Imóvel em São Paulo perde 10 metros quadrados nos últimos dez anos
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Imóvel em São Paulo perde 10 metros quadrados nos últimos dez anos

Movimento reflete crise econômica e poder de compra do consumidor, que topa imóvel menor, porém mais bem localizado

Júlia Zillig

12 de maio de 2019 | 06h10

ESPECIAL PARA O ESTADO

O engenheiro civil Rodney Schiavon adquiriu um estúdio de 35 m² na região da Bela Vista, após mais de seis anos morando de aluguel. Segundo ele, a escolha do imóvel e da localização foi estratégica. “Eu queria um apartamento cujo preço estivesse adequado à minha realidade financeira. Além disso, vou para o trabalho a pé em 15 minutos.”

Exemplos como o de Rodney reforçam a mudança que o estilo de morar vem sofrendo nos últimos anos. A busca por apartamentos cujo preço cabe no bolso – mesmo com tamanho reduzido, porém bem localizados – levou construtoras a investirem em empreendimentos com unidades de metragens cada vez menores. Em 2008, segundo estudo do Secovi (Sindicato da Habitação), a área útil mínima de um apartamento de um dormitório em São Paulo era de 28,12 m². Hoje, é em média de 17,66 m².

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Segundo Arthur Igreja, professor da FGV-RJ e especialista em inovação, a crise econômica foi um dos principais fatores que levaram ao encolhimento dos imóveis. “As pessoas não conseguiam mais comprar apartamentos amplos com a redução da renda e o preço deles corrigidos acima da inflação. Acabaram optando por apartamentos menores, porém tiveram a oportunidade de morar em bairros mais bem localizados sob o ponto de vista da mobilidade.”

Soma-se a isso, segundo Lucas Araújo, superintendente de marketing da construtora Trisul, o aumento do preço dos terrenos e dos materiais de construção. Araújo conta que, há dez anos, predominavam apartamentos menores em regiões comerciais como Paulista e Berrini. “Havia grande oferta de flats e hotéis. E alguns estúdios.” Hoje, estão espalhados por vários bairros da cidade, como Pinheiros, Vila Mariana, Higienópolis, Santa Cecília, Paraíso, Pompeia, Campo Belo, Cerqueira César, Perdizes e Moema.

O engenheiro Rodney Schiavon em seu apartamento de 35 metros quadrados na Bela Vista. Foto: JF Diorio/Estadão

“Nós levamos em conta a estrutura em volta do terreno antes de fazer a construção do empreendimento. As pessoas querem ter a vida em torno de sua moradia”, explica David Rubinsohn, diretor estatutário e sócio da incorporadora You, focada em imóveis para esse segmento.

Na Grande São Paulo também já existem alguns movimentos nesse sentido. A construtora Danpris está apostando em apartamentos com metragens entre 30 m² e 42 m² em locais como Osasco, Barueri e Carapicuíba. “Procuramos locais que privilegiem o acesso fácil às estações de trem, escolas, hospitais e comércio para facilitar a vida do morador”, afirma Dante Seferian, CEO da empresa.

Extensão da casa

O perfil de pessoas que habitam os apartamentos com metragem reduzida é variado. Envolve estudantes, executivos, divorciadas, casais de aposentados e também investidores, pois são unidades com boa liquidez. “Nos prédios feitos pela MAC para esse mercado, entre 12% e 18% das unidades são ocupadas por casais que preferem morar em locais menores após os filhos terem saído de casa”, enfatiza Ricardo Pajero, gerente comercial.

A aposentada Izabel Arieta e o engenheiro Roberto Arieta decidiram comprar um apartamento de 20 m² na região central da cidade, após anos de sufoco. “Nós morávamos na Penha e eu demorava duas horas para chegar na empresa de carro. E de metrô eu mal conseguia entrar no vagão no horário de pico.” Logo nos primeiros dias do novo imóvel, os ganhos já foram sentidos. Roberto agora leva 20 minutos a pé para ir ao trabalho. “Ainda consigo chegar a tempo de ir à academia do prédio”, diz. E Izabel está aproveitando para conhecer o centro da cidade.

Para contrabalancear os espaços internos reduzidos dos apartamentos, as construtoras apostam nas áreas comuns como extensões das unidades. Os condôminos podem usufruir de lounge, lavanderia, cozinha gourmet, coworking e até espaço para armazenar alimentos e para compartilhar utensílios. “O objetivo é não deixar faltar nada no dia a dia desse cliente”, destaca Piero Sevilla, diretor de incorporação da Cyrela. Na visão de Marcelo Dzik, diretor comercial e de clientes da Even, os ambientes permitem que o morador conviva fora da unidade.

Para os entrevistados, empreendimentos com esse perfil é um caminho sem volta. “Apesar de uma retomada tímida da economia, o Brasil só vai voltar a crescer de fato daqui a alguns anos. Enquanto isso, o brasileiro vai continuar com a renda mais enxuta, investindo em imóveis menores”, analisa o professor Arthur Igreja.

Lançamentos pequenos

You
Bairro: Pinheiros (a partir de 25 m²)

Trisul
Bairro: Vila Mariana (a partir de 27 m²)

MAC
Bairro: São Judas (a partir de 25,6 m²)

TPA
Bairro: Centro (a partir de 19,7 m²)

Even
Bairro: Bela Vista (a partir de 23 m²)

Cyrela
Bairro: Ibirapuera e Centro (a partir de 27 m²

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