Monotrilho anima donos de imóveis na zona leste de SP

Monotrilho anima donos de imóveis na zona leste de SP

Claudio Marques

09 de setembro de 2012 | 08h08

GUSTAVO COLTRI


Ao meio
. Pilastras estão sendo instaladas no canteiro central da Avenida Professor Inácio Anhaia  (Foto: Hélvio Romero/AE)

O sistema de monotrilhos somente deve começar a operar em São Paulo no fim de 2013, mas já agita o mercado imobiliário das regiões cortadas pelas vias onde os trens passarão. Na Vila Prudente, nem as obras de extensão da linha 2-Verde do metrô e seus transtornos sobre a Avenida Professor Luís Inácio Anhaia Mello reduzem a expectativa de valorização por parte dos proprietários residenciais.

A extensão adotará o monotrilho e a primeira fase do projeto ligará a estação Vila Prudente do metrô à futura estação Oratório, em fase adiantada de construção no canteiro central da Anhaia Melo. Hoje, porém, quem passa por lá sofre com a falta de mobilidade.

“O sentimento agora é negativo, por causa do trânsito mais intenso e da sujeira – parte da avenida está interditada. Mas vai ser muito positivo”, diz o síndico João Zanetti, no comando de um residencial em frente às pilastras do futuro monotrilho.

Não há, segundo ele, apartamentos disponíveis nas três torres do condomínio: “O fato de haver a intenção de construir o monotrilho atrai muita gente para cá”. Zanetti acredita que o meio de transporte possa atenuar os congestionamentos crônicos na região.

As obras começam às 7h e seguem até as 19h, mas os ruídos não destoam do habitualmente gerado pelo movimento dos carros na avenida – as vigas de sustentação dos trens, pré-moldadas, são instaladas à noite. Uma quadra mais distante, no condomínio onde Celso Casassola, de 47 anos, é síndico, as intervenções mal podem ser ouvidas.

Casassola ocupou o apartamento, a 150 metros a futura estação Oratório, há um ano e oito meses, depois de fugir do barulho de uma escola de samba ao lado de seu antigo imóvel. Antes de adquirir o novo bem, ele buscou informações sobre o monotrilho e se diz confiante.

“A frenagem poderia ter ruídos fortes, mas o sistema de pneus nos trens minimiza esse problema”, diz. O monotrilho gera 65 decibéis – 30 menos do que o ocasionado por um ônibus urbano convencional.

O síndico também tem a expectativa de valorização total de até 25% em seu imóvel até o fim da intervenção, no ano que vem. “Meu apartamento foi avaliado em R$ 610 mil há um ano e oito meses. Hoje, temos um de 127 metros quadrados sendo vendido por R$ 750 mil”, conta.


No Futuro.  Casassola espera alta de 25% no valor de seu (Foto: Hélvio Romero/AE)

O preço do metro quadrado dos lançamentos na Vila Prudente no primeiro semestre de 2012 é de R$ 6.098,36, segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Nos seis meses imediatamente anteriores, a metragem estava avaliada, em média, em R$ 5.004,05.

Novos ares. Desde agosto de 2010, quando a estação Vila Prudente foi inaugurada, os bairros do entorno onde hoje o monotrilho está sendo instalado estão em renovação. Até julho, a região recebeu 19 empreendimentos, com 32 torres e unidades de dois e três dormitórios.

Consultor imobiliário da Lello Imóveis na região, Marcelo Oliveira Barreto vê potenciais de valorização especialmente nas áreas próximas à Anhaia Melo. Para a avenida, recheada de lojas de revenda de automóveis, ele é menos otimista, contudo.

“Há mais um ano e meio de obra pela frente. Hoje, as pessoas estão com dificuldades de alugar prédios comerciais.” As travas de mobilidade explicariam o movimento do mercado.
Para o corretor Roberto Rodrigues, da Ebenezer Imóveis, as mudanças devem continuar após o término das obras: “Vão construir prédios nos terrenos dessas lojas”.

O transporte, explica Rodrigues, vem sendo aceito bem nas áreas periféricas – a previsão é da conclusão da linha em 2016, em Cidade Tiradentes. “Mais para cá (Vila Prudente), ainda há um pouco de medo de que fique parecido com o Expresso Tiradentes. Lá existe um pessoal que fica escondido atrás das colunas para roubar quem passa.”

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