Livro resgata história da hotelaria de São Paulo
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Livro resgata história da hotelaria de São Paulo

Obra de Caio Calfat analisa os principais marcos desse setor comercial e foi finalista do prêmio Jabuti

Claudio Marques

01 Setembro 2016 | 16h21

Centro Antigo Hotel do Rebechino

Centro Antigo Hotel do Rebechino

O livro Hotelaria e Desenvolvimento Urbano em São Paulo – 150 anos de história celebra a evolução urbana e o desenvolvimento do setor desde meados do século 19. A obra de Caio Calfat, que destaca hotéis que se tornaram ícones tanto no passado como na atualidade, recebeu o prêmio de literatura na categoria Profissional.
É um resgate histórico para mostrar a influência dos acontecimentos políticos, culturais e econômicos na evolução hoteleira da cidade de São Paulo, diz a comissão julgadora. Na abertura de cada capítulo, Calfat apresenta linha do tempo com fatos históricos do Brasil, década por década.
O livro foi finalista do prêmio Jabuti de 2015, conta o próprio Calfat, que é engenheiro. “Sempre trabalhei no mercado imobiliário”, afirma. “Sou consultor, mais voltado à área de hotelaria e turismo.” Sua empresa – Caio Calfat Real Estate Consulting – faz planejamento de novos empreendimentos.
“O livro é o inverso do que eu faço”, diz. “A gente projeta o futuro, novos empreendimentos para o País. Participa da conceituação do produto. E, depois, participa da gestão do hotel.”
O livro foi um trabalho de dez anos. “Começou com uma coleção de cartões postais de hotéis antigos”, conta, enfatizando sua paixão por urbanismo. “A premiação vai eternizar o livro.”
Calfat inclui entre os ícones o Grande Hotel, inaugurado em 1878 na Rua São Bento, no centro de São Paulo. “Foi o primeiro hotel importante da cidade”, atesta. “Eram dois prédios, um deles ainda existe no Largo do Café, mas não é mais hotel.”
Dos artistas. Na década de 1920, surgiu o Esplanada. Integrado pelo Parque do Anhangabaú, foi erguido atrás do Theatro Municipal de São Paulo. Por isso, era comum ter como hóspedes as trupes de teatro e as companhias de ópera e de outros espetáculos que se apresentavam lá. Foi projetado pelo arquiteto Joseph Gire, que participou do desenho do Copacabana Palace e do Hotel Glória, no Rio. “Foi o nosso Copacabana Palace”, diz Calfat. “O prédio está lá. Hoje, é a Secretaria Estadual de Agricultura.”
Outro marco do setor é o Hotel Jaraguá, símbolo de glamour durante as décadas de 1950 a 1970. Foi inaugurado em 25 de janeiro de 1954, dia em que São Paulo comemorava seu quarto centenário. Políticos – como Fidel Castro, Robert Kennedy, Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros, por exemplo – e celebridades em geral – lotavam os 226 quartos instalados do nono ao 21º andar. São famosas algumas histórias de artistas como Alain Delon, Brigitte Bardot, Sofia Loren, Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, que se hospedaram no Jaraguá.
Dois legítimos representantes dos anos 1970, segundo Calfat, são Hilton, na Avenida Ipiranga, inaugurado em 1971, e o Maksoud Plaza, aberto em 1979. Para ele, dois ícones da atualidade são o Unique, no Jardim Paulista, e Grand Hyatt, na Avenida das Nações Unidas.

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