Inteligência artificial expande negócios entre corretores
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Inteligência artificial expande negócios entre corretores

Startups como Homer e Newcore criam espécie de ‘Tinder’ imobiliário para facilitar o ‘match’ entre as partes e aumentar chances de negócio para o corretor

Luiza Leão

28 de julho de 2019 | 06h08

ESPECIAL PARA O ESTADO

A inteligência artificial otimizou o modo de fechar negócios imobiliários por meio de aplicativos que, até então, facilitavam a vida do cliente e do proprietário – e não necessariamente do corretor. Pensando nisso, startups passaram a investir na tecnologia a favor do profissional que faz o elo entre as partes interessadas.

As inovações vão desde um aplicativo capaz de conectar corretores interessados em parcerias, como uma espécie de “Tinder” imobiliário, passando por uma plataforma que direciona anúncios para clientes em potencial, faz tutoriais para reciclar o corretor e o avalia com estrelas, como Uber ou 99.

No caso da startup Homer, a inteligência artificial é usada para conectar corretores credenciados. Eles publicam gratuitamente no aplicativo um imóvel ou um perfil de cliente com cinco informações simples: região do bairro, quantidade de quartos, se quer comprar ou alugar, metragem e tipologia (casa, apartamento). Com os dados, a plataforma irá exibir corretores que tenham em suas cartelas clientes com expectativas semelhantes. Com isso, com o cliente de um corretor e o imóvel do outro corretor, os dois profissionais podem fazer parceria para fechar negócio.

O corretor autônomo Francisco Júnior, que já fechou negócios com o uso do Homer. Foto: Valéria Gonçalvez/Estadão

Para que isso dê certo, a Homer também criou um programa de comissão garantida entre os corretores, para evitar golpes de um corretor para o outro nas parcerias de aluguel, compra e venda.

“Se o corretor receber a comissão e não repassar para o parceiro, a gente paga essa parte, assumindo o risco da parceria e dando segurança aos corretores dentro do aplicativo. Quem não paga fica com a reputação ruim na plataforma”, garante Lívia Rigueiral, fundadora e CEO da startup criada em 2016.

“A tecnologia está mudando a vida desses corretores, que precisam se especializar naquilo que estão fazendo para realmente serem necessários. Não dá mais para o corretor ser somente um mostrador de imóveis”, defende ela.

Corretor autônomo, Francisco Júnior já fechou quatro vendas diretas e dois aluguéis usando o Homer, que baixou no seu celular há dez meses, quando se mudou do Rio de Janeiro para São Paulo. Segundo o profissional, a ferramenta foi indispensável para fazer networking e agilizar negócios.

“Para mim foi muito importante conhecer corretores aqui. Pude trocar ideias, telefones e encontrar os colegas em eventos, o que me ajudou a orientar melhor meu trabalho”, diz ele, que há anos acompanha as tendências digitais para o setor. “Em 2007, criei um fórum de discussão no Yahoo, o Crecificados, um classificados de corretores para corretores. Hoje, já ficou ultrapassado porque os aplicativos funcionam na palma da mão e de um jeito mais inteligente.”

Cliente direcionado

Para otimizar o tempo de trabalho do corretor, a Newcore segmenta a área de atuação do profissional, para que ele fique mais especializado. Em funcionamento desde janeiro deste ano, o aplicativo divide a cidade em distritos e, considerando a oferta e a procura, distribui corretores nesses campos.

“Os operadores começam a trabalhar nesses distritos e são orientados a cadastrar os imóveis que eles têm em suas cartelas, para que efetuem vendas naquela região delimitada pela plataforma. A facilidade é que ele não precisa sair de casa para anunciar ou captar clientes. Tudo é feito online”, explica Luiz Moraes, CEO da Newcore e ex-diretor de tecnologia da Lopes Imobiliária.

Segundo ele, os anúncios são divulgados de modo inteligente, considerando os rastros que os clientes em potencial deixam na internet. “Com ferramentas digitais, a Newcore pega esses dados e anuncia os imóveis em locais estratégicos, como redes sociais, jogos, portais de notícias. E somos nós que bancamos essa mídia para juntar o cliente comprador com o corretor vendedor”, diz.

Caso o operador não atinja performance satisfatória, com avaliação interna na plataforma, o corretor passa por uma reciclagem, com videoaulas. “Se ele não entender os comandos, faço uma troca por alguém que está na fila de espera. Por outro lado, o usuário que ganha relevância recebe mais clientes e eu o coloco em evidência.”

O aplicativo tem ainda ferramentas de apoio para a venda, uma vez que muitos desses profissionais trocaram imobiliárias por carreiras autônomas. O suporte tem consultoria jurídica e de seguradoras. Após a venda do imóvel, a Newcore ganha uma parcela da comissão do corretor, que gira em torno de 20% do montante. O custo mensal do aplicativo é de R$ 10.

Atualmente, a Newcore tem 1.700 corretores cadastrados na Grande São Paulo. Outros quatro mil profissionais aguardam na fila de espera. Salvador e Porto Alegre foram incorporadas ao dispositivo há duas semanas.

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