Fronteira imobiliária chegará ao distrito de Santo Amaro

Claudio Marques

25 de setembro de 2012 | 11h09

GUSTAVO COLTRI

A região ao sul do Brooklin será uma das principais novas fronteiras do mercado imobiliário paulistano nos próximos anos. Essa movimentação ainda ocorre de maneira tímida no distrito de Santo Amaro, mas deve se intensificar no decorrer da década, segundo profissionais da área.

A região limítrofe com o distrito do Itaim Bibi, no fim da Avenida Doutor Chucri Zaidan, vive atualmente uma efervescência e vai receber empreendimentos de alto padrão ainda no segundo semestre. Um deles é o Parque da Cidade, projeto da OR – Odebrecht Realizações Imobiliárias com sete prédios de uso misto.

Os edifícios contarão com torres corporativas, residenciais, hotel e um centro comercial e serão erguidos em um terreno de 80 mil metros quadrados ao lado da Marginal Pinheiros. O complexo será o maior da cidade em área construída. Terá, ao todo, 595 mil m² e deve ficar totalmente concluído em dez anos.

Nas proximidades, há ainda a previsão de um lançamento residencial da incorporadora Trisul e terrenos já identificados por empresas como a Yuny – todos voltados ao atendimento da demanda na área onde será realizada a extensão da Chucri Zaidan. As obras, que levarão a via até a Avenida João Dias, integram a Operação Urbana Água Espraiada, da Prefeitura.

Essas e outras intervenções, como a Linha 5-Lilás do metrô, devem impulsionar o desenvolvimento da área, de acordo com o professor titular de Real Estate na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) João da Rocha Lima Junior. “Essa vizinhança até a Avenida Santo Amaro vai ser explorada porque é onde há espaço na zona sul”, estima. “Nos próximos cinco ou seis anos, vai haver um boom de lançamentos.”

A diretora geral de vendas da imobiliária Coelho da Fonseca, Fátima Rodrigues, acredita que o desenvolvimento das áreas se dará no prolongamento do eixo corporativo ao lado da Marginal. “A região tem muitos projetos comerciais. Sempre que ocorre uma situação como essa, o entorno, com certeza, carrega o residencial”, diz.

Por outro lado, o coordenador do curso de pós-graduação em negócios imobiliários da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Ricardo Gonçalves, espera o avanço gradual do mercado. Segundo ele, os lançamentos somente ganharão um ritmo mais acelerado quando as mudanças infraestruturais prometidas se concretizarem. As obras do prolongamento da Avenida Chucri Zaidan, por exemplo, ainda não foram iniciadas. Já as obras da linha 5-Lilás do metrô somente devem ser concluídas em 2015.

Atualmente, o desenvolvimento regional se dá onde o zoneamento permite – áreas como o Alto da Boa Vista e a Granja Julieta têm restrições à verticalização. De acordo com dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), o agrupamento entre as regiões da Chácara Santo Antônio, Alto da Boa Vista e Santo Amaro tiveram, de janeiro de 2011 a agosto deste ano, cinco lançamentos e 688 unidades.

Prontos. Ainda que de forma moderada, a expansão imobiliária em Santo Amaro têm alterado o preço de imóveis prontos na região. Segundo estudo do portal Agente Imóveis, o metro quadrado anunciado no Alto da Boa Vista, em R$ 6.144, variou 11,65% de maio a agosto. Ainda pelo levantamento, o valor total pedido para venda na área caiu 16,04%, chegando, em média, a R$ 1.201.738.

“A amostra da pesquisa é de imóveis menores e mais caros proporcionalmente do que os existentes antes. Estão construindo prédios onde é permitido no Alto da Boa Vista”, diz o professor de real estate da (Poli-USP) João da Rocha Lima Junior.

A área tem poder atração para consumidores em ascensão financeira de localidades mais ao sul do distrito, segundo a diretora geral de vendas da Coelho da Fonseca, Fátima Rodrigues. “A região da ponte Transamérica sempre teve a inspiração grande de ir para outro lado da Avenida Santo Amaro.” O movimento repete-se, segundo ela, em outras regiões, como a Granja Julieta.

De acordo com o levantamento do Agente Imóvel, a Vila Cordeiro, também em Santo Amaro, e a Granja Julieta figuram entre as áreas com maior valorização do metro quadrado na capital. Os preços na Vila Cordeiro subiram 12,19% de maio a agosto, chegando a R$ 7.171. Já na Granja Julieta, formada principalmente por casas de grande metragem, a alta foi de 10,23%, com o metro quadrado avaliado em R$ 6.338.

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