Linha do Santander vai liberar mais recursos para obras sustentáveis em condomínios

Linha do Santander vai liberar mais recursos para obras sustentáveis em condomínios

Iniciativa quer estimular projetos de ‘transformação sustentável’ dentro dos prédios, como a instalação de postos de recargas para carros elétricos, estruturas para reciclagem de lixo e sistemas para captação de água da chuva

Bianca Zanatta, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2021 | 05h00

Especial para o Estadão

Os condomínios que têm planos de fazer uma “transformação sustentável” ganharam uma forma de conseguir recursos de forma mais fácil para isso. O banco Santander anunciou a liberação de financiamento para soluções ecológicas e projetos que gerem algum retorno ambiental. Batizada de Giro Sustentável PJ, a linha viabiliza, por exemplo, a instalação de posto de recarga para veículos elétricos, implantação de sistemas de captação e aproveitamento de água da chuva, irrigação por gotejamento, estrutura para reciclagem de lixo e composteiras, entre outras iniciativas.

Ainda dentro desse pacote, o banco vai financiar até 100% da compra e instalação de painéis fotovoltaicos para geração de energia solar. A oferta, batizada de CDC Solar, tem os mesmos diferenciais que a instituição oferece a outros clientes que são pessoas jurídicas. Reduzidas, as taxas de juros mínimas partem de 0,74% ao mês e o prazo de parcelamento foi ampliado de 60 para 96 meses, com 120 dias de carência para pagamento da primeira parcela.

A carência de quatro meses para esse primeiro pagamento, de acordo com o Santander, foi definida com base em dados de mercado que apontam esse prazo como o necessário para o início da produção efetiva de energia limpa. Nesse período, o cliente pode aguardar por trâmites como uma eventual importação dos equipamentos e a instalação do sistema, por exemplo.

Já no caso do Giro Sustentável, o banco oferece planos de pagamento de até 60 meses e carência de 59 dias para quitação da primeira parcela. Segundo Franco Fasoli, diretor de negócios e empresas do Santander, o grande diferencial está nas taxas e prazos mais atrativos. “É um capital de giro que tem finalidade de auxiliar os condomínios no compromisso com a transformação sustentável”, explica.

Mesmo que o principal objetivo seja a conscientização ambiental, ele afirma que a economia que alguns projetos representam é importantíssima. “As placas solares têm uma durabilidade muito grande, de até 25 anos, e o financiamento se paga em 6”, exemplifica. “Além de ajudar no processo de energia limpa, isso representa uma economia de 95% na conta de energia do condomínio.”

Cálculos

Como os condomínios lidam com uma série de questões, como inadimplência de condôminos, emergências e constante necessidade de reparos, o ideal antes de fazer qualquer empréstimo é colocar a conta no papel. “O condomínio tem de fazer o cálculo de parcelas que ele vai ter de ratear entre os condôminos e considerar que, havendo uma eventual inadimplência por parte de um morador, precisa conseguir fazer com que a verba entre em caixa na mesma velocidade que sai”, diz José Roberto Graiche Júnior, vice-presidente do Grupo Graiche e especialista em direito imobiliário e condominial.

“Ou seja, se eu tenho uma inadimplência de 10% e uma parcela de financiamento de R$ 20 mil por mês a ser paga, eu tenho de ratear R$ 22 mil por mês, porque eu sei que uma pessoa, num primeiro momento, não vai pagar os R$ 2 mil referentes à parte dela.”

Graiche acredita que os condomínios possam recorrer a esse tipo de financiamento quando não têm um desembolso de caixa de cada condômino para realizar uma obra ou readequação para que tenha um melhor desempenho, como é o caso dos projetos de sustentabilidade. “Às vezes, não é possível fazer esse rateio e pagar a obra ou adequação no número de parcelas adequado ao bolso daquele perfil de moradores”, diz. “O financiamento pode ser uma alternativa, mas tudo tem de ser aprovado em assembleia: a obra, a benfeitoria, a finalidade, a forma de rateio, como esse dinheiro será captado. Isso precisa estar bem esclarecido na reunião com os condôminos.”

Na ata que for redigida após a assembleia, o especialista fala que é importante que esteja expresso que o síndico está autorizado a fazer o empréstimo, especificando ainda com que taxas e juros, por exemplo.

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