

“O cliente quer um bom investimento. Muitas pessoas também buscam reduzir o tempo que perdem diariamente no trânsito, já que o bairro tem uma localização estratégica, no encontro das Marginais Pinheiros e Tietê, com acesso fácil às rodovias Castelo Branco, Bandeirantes e Anhanguera. Buscam, ainda, mais qualidade de vida: um bairro tranquilo, com muitas opções de serviço e lazer, e apartamentos mais novos e espaçosos, com áreas de lazer completas”, diz Renata.

A gerente da Benx ressalta que o bairro ainda tem espaço para continuar se expandindo. O lançamento da incorporadora tem apartamentos de 50 metros quadrados a 86 m² com preço do metro quadrado acima de R$ 8,5 mil.

Comércio, serviços e residências disputam a região
Comércio, serviços e residências disputam a região

Empreendimentos novos balizam preço de usados

“O mercado de imóveis usados está diretamente ligado ao de novos”, diz o vice-presidente executivo da VivaReal, Lucas Vargas. Segundo ele, o preço de unidades usadas são valorizadas quando o bairro recebe um empreendimento novo.

“O lançamento tem valor, em média, 30% acima do usado. E já na entrega do imóvel novo, o preço do antigo se aproxima e fica alinhado”, ressalta Vargas.

Segundo ele, nos últimos 12 meses o bairro da Lapa valorizou mais que a vizinha Barra Funda. O valor do metro quadrado subiu 6,76% e chegou ao preço médio de 8,5 mil o m².

O executivo da VivaReal ressalta que a Lapa tem características interessantes para o morador, o que estimulou novos empreendimentos. O bairro está próximo da região central da cidade, com fácil acesso as marginais, a estações de metrô e trem, corredores de ônibus, além de completa infraestrutura de comércio e serviços.

Vargas destaca que em 2005, a Lapa passou por uma desaceleração e que no ano de 2010 a região ganhou novos empreendimentos residenciais.
“O consumidor encontra boas oportunidades na Lapa, bairro que desperta interesse e que tem demanda”, diz Vargas.

Usados. De acordo com dados do índice Fipezap, o preço do metro quadrado do imóvel à venda no bairro da Lapa foi de R$9.011 em julho, variação positiva de 0,3% em relação ao mês de junho deste ano, quando o preço do metro quadrado no local foi de R$ 9.345.

A Barra Funda, bairro vizinho da Lapa, apresentou leve queda de 0,1% no preço do metro quadrado em julho. O metro quadrado do imóvel usado no bairro ficou em R$ 8.585 o m², contra R$ 8.598 em junho.

O valor do metro quadrado do imóvel usado no Alto da Lapa também apresentou leve recuo de 0,4%, passando de R$ 9.383 em junho para R$ 9.345 em junho. Na Vila Leopoldina, o m² em junho ficou em R$ 9.327,leve alta de 0,4%.

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