Executivo busca alto padrão; família quer lazer para os filhos
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Executivo busca alto padrão; família quer lazer para os filhos

Já o inquilino ‘clássico’ da cidade almeja, em sua maioria, imóveis de dois dormitórios e com fácil acesso ao transporte público

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29 Julho 2018 | 07h10

O executivo italiano Pedro Pedretti e sua mulher, Ivana. Foto: Gabriela Bilo/Estadão

Jéssica Díez Corrêa, especial para o Estado

Além do estudante, é possível identificar mais três perfis recorrentes que alugam em São Paulo. São eles: executivo, família e idoso, cada um com expectativas e preferências distintas.

Executivo. A denominação se refere a pessoas sem filhos, com padrão de vida alto e, usualmente, que precisam mudar muito de cidade por conta do trabalho. Também é comum morarem em uma cidade e trabalharem em outra. “Neste caso, usam o apartamento para não ter de ficar transitando de um lugar para outro”, comenta a diretora da Lello Imóveis, Roseli Hernandes. “Têm um nível melhor e querem conforto, e não se incomodam em pagar um pouco mais.”

Os executivos buscam residência em regiões nobres, próximas aos polos de negócio da cidade e com fácil acesso ao trabalho. Prezam por condomínios de alto padrão com serviços e área de lazer. “Quanto maior a gama de facilidades para o dia a dia, melhor. Lavanderia, piscina, restaurante, cozinha, lounges e espaços para trabalho e atividades físicas são supervalorizados”, afirma o diretor comercial da Tarjab Incorporadora, Giovanni Grossi.

Representante de uma importadora europeia, o italiano Pedro Pedretti, de 44 anos, mora em um condomínio em Cotia com sua mulher, Ivana. Um dos motivos pelos quais o casal escolheu o imóvel, que está a 10 minutos do emprego de Pedretti – foi a variedade de serviços oferecidos. “Tudo para socializar e cuidar da saúde sem precisar de deslocamento”, diz ele.

Além disso, a segurança do empreendimento e a faixa de preço do aluguel, que é pago pela empresa em que ele trabalha, foram outros fatores considerados na escolha da moradia. O executivo está no Brasil há cinco anos e conta que tem pretensão de adquirir moradia fixa no País. “Quando o imóvel certo e a estabilidade do negócio se juntarem, vou pensar em comprar.”

Daniela Picirilo vive com a família no Morumbi. Foto: NIlton Fukuda/Estadão

Família. Este é um perfil clássico e muito frequente. “O público single cresceu bastante, mas o aluguel para famílias ainda é muito buscado”, afirma a diretora da Lello. Para as famílias, há três fatores importantes na escolha de um imóvel. O primeiro diz respeito à localização. “Estar próximo da escola dos filhos é o principal”, afirma o diretor comercial da Lopes Imóveis, Mario Colli.

De acordo com ele, as regiões mais visadas são aquelas que oferecem serviços, sem necessidade de muita locomoção. “O tempo é limitado, e os pais precisam de agilidade.”

O segundo ponto relevante para famílias é a segurança. A comerciante Daniela Picirilo, 43 anos, morava com o marido e as três filhas, hoje com 11, 7 e 6 anos, em uma casa no Morumbi quando alugou um apartamento menor no mesmo bairro, há três anos. “A rua da minha casa era muito assaltada, e no condomínio nos sentimos mais seguros.”

Atualmente, Daniela está pensando em comprar esse apartamento. “Isso é recorrente. As famílias procuram imóveis que sejam para venda e locação, porque eles entendem que há a possibilidade de fazer uma proposta, caso se adaptem bem ao local”, comenta Colli.

O terceiro fator determinante na escolha do residencial e, não menos importante, é a área de lazer. “A família dá preferência a ambientes com uma boa área verde, facilidade de brincar com as crianças e passear com o cachorrinho”, diz Colli.

É o caso de Juliana Martinez, 40 anos. Ela é enfermeira e está se mudando do imóvel em que vive para um apartamento menor, porém com espaços de lazer no condomínio. Tudo para garantir o bem estar da filha, de 10 anos. “Ela é muito sociável e gosta de brincar com outras crianças, ao ar livre. É bom para o desenvolvimento da dela”, diz Juliana.

A síndica de condomínio Jailma Araujo concorda: “Nos prédios, a criança pode socializar e desenvolver sua parte lúdica em um ambiente seguro”.

Idoso. O idoso que aluga imóvel menor após os filhos saírem de casa é cada vez mais visto nas imobiliárias, garantem os profissionais do setor. “A mudança do perfil da cidade, demandas novas e mesmo a segurança fizeram com que muitos idosos preferissem alugar suas casas e mudar como inquilinos para imóveis mais práticos e em condomínios que lhes facilite o cotidiano”, afirma a gerontóloga Suyen Miranda.

Os mais velhos não necessariamente buscam sossego, mas querem aproveitar a cidade em áreas com comércio e acesso ao transporte. “Quanto mais a região for servida por lojas, shoppings e parques, oferecendo opções de lazer, mais ela será agradável para este público”, diz Suyen.

A aposentada Lucia Chicoli, 76 anos, mora sozinha em imóvel alugado próximo a uma avenida movimentada na zona leste. “Tem tudo perto. Eu não pago condução, então pego metrô e passeio, vou para o shopping.”

Sua única reclamação diz respeito à área de lazer do imóvel. Para ela, a taxa condominial é muito cara, “pois o prédio não tem sequer uma academia”. Por isso, está procurando outro lugar. “Aqui, o condomínio sai mais caro que o aluguel.” / Colaborou Mateus Apud, estagiário sob supervisão do Editor de Suplementos, Daniel Fernandes

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