Lazer do condomínio vai do térreo para o rooftop
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Lazer do condomínio vai do térreo para o rooftop

Mercado imobiliário atualiza área de convivência de moradores levando salão de festas, lounges, academia e piscina para o topo dos prédios, sem ficar restrito ao alto padrão

Luiza Leão

11 de agosto de 2019 | 06h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

O mercado imobiliário atualizou as áreas de convivência de novos empreendimentos de São Paulo: transferiu piscinas, salões de festas e lounges gourmets do térreo para o telhado dos imóveis, ou melhor, para o rooftop, localização que ficou famosa na cidade com bares e restaurantes. Graças a eles, construtoras e incorporadoras conseguem não só modernizar os projetos como otimizar os espaços térreos, que tiveram zonas restringidas após a aprovação do Plano Diretor Estratégico (PDE) da capital paulista, em 2014.

Uma das alterações previstas pelo PDE estabelece que as áreas beneficiadas por investimentos públicos no sistema de transporte coletivo, com faixas exclusivas para ônibus e linhas de trem e de metrô, estimulem outras ocupações urbanas que atendam diferentes faixas de renda.

Para cumprir as determinações mantendo a quantidade de apartamentos propostos pelas incorporadoras, a saída foi a inserção de lojas na fachada ativa. Por isso, a Idea!Zarvos otimizou o espaço térreo, elevou o lazer e ainda ganhou a vista da cidade como um atrativo para o residencial Onze22, na Vila Madalena, que está em obras e deve ser entregue em 2021.

“A gente sabe que nem todos os apartamentos do prédio vão ter a melhor vista possível. Com o rooftop, todo mundo tem acesso. Acho que quem mora ou visita tem curiosidade de ver São Paulo de cima. É uma experiência bacana, principalmente à noite”, diz Otavio Zarvos. Além do imóvel destinado à moradia, a incorporadora conta com um edifício comercial com rooftop, o Paulistano, na Vila Madalena, lançado em outubro de 2017 e com previsão de entrega para janeiro de 2020.

Projeção digital do Elevo Moema

Quem também apostou nesse tipo de arquitetura foi a Vitacon. Segundo o CEO Alexandre Frankel, essa aposta do lazer na cobertura já era uma preocupação da incorporadora, que em 2012 tinha registro de um rooftop em um de seus projetos, o VN Quata, na Vila Olímpia.

“Mesmo antes do plano diretor a gente já vinha fazendo rooftop, porque existe uma tendência de aprimorar os produtos e a Vitacon e o mercado como um todo pensam em ter produtos mais atrativos. Acho que o rooftop traz um desejo, principalmente quando são incorporados elementos diversos para o lazer”, defende.

A Trisul segue a tendência. No fim do ano passado, entregou o empreendimento Omni Ibirapuera, na Vila Mariana, com área de lazer no alto e vista para o principal parque da capital. Próximo à área verde, a Trisul tem ainda o empreendimento Bella Bonina, em Mirandópolis, entregue em março deste ano, um para 2020 e tem outros dois para 2021.

A Mitre também tem alguns rooftops em seu catálogo, em prédios de médio padrão, como o Max Mitre (na Vila Prudente, para 2020) e Raízes Guilhermina (Vila Guilhermina, para 2022), e também alto padrão, como o Haus Mitre Vila Mariana e o Haus Mitre Butantã.

A Cyrela conta com três projetos com rooftop em execução, o Cyrela Ibirapuera by Yoo, na Vila Clementino (a ser entregue em 2022), o Atmosfera Brooklin, ainda em estágio de obras, e o Cyrela Çiragan, nos Jardins. Todos eles em alto padrão e luxo. A incorporadora Paes & Gregori conta com um em seu portfólio, o Ybyrá, que tem até ofurô no rooftop. O empreendimento está localizado na Vila Mariana e tem entrega prevista para 2020.

Minha Casa Minha Vida

Ainda que grande parte dos empreendimentos em obras ou já entregues sejam destinados aos públicos de alto padrão, independentemente da faixa etária ou estrutura familiar, há edifícios com rooftops mais econômicos. A incorporadora Benx tem seis projetos com essas características de lazer na cobertura destinados aos clientes de classe média, média baixa ou incluídos no faixa 3 do Minha Casa, Minha Vida.

Projeção do Mitre Raízes Guilhermina, com previsão de entrega em 2022

Segundo a professora de arquitetura e urbanismo da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) Marina Grinover, o movimento de utilizar as áreas comuns no topo do prédio não é novo, ainda que na capital paulista tenha sido impulsionado pelas diretrizes do PDE de 2014. Com isso, os espaços de convivência foram alocados na prateleira mais alta da edificação, tendência que já caiu no gosto da arquitetura de cidades como Nova York.

“O uso da cobertura é uma ideia modernista que tem quase 100 anos de idade. Essa ideia vem dos cinco elementos da arquitetura moderna preconizados pelo arquiteto franco-sueco Le Corbusier. Então, usar a cobertura não é uma novidade do mercado imobiliário do século 21. É uma releitura de um espaço arquitetônico que está na cultura dos homens há muitos anos, até mesmo em países árabes e outras regiões do oriente”, defende a especialista.

O diretor comercial da incorporadora e construtora Nortis, Lucas Tarabori, afirma que os rooftops conseguem ajudar a manter a privacidade dos condôminos, tanto por restringir o acesso de visitantes em áreas diferentes da edificação quanto pelo uso da piscina, por exemplo.

“Você não tem os vizinhos te olhando se você estiver na piscina ou até na academia, nem um trânsito de pessoas entrando e saindo como no térreo. Isso sem falar do barulho e da interferência da rua”, defende Tarabori.

Ele é representante da empresa que tem duas entregas com rooftop de alto padrão: o Siga Moema, com previsão de entrega para 2021, o Nord (mesmo ano) e o Elevo Moema. Este último conta com lazer completo na cobertura: academia, salão de festas, piscina e churrasqueira.

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