A infraestrutura e o charme de Perdizes

A infraestrutura e o charme de Perdizes

Claudio Marques

22 de março de 2014 | 13h57

Para os interessados em infraestrutura de comércio, serviços, cultura e lazer, além de acesso facilitado para outras regiões, Perdizes, localizado na zona oeste, é uma boa opção. Morador do bairro há 27 anos, Michele Cammarota, de 68 anos, lembra de quando o bairro era tranquilo e havia apenas dois prédios em sua rua, a Aimberê. “Hoje, há bastante agito e trânsito e prédios em todas as vias.”

Atualmente, ele vive somente com a mulher em um apartamento de 120 metros quadrados que já abrigou o casal e suas três filhas. Duas delas, aliás, continuaram a morar no bairro depois de casadas, em razão das facilidades que a região oferece.

“Consigo fazer tudo por aqui mesmo, há infraestrutura de comércio e de serviços e acesso para todos os lugares”, diz Cammarota. Ele destaca a comodidade de estar a apenas cinco quilômetros do centro e dispor de farto transporte público.

Cammarota. No bairro há 27 anos. (Foto: WERTHER SANTANA/ESTADÃO)

Nem mesmo as íngremes ruas do lugar desanimam Cammarota. Embora ele reconheça que, muitas vezes, é preciso ir de carro até a padaria, devido a dificuldade de subir ou descer, ele vê o lado bom e brinca: “O dia em que Perdizes alagar é porque o mundo acabou.” Apesar das ladeiras, ele afirma que não pretende deixar o bairro.

Camamarota diz que o edifício em que reside possui perfil familiar. Os condôminos têm em média 40 anos, ele avalia, sendo que a maioria é de casais com filhos. “Não é comum ver apartamentos para vender ou alugar aqui (no prédio). Acho que as pessoas gostam de morar em Perdizes.”

Crença. O diretor de prontos da Abyara Brasil Brokers, Ricardo Carazzai, conta que a alta procura por imóveis no bairro levou a empresa a abrir uma loja na zona oeste, para atender melhor o público local.

“Perdizes tem infraestrutura, comércio, saídas facilitadas para outras regiões e para rodovias, com movimento durante a semana e tranquilidade aos finais de semana”, diz Carazzai.

Os imóveis comercializados pela Abyara Brasil Brokers na região tem valores pedidos entre R$ 800 mil e R$ 1,8 milhão. “O tíquete do bairro não é baixo”, complementa.

“Perdizes é desejado, é um bairro de médio e alto padrão, com metro quadrado acima de R$ 10 mil e que tem demanda local”, diz o vice-presidente comercial da imobiliária Abyara Brasil Brokers, Bruno Vivanco. Segundo ele, ainda há lançamentos no bairro. No entanto, ele lembra que não existe mais oferta de grandes terrenos por ali, para novas incorporações.

Opção. Para a diretora de atendimento da Lopes, Mirella Parpinelli, Perdizes sempre foi uma opção ao preço mais elevado dos imóveis nos Jardins. Também por isso, segundo ela, sempre foi um bairro desejado.

Segundo dados da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), entre fevereiro de 2013 e fevereiro de 2013 e fevereiro de 2014, o preço médio do metro do metro quadrado em Perdizes foi de R$ 12.422. Já nos Jardins, o preço atingiu R$ 19.036, no mesmo período.

Mirella destaca as boas opções de colégios, serviços, produtos e de shopping oferecidas em Perdizes. O perfil familiar do bairro, segundo a diretora da Lopes, sempre impulsionou os lançamentos de três dormitórios. No entanto, segundo Mirella, os empreendimentos menores e os escritórios chegaram para agradar um público mais jovem. “Os novos empreendimentos de Perdizes atendem a quem está começando a vida e quem já está estruturado.”

Para Mirella, o desenvolvimento da vizinha Barra Funda melhorou Perdizes, pois os incorporadores se animaram e perceberam a possibilidade de lançamentos. “O momento é bom para Perdizes”, diz.

Perfil. A Lopes realizou um estudo para identificar o perfil dos compradores de Perdizes, dos últimos três anos – março de 2011 a fevereiro de 2014.

Segundo o levantamento, os compradores de imóveis no bairro têm idade média de 44 anos, 71% são casados e 29% solteiros, 73% possuem filhos. A renda mensal mediana é de R$ 20 mil. Nos últimos três anos, a Lopes comercializou 25 empreendimentos no bairro, somando 1.391 unidades.

Dessas, 1.092 vendidas e 299 estão em estoque. O valor geral de vendas (VGV) foi de R$ 5 bilhões no período. O preço mediano do metro quadrado dos imóveis comercializados pela Lopes é de R$ 9.680

“É arborizado e posso fazer as coisas a pé”

Sem urgência, a gerente de projetos Luana Puglia Schneider, de 30 anos, começou a procurar um imóvel para mudar de Cerqueira César, onde mora. Sabendo que os valores no seu bairro estavam altos, começou a buscar na Vila Madalena e em Pinheiros. Mas também se deparou com valores elevados.

Luana, então, passou a analisar Perdizes, bairro com o mesmo perfil de onde vive – alia infraestrutura de comércio, serviços e transportes. “Procurava um imóvel antigo. Os novos não compensavam pelo preço e tamanho. Eu queria um apartamento maior. Ela encontrou o que queria em Perdizes. Comprou o apartamento e já iniciou a reforma.

“O bairro é arborizado, posso fazer as coisas a pé e estou perto de grandes vias de acesso. E tem também o projeto do metrô para a região”, diz. Luana está animada com o novo bairro e deve mudar em breve.

Perfil familiar não impede lançamento de compactos na região

Atuando no bairro de Perdizes desde 1959, a Paulo Mauro Construtora e Incorporadora já entregou 70 empreendimentos no bairro.

“O perfil dos compradores sempre foi familiar, devido à ótima infraestrutura de serviços, comércio, escolas e faculdades, além da facilidade de locomoção”, diz o diretor comercial, Michel Gdikian Neto.

Paulo Mauro atua na região desde 1959.(Foto: Divulgação)

Contudo, ele conta que nos últimos três anos as unidades compactas começaram a ser alvo das incorporadoras. E com o excesso de ofertas de salas comerciais, os investidores focaram em imóveis tipo estúdios e em apartamentos de um dormitório como produtos de potencial valorização. O valor do metro quadrado do último lançamento foi R$ 14 mil.

“Perdizes é muito eclético, pois todos os tipos de empreendimentos têm muito boa aceitação. Estamos negociando terrenos visando oferecer produtos voltados aos ‘singles’ e aos casais que adquirem seu primeiro imóvel”, diz.

Atratividade. Em fevereiro foram lançados 12 imóveis na cidade de São Paulo, segundo a Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp). O preço médio do metro quadrado foi R$ 8.024,11.

O bairro de Perdizes recebeu dois desses lançamentos: um imóvel de um dormitório e um de dois dormitórios.
O preço médio do metro quadrado para imóveis de um dormitório na região foi de R$ 12.639,43; de dois dormitórios, R$ 11.318,52; de três dormitórios, R$ 12.210,33 e de quatro dormitórios , R$ 10.765,31.

Para o economista-chefe do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Celso Petrucci, essa é a atratividade do bairro. “Tem boas escolas, bons restaurantes e uma relativa facilidade de mobilidade.”

Segundo Petrucci a dificuldade encontrada para empreender mais é conseguir terrenos na região, pois não há dificuldade de demanda. No entanto, ele diz que o distrito de Perdizes é onde ainda existe um bom estoque de outorga onerosa (taxa paga para construir acima do permitido pelo zoneamento). “Em fevereiro, Perdizes tinhas mais de 100 mil metros de estoque”, diz Petrucci.

Para Petrucci, a única dificuldade do bairro, que é interessante, é a falta de terreno incorporado. “É um bairro provinciano e tradicionalista”, diz. Devido ao estoque de outorga onerosa, o economista-chefe do Secovi-SP acredita que a região deve atrair muitos interessados.

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