Mercado da Zona Oeste tem peso de capital

Claudio Marques

19 de novembro de 2012 | 08h02

Uma das regiões mais cobiçadas da cidade de São Paulo para habitação, a Zona Oeste teve nos últimos três anos um volume de lançamentos de imóveis residenciais superior a toda a cidade de Salvador. Os dados são parte de pesquisa realizada em setembro pela Inteligência de Mercado da Lopes, empresa de consultoria e intermediação imobiliária.

Segundo o estudo, a região corresponde a 18% do volume lançado na Capital nos últimos três anos. Com valor geral de vendas (VGV) de R$ 8,3 bilhões, ultrapassa o total de lançamentos na capital baiana, R$ 8,1 bilhões no mesmo período. O levantamento compreende imóveis lançados entre setembro de 2009 e agosto de 2012, totalizando 125 empreendimentos residenciais, 213 torres e 16.857 novas unidades (veja quadro ao lado).

A diretora de atendimento da Lopes, Mirella Parpinelle, aponta entre os motivos que levam à preferência pela área a proximidade do centro, a expansão do metrô (novas estações têm previsão de abertura em 2014, entre elas, a Pátio Vila Sônia) e o conjunto de serviços que a região oferece para lazer e compras, por exemplo. “A Zona Oeste, em sua maioria, tem bairros que permitem que as pessoas trabalhem, morem e se divirtam no mesmo lugar”, diz. “São bairros mais completos que estão se tornando cada vez mais mini cidades.”

A executiva acrescenta, ainda, a proximidade da região às marginais Pinheiros e Tietê e de rodovias como Anhanguera, Raposo Tavares e Castelo Branco, que ligam a cidade interior.

No estudo, as regiões são definidas por zonas de valor e não obedecem exatamente à divisão de distritos da Prefeitura. Foram considerados: Butantã, Vila Sônia, Jaguaré, Pinheiros, Lapa, Alto de Pinheiros, Alto da Lapa, Vila Leopoldina, Vila Madalena, Pompeia, Perdizes e Barra Funda.

O valor médio do metro quadrado mais caro está na Vila Madalena (R$ 13.470/m²), seguido de Perdizes (R$ 11.240/m²) e Pinheiros ( R$10.690/m²). Os preços mais baixos são encontrados no Butantã (R$ 5.550/m²) e na Vila Sônia (R$ 5.920). Na Lapa e na Barra Funda, o valor médio do metro quadrado está em torno de R$ 9.000. Quanto ao número de dormitórios, são predominantes os de 2 e 3 dormitórios.

“A cidade foi caminhando, os lançamentos antes eram em Higienópolis e em Perdizes, agora estão indo mais para Pompéia e Lapa”, diz Nick Dagan, diretor de incorporação da Esser. Ele lembra que a Lapa vem passando por modificações, pois o que antes era um bairro tradicional de classe média com casas, agora é palco de lançamentos de prédios de o médio e alto padrão, devido à disponibilidade dos terrenos na região.

Para o professor do núcleo de Real State da Poli-USP João da Rocha Lima, a expansão imobiliária na zona oeste agora é de “Perdizes para baixo”. Segundo ele, ao contrário do que ocorre em Perdizes, onde os terrenos são cada vez mais escassos, Lapa e Barra Funda ainda possuem galpões e possibilitam a formação de terrenos maiores.

“Como essas empresas são muito grandes, elas tendem a fazer empreendimentos maiores, com mais de uma torre. Elas precisam operar em canteiros com grande espaço para que tenham um custo de gestão mais baixo”, explica. Já Butantã e Vila Sônia, de acordo com o professor, são “caudatárias” do Morumbi. “Muitos empreendimentos na Vila Sônia, por exemplo, são denominados por Morumbi”, diz.

O estudo da Lopes revela, ainda, que, do volume lançado nesse período, atualmente 11% das unidades estão em estoque – 1.803 de 16.857 oferecidas.

Mais de 50% dos compradores já residem na área

O levantamento feito pela Inteligência de Mercado da Lopes mostra que os imóveis da Zona Oeste são procurados, em sua maioria, por pessoas que já residem na região (52%), seguido de moradores da Zona Sul (18%), Norte (16%), Centro (8%) e Leste (5%). De acordo com o professor do núcleo de Real State da Poli-USP João da Rocha Lima, a distribuição reflete a realidade de São Paulo. “É comum que maior parte da procura seja de pessoas do próprio bairro, isso quando falamos de bairros consolidados. A zona oeste é vista como região de alta qualidade para residência”, afirma.

A diretora de atendimento da Lopes, Mirella Parpinelle diz que o público é bastante variado. “Ele é de várias fases da vida, jovens casais, pessoas mais velhas etc.” Segundo a pesquisa, normalmente apartamentos com um dormitório são lançados em empreendimentos com apenas 1 torre. O mesmo ocorre com apartamentos com 4 dormitórios, mas há exceções como o empreendimento Mairarê Reserva, que tem 10 torres, está localizado na Rodovia Raposo Tavares, e tem unidades nesse perfis.

Bastante diversificado, o Mairarê foi escolhido pelo consultor Adilson Dias da Mota, de 35 anos, e por Ubiratan de Freitas Mesquita, advogado e administrador de empresas, de 64 anos. Ambos têm em comum a preferência por imóveis na região oeste, onde sempre moraram.

Mota comprou um apartamento há três anos ainda na planta e a previsão de entrega é em março de 2013. Será a moradia para ele e a noiva, que têm casamento marcado para outubro de 2013. “Nós escolhemos a zona oeste porque somos filhos dessa região. A localização é um diferencial.”

Segundo o consultor, o que chamou a atenção do casal, além da localização, foi a metragem. Eles adquiriam inicialmente um imóvel de 109 metros quadrados, mas acabaram de trocar por um de 136m², quando perceberam que houve valorização.

“Compramos em um período em que o mercado não estava aquecido ainda. Quando houve aquecimento, ficamos surpresos. Há dois meses nós trocamos uma unidade de 109m² para uma de 136m², no mesmo empreendimento e mesma fase de construção.” Segundo Mota, o primeiro imóvel foi comprado por R$ 343.000 e vendido por R$ 576.000. Apesar da satisfação com a compra, ele conta que não foi fácil encontrar o lugar ideal. “A zona oeste tem muitos empreendimentos, mas estávamos um pouco decepcionados, porque nenhum atendia à nossa demanda. Tivemos problemas com a relação custo/ benefício.”
Já no caso de Mesquita, que vive atualmente em uma casa térrea na Lapa com a mulher, comprar um apartamento foi uma decisão tomada depois que sua residência sofreu um assalto. O casal adquiriu um apartamento também no Mairarê Reserve com 109 metros quadrados e três dormitórios. “Não queríamos um apartamento comum, queríamos um que nos proporcionasse algo a mais. O que escolhemos oferece muita coisa para ser desfrutada, como um parque dentro do condomínio”, conta. O valor pago por Mesquita, que comprou o imóvel este ano, foi de R$ 600.000./ T.F.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.