Infiltração em garagem é dor de cabeça para prédios

Infiltração em garagem é dor de cabeça para prédios

Infiltração em estacionamentos localizados no subsolo dos empreendimentos pode ter origens diferentes e, por isso, a resolução do problema requer analise especializada

Claudio Marques

15 de janeiro de 2017 | 07h22

O síndico Thiago Felício à frente da parede da garagem com infiltração. Foto: Felipe Rau/Estadão

O síndico Thiago Felício à frente da parede da garagem com infiltração. Foto: Felipe Rau/Estadão

Márcia Rodrigues / Especial para o Estado
A infiltração é uma das principais causas de dor de cabeça que podem surgir nas garagens dos edifícios com o passar dos anos. Só para se ter uma ideia, dos 2 mil condomínios gerenciados pela administradora Lello, uma das maiores de São Paulo, 20% fazem esse tipo de reparo todos os anos. Seja por algum erro no projeto ou pela falta de manutenção, essa situação pode desencadear uma série de outros transtornos.
Uma trinca aberta em consequência desse motivo pode gerar um problema puramente estético e não significar nada, ou indicar algo grave. Por isso, é importante acompanhar como está evoluindo, ouvir a opinião de um especialista para descobrir o motivo do surgimento e o que deve ser feito.
Muitas vezes, colocar calhas na garagem para evitar que a água caia nos carros, pode piorar a situação no futuro, de acordo com especialistas. Esse vazamento é capaz de danificar a armadura (o aço) da peça estrutural, aumentando a gravidade da situação.
O diretor da empresa de impermeabilização Penetron, Cláudio Ourivesa, afirma que infiltração de água em um pvimento no subsolo, como garagens, pode ocorrer pelo teto, elevadores e reservatórios enterrados. Mas, também, pela parede e, em alguns casos, carregando solo junto com a água, o que pode provocar recalques em terrenos vizinhos.
Quando ela surge do piso do último subsolo, a quantidade de água jorrada pode ser tanta, que gera o acúmulo de água no local, sendo até capaz de provocar fissuras e deformações, obrigando o espaço a ser inutilizado.
Antes de iniciar qualquer obra, é importante fazer o diagnóstico. É o tipo de infiltração que vai determinar se será necessário fazer a impermeabilização da área térrea externa do prédio, por exemplo, ou, apenas, fazer pequenos reparos.
Se forem pequenas fissuras que não comprometem a estrutura, é possível colocar argamassa e pintar. Se houver a necessidade de impermeabilizar, a melhor opção, de acordo com Ourives, é utilizar a argamassa de cristalização – feita com um composto à base de cimento e aditivos que reage com o concreto na presença de umidade.
Em obras. O síndico Thiago Felício André precisou iniciar uma obra para impermeabilizar a garagem do seu prédio há três meses. De acordo com ele, apesar de o edifício ter apenas sete anos, ele foi construído na base de outra obra que estava pronta havia 15 anos e, por isso, já é possível observar o desgaste do empreendimento.
Ele comenta que há um ano começaram a aparecer fissuras das quais jorravam água e barro, vindos do lençol freático. “Nosso empreendimento fica próximo ao Rio Pinheiros, por isso tivemos esse problema.”
André diz que o condomínio contratou um perito e identificou que a causa era de falta de impermeabilização. Iniciou-se, então, o revestimento com argamassa polimérica para garantir a vedação da parede. Agora, começou a fase de implantação da argamassa de cristalização.
Ao todo, o reparo vai custar R$ 75 mil. A área tratada corresponde a 300 metros quadrados. “Depois de muita pressão por parte do condomínio, a construtora arcou com parte dos custos. O restante ficou por conta dos condôminos.”
De acordo com Ourives, os serviços de impermeabilização oferecem garantia de cinco anos. “Algumas argamassas permitem a liberação do local para circulação em até três horas.”
O preço de uma obra com a aplicação de argamassa cristalizada varia muito, segundo o executivo, mas custa, em média, R$ 80 o metro quadrado. A injeção de resina para cobrir fissuras tem preço um médio de R$ 400 por metro linear.
Concreto. Além da infiltração, outro problema que aflige as garagens é o desgaste do piso. De acordo com o presidente da Associação Nacional de Pisos e Revestimentos de Alto Desempenho (Anapre), Alexis Joseph Steverlynck Fonteyne , o descolamento do piso não é um problema que chega a afetar a estrutura do prédio. “No entanto, ele começa a produzir pó demais, a ponto de ficar uma situação insuportável para os moradores.”
Ele pode ser resolvido com o revestimento de epóxi, material feito com uma tintura à base de plástico que endurece quando misturado com outros agentes químicos. Esse tipo de revestimento possui grande durabilidade, permite acabamento perfeito, liso e brilhante e o condomínio ainda pode escolher a cor desejada para a aplicação, segundo Fonteyne.

Como identificar o problema

 Inspeção
Em primeiro lugar, deve-se fazer uma inspeção com um profissional especializado para diagnosticar o problema.
 Infiltração
Se for identificada infiltração no teto da garagem, por exemplo, é preciso avaliar qual tipo de impermeabilização foi executada. Há revestimentos e jardineiras na área acima?
Precaução
É importante sempre proteger e impermeabilizar o piso térreo para não deixar que a água penetre na estrutura.
Reparos
Se for um problema de infiltração localizado, há métodos de reparos em fissuras e juntas frias da laje, que impedem a deterioração e a corrosão causada pelo fluxo de água e que podem ser feitos pelo lado inferior da laje. Esses procedimentos são adotados, normalmente, para estender a vida útil da estrutura enquanto uma decisão definitiva a respeito de uma reforma mais profunda não é tomada.
Tratamento
Uma das formas para tratar infiltrações é a cristalização. É indicada tanto para áreas externas quanto para setores onde as infiltrações são resultantes da cortina freática.
Desgaste do concreto
O descolamento do piso não é um problema que pode afetar a estrutura do prédio. No entanto, ele começa a produzir pó demais a ponto de provocar uma situação insuportável, segundo especialistas. Ele pode ser resolvido com o revestimento de epóxi.

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