Insatisfação com administradoras é maior entre novos

Claudio Marques

27 de outubro de 2011 | 12h58

Nem de longe novos clientes de administradoras lembram o estereótipo do consumidor passivo e inocente. Pesquisa com 360 síndicos e 21 administradoras realizada pela Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic) mostra que prédios com até dois anos de contrato são os mais insatisfeitos com as empresas de administração imobiliária. Considerada insuficiente pela entidade, a nota 7,92 dada pelos novatos mostra desempenho 9,18% menor do que a média.
“É um cliente que cobra mais porque está entrando na empresa. Pode ser tanto o prédio novo, onde é muito complicado fazer a implantação do condomínio nos primeiros dois anos, quanto aquele que está há pouco tempo com a administradora. Se ele trocou é porque estava insatisfeito”, diz o diretor de condomínio da Aabic, Omar Anauate.
Os primeiros 18 meses são os mais críticos para empreendimentos novos. Além da criação do condomínio e da convivência nem sempre amistosa entre proprietários, administradoras e construtoras, nessa fase os moradores convivem muitas vezes com obras nas dependências do conjunto. É o que acontece no residencial em que Sandro Camargo, de 36 anos, é síndico.
O transporte de materiais para reformas em apartamentos do conjunto danificaram os painéis dos elevadores um mês após a entrega do imóvel. “A empresa de manutenção diz que não adianta consertar enquanto houver obras. E a impressão para os outros é a de que ninguém faz nada”, diz Camargo, que espera se mudar em novembro para a unidade que comprou.
Até a contratação de funcionários, algumas dependências do empreendimento sofreram com a falta de manutenção. “Demoramos para encontrar um ‘piscineiro’, e a piscina ficou parecendo uma lagoa.”  Sem jardineiro, o paisagismo do conjunto também foi prejudicado. E os problemas não se esgotam por aí.
Apenas duas das quatro torres previstas no projeto foram finalizadas até o momento. Enquanto isso, os moradores não podem usar salas como a brinquedoteca – umas das instalações que motivaram a compra de Camargo, pai de uma menina de três anos.
“Um prédio novo dá muito mais trabalho do que um ‘pronto’. Como qualquer fase de adaptação, é mais difícil”, diz a gerente geral de atendimento da administradora Itambé, Vânia Dal Maso. Segundo ela, a insatisfação dos novatos também reflete o despreparo de síndicos para lidar com o complexo processo de implantação dos condomínios. Nos primeiros meses, é realizada, por exemplo, a formalização jurídica do conjunto, a mudança de titularidade de contas e a contratação de pessoal.
A falta de familiaridade de novos moradores com as regras para a coletividade costumam ser outra fonte de queixas, segundo especialistas. Muitas vezes sem conhecimento das condutas de convivência, é frequente a reclamação ao síndico e às empresas por restrições estalecidas no regimento interno, como o respeito à chamada “lei do silêncio”.
“Colocar a culpa na administradora quando algo dá errado é a coisa mais comum. Hoje mesmo recebi uma mensagem reclamando que o portão do prédio, que não está entre as atribuições da empresa, não funciona”, conta a gerente da Itambé.
Para dar apoio aos novatos, a empresa realiza seis reuniões de implantação. “E oferecemos profissionais para fazer mapeamento de vagas de garagem, que são um problema.”
O diretor de marketing e benefícios da Associação dos Síndicos Comerciais e Residenciais do Estado de S. Paulo (Assosíndicos), Sergio Zaveri confirma a queixa dos associados. “Eles reclamam principalmente em condomínios-clube. As administradoras não estão acostumadas com esses empreendimentos.”/GUSTAVO COLTRI

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