Mercado investe em moradia para estudantes
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Mercado investe em moradia para estudantes

ULiving transforma prédios em alojamentos para alunos; Vitacon deve iniciar construção de edifício com 325 unidades ainda em 2015

EDILAINE FELIX

25 Outubro 2015 | 07h58

 Claudia de Lorenzo (camisa branca) e Vanessa Portillo (blusa vermelha)

Alunas. Claudia de Lorenzo e Vanessa Botero são moradoras do residencial

Raphael Hernandes
ESPECIAL PARA O ESTADO

Jovens que saem de suas cidades para estudar fora enfrentam muitas dificuldades. Uma das mais marcantes é conseguir moradia: os aluguéis são altos e a barreira do fiador é muitas vezes quase intransponível. Empresas do setor imobiliário viram nessa situação um novo nicho de atuação e investem em empreendimentos no estilo “dorms” americanos, no qual o aluno paga para ter um quarto privativo e desfruta de áreas comuns para estudo e lazer em um prédio voltado exclusivamente para esse fim.
Criada no final de 2011 pelos sócios Juliano Antunes e Celso Martinelli, a ULiving tem como preocupação central proporcionar a alunos um local de hospedagem e interação em que eles se sintam em casa. Como não encontraram projetos desse tipo no País, buscaram ideias no exterior. “O modelo brasileiro é um mix de tudo que vimos fora e também de como o mercado brasileiro foi se adaptando”, diz Antunes, CEO da empresa.

Os anos de 2012 e de 2013 foram voltados às pesquisas. Em fevereiro último, a empresa lançou seu primeiro empreendimento, em Sorocaba (SP). No mês seguinte, todas as 106 vagas do edifício de quatro andares estavam ocupadas. Neste segundo semestre, o ULiving Bela Vista, em São Paulo, abriu as portas com capacidade para acomodar 70 alunos em seus sete andar e hoje, hospeda mais de 50 moradores.

Os dois prédios, que pertencem a investidores que se associaram ao projeto, passaram por retrofit. Os dois já tinham uso habitacional, mas precisarem ser adaptados, ao custo aproximado de R$ 1,5 milhão. “Depois que começamos a operar, houve interesse do mercado para desenvolver empreendimento conosco”, diz o CEO. Em 2017, a ULiving pretende oferecer mais 500 camas, com mais um projeto em Sorocaba e outro em Campina do Monte Alegre (SP).

Em 2018, pretende abrir mais 800 vagas e sair do Estado, com uma unidade em Recife (PE). Esses novos empreendimentos serão em prédios construídos pela empresa em parceria com investidores. Há também planos para um novo retrofit, na zona sul de São Paulo. O investimento previsto para esses novos projetos é de aproximadamente R$ 30 milhões.

Atualmente, os valores cobrados pela ULiving variam: o quarto para duas pessoas custa R$ 850 em Sorocaba e R$ 1.250 em São Paulo; o simples, R$ 1.350 e R$ 1.900, respectivamente. Os valores incluem contas de água, luz, internet e IPTU. Não é cobrado condomínio. A unidade Bela Vista tem também ar condicionado sem custo adicional. A limpeza é cobrada separadamente.

Os valores se referem a hospedagem e não a aluguel – uma maneira de contornar as dificuldades para, por exemplo, encontrar fiador. Ao mesmo tempo, facilita a retomada do imóvel no caso de inadimplência. E diferentemente dos condo-hotéis, as unidades não são oferecidas ao mercado. No caso da ULiving, os proprietários dos edifícios entraram no projeto com Antunes e Martinelli.

É também nessa linha que a Vitacon Incorporadora e Construtora está planejando seu primeiro “dorm”– ou seja, as unidades não serão vendidas para investidores. A empresa prevê começar a construir ainda em 2015 um prédio com 325 apartamentos mobiliados, individuais ou duplos, variando entre 15m² e 32 m², para atender alunos da ESPM. “É uma parceria estratégica com a faculdade. Para estudantes que vêm de fora, é algo bastante desejável”, diz Alexandre Lafer Frankel, CEO da Vitacon, que investirá cerca de R$ 120 milhões no projeto.

Frankel conta que conversou com alunos para entender o que gostariam de ter nos apartamentos. “Descobrimos que, mesmo em um dormitório, ou em um apartamento de estudante compacto, querem ter uma geladeira grande, porque eles trazem comida congelada da mamãe.”

Os valores estimados pela Vitacon serão entre R$ 1.000 e R$ 2.500 por apartamento, também com a opção de morar sozinho ou de dividir com mais uma pessoa. Nesses valores, estão inclusos IPTU, água, condomínio, internet e acesso à lavanderia coletiva do prédio. Os moradores terão direito a três limpezas semanais nos quartos. No piso térreo do prédio, haverá restaurante, lanchonete, lavanderia e serviços de xerox operados por terceiros. O presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP),Claudio Bernardes, diz que o modelo de repúblicas não está mais satisfazendo as necessidades do público de hoje, que prefere algo mais organizado, melhor estruturado. “A tendência é as repúblicas acabarem e serem substituídas por esse tipo de produto.”

Privacidade e liberdade pesam na decisão

Em julho deste ano, Vanessa Botero, de 19 anos, chegou da Colômbia para fazer intercâmbio e estudar comunicação na Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP). Depois de morar com outras três jovens, ela optou pela moradia estudantil.

“Eu gostava do apartamento, mas não tinha privacidade e não podia receber visita. Na faculdade, me indicaram a ULiving e eu conhecia a Claudia de Lorenzo (aluna), que já morava lá. Conheci o local e gostei de poder ter meu espaço reservado e áreas comuns”, diz.

Vanessa, valoriza o fato de poder receber visitas (ela hospedará a mãe nos próximos dias) e estar com outras pessoas que estão vivendo a mesma fase, com objetivos comuns parecidos. “Eu pago um pouco mais, mas tenho mais comodidade e moro muito melhor”, afirma.

Companheira de prédio da Vanessa, a espanhola Claudia, de 20 anos, também veio para o Brasil para estudar comunicação na Faap e mora do ULiving desde agosto. “Eu morava na casa de amigos, mas queria ter mais sossego para estudar e também poder estar com outras pessoas. Encontrei no ULinving tranquilidade, bom preço e localização”, diz.

Para Gustavo Anacleto, de 21 anos, que veio de São Carlos para estudar administração no Insper, este estilo de moradia estudantil foi uma novidade. Ele também mora no ULiving Bela Vista e embora, não seja tão perto da instituição, o acesso via transporte público foi levado em conta na hora da decisão. “Fui conhecer e achei interessante o estilo de moradia”, diz.

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