Lançamentos caem 18% no 1º semestre

Lançamentos caem 18% no 1º semestre

Oferta de ‘imóveis na planta’ foi de 9.651 unidades ante 11.809 no mesmo período do ano passado, quando já havia sinais de desaceleração

Claudio Marques

02 de agosto de 2015 | 07h19

LANÇAMENTOS PINHEIROS

João Carlos Moreira
ESPECIAL PARA O ESTADO
De acordo com levantamento realizado pela Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), no primeiro semestre deste ano, o mercado assistiu a uma redução no ritmo de projetos das empresas em relação ao mesmo período de 2014, quando 11.809 unidades residenciais foram lançadas na cidade de São Paulo. Já entre janeiro e junho deste ano o total ficou em 9.651, o que representa uma queda de 18,27%.

A redução confirma o período difícil que o mercado imobiliário atravessa em razão da crise econômica vivida pelo País, com aumento de desemprego, juros mais altos e restrições no crédito. “O patamar de lançamentos não é bom, principalmente porque estamos comparando com um ano (2014) que já foi ruim”, diz o presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Claudio Bernardes.

Segundo ele, o Secovi já havia detectado queda de 18,5% nos lançamentos ao fazer a comparação entre janeiro e maio de 2015 e os cinco primeiros meses do ano passado. Bernardes entende que a tendência deve se manter até o final do ano, ainda que o segundo semestre em geral seja melhor do que o primeiro. “A situação se torna mais crítica pela falta de boa expectativa. A economia do País precisa voltar a crescer, os indicadores econômicos precisam melhorar”, afirma o dirigente.

Um dormitório. Pela pesquisa, também é possível comparar as oscilações de preço dos imóveis residenciais entre junho de 2014 e o mesmo mês de 2015. As unidades de um dormitório foram a modalidade que registrou alta, com o preço médio de lançamento indo de R$ 351.587,51 para R$ 457.065,70, acréscimo de 30%.

Os preços das casas e apartamentos de dois ou três dormitórios lançados tiveram queda de 20,6% e 31% respectivamente, que pode ser explicada em parte pela diferença de tamanho das unidades. Enquanto em 2014 a média da área total dos imóveis de dois quartos era de 99,68 m², neste ano caiu para 85,24 m². Já a área média das habitações com três dormitórios baixou de 158,63 m² para 125,95 m².

A cidade de São Paulo concentrou 40% das unidades lançadas durante o mês de junho na região metropolitana, com 2.036 imóveis. Em toda a Grande São Paulo foram lançadas 4.880 unidades. Tanto na Capital quanto nos demais municípios, as casas e apartamentos de dois dormitórios têm a maior fatia entre os lançamentos, com 3.868 unidades.

O diretor executivo da incorporadora You,Inc, Eduardo Muszkat, diz que a procura maior pelas unidades de dois quartos se acentuou nos últimos quatro ou cinco anos. Segundo ele, o aumento do preço do metro quadrado também influenciou. “Como ficou mais caro, os apartamentos diminuíram para caber no bolso do cliente”, acrescenta.

Para o vice-presidente comercial da Abyara Brasil Brokers, Bruno Vivanco, o dois quartos costuma ser o primeiro imóvel da família que parte para a casa própria. “É o apartamento de quem está casando, saindo do aluguel. Sempre é o de maior demanda”, explica Vivanco.

Ousadia. O sócio-diretor da Eugenio Marketing Imobiliário, Maurício Eugenio, diz que a queda no número de lançamentos já notada em 2014 e confirmada no primeiro semestre deste ano deixa clara a decisão das construtoras e incorporadoras de primeiro vender os imóveis já construídos.

“As empresas estão preocupadas em se reestruturar e desovar o estoque, mas entendo que falta ousadia ao mercado. Apesar das dificuldades, ainda há demanda no mercado imobiliário”, diz ele.

Bruno Vivanco entende que o mercado imobiliário caminha de mãos dadas com a situação econômica do País e explica a retração no número de lançamentos. “A economia está depressiva, há muita preocupação com o desemprego. Para o mercado melhorar, é preciso enxergar pelo menos um cenário positivo no médio prazo”, afirma. “Se a taxa de juro cair, a oferta de crédito melhorar, a roda volta a se mover”, exemplifica.

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