Mercado voltará a crescer em 2013. Mas sem euforias

Claudio Marques

30 de dezembro de 2012 | 08h13

Redução de estoques, mais rapidez na aprovação de projetos e nova orientação das empresas impulsionarão lançamentos no ano novo

GUSTAVO COLTRI

Depois de um ano de desaceleração, o mercado de lançamentos na capital paulista deve voltar a crescer em 2013, de acordo com especialistas consultados pelo Estado. Desta vez, no entanto, a moderação será a principal diretriz das empresas do setor.

“Devemos ter um crescimento entre 3% e 5% no número de lançamentos, e as vendas também devem ficar nesses patamares”, diz o presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Claudio Bernardes.
A diminuição da quantidade ofertada em 2012 teria, de acordo com Bernardes, criado as condições para a melhora do mercado. “Os lançamentos devem diminuir em torno de 20% este ano, mas esse foi um ajuste, tanto que os preços dos imóveis permaneceram estáveis, acompanhando a inflação.”

As unidades vendidas, por outro lado, terminam o ano com alta de aproximadamente 9%, segundo Bernardes. “Isso quer dizer que vendemos bastante, e o estoque diminuiu. Desta forma, os lançamentos devem voltar a crescer.” Em 2012, os feirões de imóveis novos foram estratégia comum entre as empresas do setor, com descontos de até 30% no preço final dos residenciais.

Para a economista Ana Maria Castelo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a melhora no cenário econômico do País no ano que se inicia pode impulsionar as vendas de imóveis novos. Estimativa do Banco Central divulgada em 20 de dezembro projeta alta de 3,3% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2013 e de apenas 1% em 2012.

Já o vice-presidente de economia do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Eduardo Zaidan, vê boas perspectivas para os lançamentos graças ao destravamento das aprovações de projetos nas prefeituras. “Esse foi um problema em várias capitais em 2012. Agora, já estamos sentindo uma melhora”, disse em 28 de novembro, durante entrevista coletiva na sede da entidade.

Nos trilhos. O presidente da Eugênio Marketing Imobiliário, Carlos Valladão, acredita que os últimos meses tenham sido de correção de rumos após a euforia demonstrada pelo mercado imobiliário desde 2007. “Algumas empresas reviram projeções, outras desistiram de fazer projeções porque muitas erraram.” Em dezembro, a incorporadora Tecnisa, por exemplo, anunciou que deixaria de anunciar projeções em seus balanços – o que é regra entre as companhias de capital aberto.

“A linguagem do mercado financeiro é diferente da linguagem do mercado imobiliário. Não se pode analisar num trimestre uma empresa que tem o núcleo do negócio (core business) de quatro, cinco anos”, diz o diretor de atendimento da imobiliária Abyara Brasil Brokers, Bruno Vivanco. “As incorporadoras estão redescobrindo o tamanho e o foco que têm de ter. Estão voltando a ser players do mercado imobiliário.”

A reestruturação das companhias ocorre no encerramento de um ciclo de lançamentos iniciado três anos atrás. O número de entregas de imóveis cresceu substancialmente este ano, gerando a maior parte do retorno dos investimentos. Quando as principais incorporadoras abriram capital, a partir de meados da década passada, a pressão dos investidores era pelo grande volume de lançamentos. “Este ano foi de formação de caixa para as empresas se fortalecerem e voltarem de forma mais sadia para o mercado”, afirma Valladão.

As entregas de novos imóveis continuará em 2013. De acordo com o diretor de operações da financiadora CrediPronto, Bruno Gama, esse processo deve perdurar, ao menos, pelos próximos oito meses na cidade, engordando o mercado de crédito imobiliário, que neste ano deve crescer cerca de 20%, segundo ele.
Mesmo com dinheiro em caixa, o diretor executivo de incorporação da Even, João Azevedo, espera um crescimento sem euforias nos lançamentos paulistanos no ano que vem.

Ele também não considera ruins os resultados de 2012, alegando que são condizentes com a realidade do mercado imobiliário no longo prazo. “Agora, o mercado está começando a amadurecer, o que, na verdade, é muito bom. Se ele está irracional, a situação é ruim para todos”, diz.

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