Imobiliárias digitais superam negócios tradicionais e batem recorde na pandemia

Crescimento dos grupos especializados no segmento online superou em até 10 vezes a média do setor e tendência é que movimento continue

Bianca Zanatta

21 de março de 2021 | 05h00

Especial para o Estadão

Na corrida para driblar os obstáculos trazidos pela pandemia da covid-19, as imobiliárias digitais largaram na frente. Enquanto o resto do setor teve de se familiarizar às pressas com diferentes tipos de tecnologias e migrar todos os processos para o mundo virtual, os negócios que já nasceram com DNA digital estavam prontos para atender às novas demandas do mercado.

Da visitação à negociação e assinatura de contrato, tudo já acontecia online, fazendo com que as startups tenham superado em até 10 vezes o crescimento geral do segmento em 2020, que foi de 9,8%, de acordo com um levantamento da Câmara Brasileira da Indústria e Construção (CBIC).

É o caso da paulistana AoCubo, que teve um salto de 100% nos dois primeiros meses de 2021 em relação ao mesmo período de 2020, tanto em receita quanto em unidades negociadas, e tem planos de expandir ainda este ano para a Grande São Paulo e interior do estado. Segundo Ronnie Sang Jr, CEO e fundador da empresa, o fator digital fez toda a diferença. “Toda a parte de geração de campanhas de marketing, atendimento e qualificação de leads já era automática e digital, com tecnologia proprietária”, diz.

Nascida em janeiro de 2020 como braço tecnológico da imobiliária Judice & Araujo, a carioca HomeHub é outra que fez um golaço na pandemia, vendendo R$ 290 milhões em imóveis no Rio de Janeiro em seu primeiro ano de vida. O faturamento do grupo foi de R$ 12,8 milhões no período e a expectativa para 2021 é que chegue a R$ 16,5 milhões. “Os primeiros meses do ano confirmam a tendência”, diz o CEO Rodolfo Judice, calculando que o número de vendas por meio de contratos digitais deve chegar a 90% do total em 2021.

Maior imobiliária digital do País, a QuintoAndar superou a marca de R$ 50 bilhões em ativos sob gestão no começo do ano. Apesar de a pandemia ter causado uma retração geral, o incentivo para que as pessoas usassem mais as ferramentas digitais fez com que a empresa superasse as próprias expectativas. “A nossa retomada foi mais rápida do que a gente esperava”, fala o diretor de comunicação, José Osse. Segundo ele, o negócio de compra e venda de imóveis residenciais da imobiliária, lançado pouco antes do início da crise, também deslanchou. “Com um ano de operação, já fechamos atualmente 10 contratos de venda por dia.”

O executivo acredita que o modelo de negócio foi posto à prova no limite em 2020 – e ficou de pé. “A Proteção QuintoAndar, que é a base do nosso modelo, funcionou como deveria e nenhum proprietário nosso ficou sem receber o aluguel em dia, mesmo nos momentos mais críticos da pandemia.”

A Housi, primeira plataforma de moradia por assinatura do mundo, também alçou altos voos no novo cenário. Ao oferecer uma solução para locação 100% digital e sem burocracia, com imóveis mobiliados e diversos serviços e facilidades agregados, como limpeza, manutenção, suporte 24 horas, Netflix e personal trainer, a startup saltou de R$ 3,5 bilhões em imóveis geridos na capital paulista no início de 2020 para R$ 10 bilhões em 2021.

Comandada pelo CEO Alexandre Frankel, a empresa quer chegar a R$ 30 bilhões de ativos até o final do ano, expandindo para mais de 80 cidades em outros Estados, como Curitiba, Porto Alegre, Recife, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa e Rio.

De olho no Brasil

O potencial do mercado brasileiro chamou atenção da eXp Realty, imobiliária digital com sede na nuvem fundada pelo americano Glenn Sanford. Com forte atuação nos Estados Unidos e operando em outros nove países, a empresa teve seu ano mais lucrativo em 2020, com aumento de 84% na receita, que registrou mais de US$ 1,8 bilhão.

Por aqui, ela fincou bandeira em fevereiro sob o nome de eXp Brasil. Quem está à frente da operação é o mineiro Ernani Assis, que teve passagens pelo Grupo ZAP e pela Re/Max Brasil. “O Glenn quis criar uma jornada ‘mais Amazon’ e decidiu montar um negócio 100% online em 2009, quando a ideia ainda era totalmente nova”, diz.

A eXp Realty já nasceu fora da caixa, inspirada em universos virtuais como Second Life. Funcionários e corretores têm seus avatares e circulam pelo eXp World, onde fazem reuniões, andam de lancha, assistem a treinamentos e aulas, tomam café juntos e trocam experiências. “É uma oportunidade para que todos sejam iguais e tenham o mesmo acesso, sem precisar comprar franquia ou depositar um caminhão de dinheiro”, explica Assis.

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