Mercado muda e requer novo perfil de zelador
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Mercado muda e requer novo perfil de zelador

Qualificação é resposta para enfrentar quadro em que prédios demitem o trabalhador para reduzir custos, ou para ter administração profissional

EDILAINE FELIX

07 Fevereiro 2016 | 07h48

Almeida. Consultoria determina estilo formal para todos

Souza. Há mais de 30 anos zelando por moradores e condomínios

Responsável por manter o condomínio funcionando no dia a dia, o zelador, que comemora em 11 de fevereiro a sua data, vê a necessidade de modificar seu perfil para enfrentar mudanças que afetam o mercado de trabalho nesse segmento. O diretor da administradora Manager, Marcelo Mahtuk, diz que, para reduzir custos, muitos empreendimentos dispensam o zelador.

“A chegada dos condomínios-clube passou a exigir mais profissionalização para cuidar de uma estrutura mais robusta. Antes o prédio tinha apenas um salão de festas e uma academia, hoje tem espaços gourmet, piscinas, academias. Com isso, as habilidades e competências para o cargo de zelador evoluíram”, afirma.

Nesse quadro, enquanto empreendimentos menores dispensam o zelador em busca da redução de custos, os maiores eventualmente optam por um gestor profissional, para gerenciar toda a operacionalização do condomínio. Dois movimentos que acabam por atingir a categoria.

Professora do curso de Administração de Condomínios da Escola Paulista de Direito (EPD), Rosely Schwartz concorda que está em curso uma alteração no perfil desse profissional, que buscam se especializar para conhecer mais a respeito de tecnologias e da administração do empreendimento. “Hoje tem vários cursos específicos e as oportunidades surgirão com especialização”, diz.

Queremos aproveitar as oportunidades de trabalho nos condomínios, Sidney Santos de Oliveira, de 36 anos, frequentou cursos para compreender mais a rotina de um edifício e conquistar o cargo de zelador. Ele já havia exercido várias funções em diferentes empreendimentos, e hoje é zelador de um prédio comercial no Butantã, zona oeste da cidade.

“Trabalho em condomínio há 13 anos e estou há um ano atuando como zelador”, diz. Antes de conseguir o posto, ele participou de cursos para obter conhecimentos de liderança, limpeza, zeladoria, elétrica, hidráulica e de manutenção predial.

O prédio no qual Oliveira trabalha não tem síndico e ele é o responsável pela administração do condomínio. “Quero continuar estudando e pretendo fazer o curso de gerente predial”, diz.

Interesse. “O zelador estará sempre à frente do dia a dia, cuidando do funcionamento dos equipamentos e da limpeza dos espaços, além de atender as reclamações dos moradores, mas vai procurar especialização para entender de automação, por exemplo”, afirma Rosely.

“Ele precisa ter mais conhecimento para ser mais valorizado. E algumas características são fundamentais, como ser adaptável, confiável, comunicativo, ter iniciativa, ser conciliador e discreto”, acrescenta. Assim, para manter a função em destaque, o zelador deve assumir novas responsabilidades.

“Ele é um supervisor do condomínio, depois do síndico, o zelador é o responsável”, diz o presidente do Sindicato dos Empregados de Edifícios, Zeladores, Porteiros, Cabineiros, Vigias, Faxineiros, Serventes e Outros de São Paulo (Sindifícios) Paulo Ferrari.

Na sua opinião, a qualificação ajuda a melhorar a remuneração do profissional. “Eles estão muito preocupados e querem se qualificar para não perder espaço. A qualificação aumenta o salário.” O piso da categoria no Estado é de R$ 1.231,74.

Tradicional. Com mais de 30 anos na profissão, sempre morando no emprego, Elcio Almeida Souza trabalha em um condomínio no Morumbi há 15 anos. “Eu faço muita coisa no prédio. Facilita bastante estar aqui e conhecer os moradores.”

O edifício de Souza tem uma torre e 85 famílias, um salão de festas e um de jogos, moradores adultos, poucas crianças, o que segundo ele, diminui as demandas doSouza. “Me chamam apenas quando têm reclamação de algo que não está funcionando, mas são poucas demandas e meus colaboradores (funcionários do prédio) me ajudam e também já sabem o que fazer”, diz.

O horário de trabalho de Souza é das 8h às 12h, de segunda a sexta-feira, e das 14h às 18h, aos sábados. “Se surgir emergência fora do meu horário, eles me procuram, mas é raro. E quando acontece, são coisas fáceis de serem solucionadas. Normalmente, eles respeitam meu horário de descanso”, diz.

Para ajudá-lo no desempenho de suas funções, Souza conta com o porteiro, há 28 anos na função, funcionários da limpeza e o síndico, que lhe dá autonomia para solucionar questões do dia a dia. “Se eu posso eu resolvo, ou procuro a administradora. Tento não incomodar o síndico”, diz.

‘A FUNÇÃO EXIGE RESPEITO E PACIÊNCIA’

Zelador de um condomínio-clube com três torres, 192 apartamentos e ampla área de lazer, com piscina academia, playground e salões, Alexsandro Campos Neves, de 40 anos, trabalha no edifício há 13 anos.

Neves. Responsável pela rotina do edifício, ele vistoria as áreas comuns e orienta os funcionários no dia a dia

Neves. Responsável pela rotina do edifício, ele vistoria as áreas comuns e orienta os funcionários no dia a dia

“O condomínio é muito grande e por isso temos dois zeladores para dar conta do serviço do dia a dia, que é cuidar dos espaços, dos funcionários e atender os moradores.”

As atividades dele no condomínio vão desde auxílio na portaria, orientação aos funcionários da limpeza, recebimento de mercadoria e atendimento aos moradores. “Sou chamado para resolver desde problemas de vazamento até a televisão que não funciona.”

Ele conta que tem uma “relação muito boa” com os moradores e que também é responsável pelo recebimento e conferência de mercadorias quando os condôminos não estão em casa. “Eles deixam a chave comigo. É muita confiança”, diz.

Para realizar melhor o trabalho, Neves já fez um curso de Cipa e de brigada de incêndio, mas ele diz que para a função de zelador, contou bastante a experiência do dia a dia.

“Eu comecei a trabalhar aqui como faxineiro, fui me interessando, ajudando na portaria, sendo prestativo e cheguei a zelador. Eu gosto muito do que eu faço, mas é uma função que precisa ter calma, respeito e muita paciência para explicar o que pode e o que não pode ser feito. Eu considero aqui como minha família”, diz Neves.

Profissionais procuram cursos de aperfeiçoamento na área

O diretor executivo do Grupo Pro Security, Alexandre Paranhos, conta que muitos zeladores e pessoas que querem começar a trabalhar nessa função procuram cursos de qualificação para entender mais sobre o trabalho realizado nos condomínios. A empresa presta serviços de portaria, segurança e limpeza para condomínios.

“Oferecemos cursos modulares de portaria, limpeza, relações humanas, noções de hidráulica e elétrica, zeladoria, segurança. O zelador tem de se adaptar às necessidades do mercado e se qualificar para não perder espaço”, diz Paranhos.

De acordo com ele, cresce cada vez mais a procura por cursos de especialização. “Os funcionários de condomínios perceberam a necessidade de ter conhecimento e almejam o cargo de zelador para estar cada mais em sintonia com o síndico e as empresas fornecedoras de serviços.”

O diretor da administradora de condomínios Manager, Marcelo Mahtuk, diz que os condomínios antigos ainda têm o zelador mais tradicional (aquele profissional que mora no prédio) em seu quadro funcional, mas muitos dos mais novos e maiores optam por um gerente operacional (ou predial).

“Descobrimos que o zelador já é um funcionário que está conectado à internet, criando grupos de conversas no celular para agilizar a comunicação e principalmente preocupado em se qualificar, fazer cursos para entender mais a respeito de questões administrativas e financeiras do edifício”, afirma o gerente da administradora Predial, Julio Herold.

No entanto, ele lembra que eles continuam tendo como maior objetivo atender bem os moradores, serem prestativos e atenciosos.

“Ele precisa conhecer o rito operacional do condomínio, uma vez que o síndico nem sempre estará no edifício, ainda mais com o aumento de síndicos profissionais. O zelador sempre será o funcionário que dará o suporte para a administração do edifício.”

Para Herold, o zelador é o profissional que conhece o empreendimento e as pessoas e resolve desde os problemas domésticos dos moradores até os estruturais do edifício.

“Muitos zeladores já conhecem a terceira geração da família de moradores do condomínio e isso é um facilitador para o síndico, que conta com o apoio para as rotinas administrativas, e para os condôminos”, diz.

 

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